Com o poder da flauta e da poesia, Luiz Gabriel Lopes lança o álbum MANA

 

Vivemos num mundo onde as más notícias nos cercam a todo momento, enquanto que Luiz Gabriel Lopes, em relação ao seu novo álbum, MANA, diz que é preciso transformar a fé numa oração pra se cantar. Com isso, já percebemos o otimismo do músico. 

MANA é terceiro disco da carreira de Luiz, com produção de Lenis Rino, e todas as dez músicas foram gravadas por Téo Nicácio (baixo), Luiz Gabriel Lopes (voz e guitarra), Matas (bateria e percussão) e Pantoja (flauta). Além desse time, o álbum conta com as participações especiais de Mauricio Pereira e Ceumar, com um belo passeio pela sonoridade crua e diretas. “Às vezes sinto que existe uma espécie de patrulha psicológica, como se o simples não fosse legal. É uma coisa de dentro da cabeça da
gente mesmo. Conseguir desvencilhar disso e apontar numa outra direção foi, pra mim, um desafio”,
conta o artísta.

O músico lança o disco em São Paulo neste mês, com dois shows: dia 17/02 no Museu de Arte Moderna MAM-SP) e no dia 18/02 no Sesc Campo Limpo? ambos com entrada gratuita! 

 

 

Para começar, explique o nome do álbum.

MANA é um conceito vindo da antropologia, sobre uma energia vital que, segundo alguns povos indígenas, todos os seres e objetos têm e emanam. É uma espécie de campo magnético, uma eletricidade mágica presente em tudo. Pensei nessa imagem como ponto de partida pra costurar a energia do repertório e da sonoridade do disco, entender as ressonâncias entre as canções e os sons que serviriam a cada uma. Como pintar um quadro, passa pela escolha das cores, das tintas, da tela, dos pincéis, mas também das emoções e das intenções. No caso deste disco, tem a ver também com a escolha pela intuição como metodologia, um processo criativo muito livre e de coração.

 

Em questão de produção, o disco antecessor O FAZEDOR DE RIOS, parece ter uma grande diferença para o atual MANA. Estou certo?

Existia uma vontade de realizar um trabalho com tons mais elétricos, daí a escolha da guitarra é um ponto-chave na distinção da sonoridade destes dois trabalhos. Além disso, escolhi decantar os arranjos e buscar uma clareza maior das informações musicais, com menos camadas e mais destaque ao essencial da canção, a melodia e a letra. No FAZEDOR DE RIOS havia uma opção mais orquestral, com grande profusão de elementos nos arranjos... daí essa espécie de ruptura estilística veio como uma resposta, uma vontade de arejar as coisas e ir mais direto ao ponto.

 

Ainda nessa pergunta, como foi utilizar a flauta no disco? Geralmente, ela faz toda diferença em uma música...

Eu tinha vontade de ter um elemento melódico que fizesse contracantos e fosse definidor de uma sonoridade marcante. No início da pesquisa desse trabalho, chegamos a ter a Nath Rodrigues, no violino, ocupando essa posição, mas por questões de agenda e disponibilidade não rolou de continuarmos. Daí apareceu o Daniel Pantoja, que é um músico incrível, com quem eu já tinha tido algum contato nos anos anteriores, e abraçou o projeto com muito carinho e dedicação. O cara transborda música: sinto que ele trouxe uma energia muito especial para o som do disco, como uma assinatura timbrística. Durante o processo, apareceu muito forte pra mim a referência do Unplugged do Gil, com as flautas do Lucas Santanna... mas o Pantoja tem uma linguagem e um som muito peculiar, ele deixou uma marca muito pessoal.

 

Em falar nisso, como foi o processo de produção?

Grande parte das canções já fazia parte do meu repertório voz e violão, há alguns anos. Outras surgiram mais recentemente, principalmente as feitas em parceria com o Téo Nicácio, que além de tocar baixo e fazer alguns vocais, tem uma presença importante na construção do álbum. Após um período de aproximadamente um ano trabalhando com a banda de maneira dispersa, ensaiando, fazendo alguns shows, pesquisando o repertório e os arranjos, gravamos as 10 faixas ao vivo durante 4 dias no Estúdio Minduca, em São Paulo, com a produção do Lenis Rino. Depois fizemos as vozes valendo e alguns poucos overdubs, depois a mix... foi um processo muito prazeroso.

 

Você diz que o álbum traz uma mensagem pacifista. Como chegou nisso?

Tive vontade de reunir canções que vibrassem numa energia otimista, de confiança na nossa própria capacidade de transmutação de todo o mal que nos cerca. Aquela coisa de “inventar a maravilha de amanhã”, ser propositivo e cantar coisas que nos alimentem. Em tempos de tanta polarização e de tão pouca escuta, me pareceu necessário e adequado apontar o álbum pra esse lado. O cultivo das utopias é uma temática recorrente no meu trabalho, é algo que me inspira e me fortalece.