Geralmente, as bandas brasileiras que tocam heavy metal, usam o inglês para expressarem as letras das músicas. Com Mauro Cordeiro e a banda Leatherjacks não foi muito diferente. No entanto, nem Mauro e nem os outros integrantes da banda se recusam a encher o peito e dizer "EU SOU BRASILEIRO".

— O Brasil é meu país e minha Pátria. Nós seguimos o exemplo de bandas como Sepultura, Angra, Korzus, Nervosa e muitas outras, que mesmo escrevendo em Inglês, sempre preservam suas origens, com amor à Pátria e ao seu país. — Comentou Mauro.

 

Abaixo, veja uma entrevista na íntegra o músico Mauro Cordeiro.

 

 

Ainda são poucas as bandas que seguem o estilo Heavy Metal. De certa maneira, você foi um empreendedor nesse sentido...

Sem dúvidas, Matheus. Eu estou realmente nadando contra as correntes. Meu objetivo, apesar de escrever em Inglês, é trazer música com conteúdo verdadeiro e cultural. Eu acho que a cultura da Bunda e da música de Corno já estão saturando demais o Brasil, e particularmente, somos um povo com muito mais a oferecer mundialmente do que apenas isso. O Modern Hard Rock e Heavy Metal que fazemos, tem como conceito de além de musicalmente trazer algo novo ao mundo, também tenta trazer esperança e também fazer as pessoas pensarem enquanto curtem o som. Essa é a ideia.

 

O que quer dizer o nome da banda (Leatherjacks)?

O nome surgiu depois de muitas tentativas com a palavra Leather. Já foi LeatherHawks, LeatherFire, Leather isso, Leather aquilo... E de repente, olhei para a minha antiga jaqueta de couro bem ao meu lado, e aí pensei na palavra JACKETS, que abreviada fica JACKS. Achei isso bem legal, pois soa como um nome, um apelido, e também tem um motivo no conceito geral do nome. Pode significar tanto um sobrenome (família Jacks, por exemplo) como também o plural de Jaquetas (Jackets) abreviado. Então realmente foi algo iluminado que surgiu como nome do projeto.

 

O primeiro disco da banda foi feito totalmente por você (Mauro Cordeiro). Pode nos contar como

foi essa experiência?

Difícil! (Risos). Eu tenho um equipamento humilde em casa. Aos entendedores de Áudio e produção musical - No digital: Uma M-Audio Mobile Pre, um foninho Philips SHM1900 e um bom computador (bem rápido mesmo, e essa é minha única vantagem). 

Nos instrumentos: Uma guitarra Waldman GHO 141, uma Tagima 735  tratocaster e uma Fender Squier Stratocaster. Não tenho monitores de referência nem nada disso. Estudei Áudio e Produção Musical realmente “Na Raça”, desde 2013. 

Fiquei um ano compondo, escrevendo e produzindo as demos do Álbum, até realmente obter o som que eu desejava. 

Pelo fato de eu ter passado alguns anos afastado da Música, eu não tinha mais contatos de músicos para formar um grupo. Logisticamente, no período da criação, composição, produção e gravação, foi mais fácil eu realmente produzir tudo sozinho no meu Home Studio, que hoje tem nome: MauCor Music (Adoro

Abreviações – Risos). A mixagem ficou por minha conta, e a Masterização ficou também por conta da empresa online eMastered. Depois de baixar o áudio deles masterizado, ainda assim, eu remasterizava ao meu gosto. E assim em 18/04/2017, lancei oficialmente o THE LOST ARKS OF ROCK AND ROLL.

 

Do que se trata as letras das músicas do disco novo?

O primeiro Álbum, como o próprio nome diz, é trazer as relíquias daquelas Arcas Perdidas do Rock And Roll. Mas apresentando um “Q” completamente novo mesclado aos tradicionais “Anos Oitenta” (que na minha humilde opinião, década essa que teve as melhores bandas de Metal, Hard Rock e AOR (Adult

Oriented Rock) do mundo. Inigualáveis).

Muitas das letras possuem temas polêmicos sobre as pessoas, sobre a sociedade atual, sobre erros e hipocrisias humanas (que principalmente eu também cometo – risos). Também escrevo sobre desilusões da vida, do amor. 

Mas também gosto de escrever sobre ficção e situações de batalha, coisas épicas (típicas do Heavy Metal haha). Um bom exemplo desse tema é a faixa “The Slammer”, que conta sobre uma criatura que vem para salvar a Terra de nós mesmos (algo na linha de “O Dia Em Que A Terra Parou” ou “The Sentinel” do Judas Priest).

Confiram e não percam, pois com certeza vocês vão apreciar o Álbum de ponta a ponta e vão querer ouvir Again and Again and Again (risos).

 

Fale mais sobre você e a banda.

Eu comecei na música aos 10 anos de idade. Minha mãe é ex-pianista e maestrina, além de Designer Industrial formada pela FAAP. Então desde muito cedo eu acompanhei e gostei de ambas as áreas (tanto que paralelamente à música, também sou Designer Gráfico e Animador Digital 3D e 2D).

Meu avô vivia ouvindo Jazz, Rockabilly e Swing Big Bands, então minha infância e adolescência foram regadas a Dizzie Gillespy, Benny Goodman, Tommy Dorsey, Glenn Miller, Sinatra, Nat King Cole, Elvis, John Coltrane, Ed Cochran, entre muitos outros.

E pela minha mãe, conheci Deep Purple, Djavan, Sabbath, Led Zeppelin, Bon Jovi, Tim Maia... Brazil e EUA sempre misturados na minha vida. Isso me trouxe uma bagagem imensa de teoria musical, dissonâncias e acordes diferenciados, que só enriquecem as composições do LeatherJacks.

Em 2000 tive minha primeira banda, aos 14 anos, depois outras bandas, etc... Parei de fazer shows por muitos anos, mas o sonho e a música nunca saíram e nunca sairão de mim, e aqui estou eu, graças a Deus de volta, e o melhor: Entre Amigos!

O Baixista do LeatherJacks, o Arthur Inácio, é meu amigo desde 1999. Aprendemos a tocar praticamente juntos. O Dan Werneck, nosso Baterista, eu encontrei por amigos de amigos no Facebook, mas atualmente já se tornou um irmão. Banda é um casamento, uma família. Então tem que ser assim.

 

Tem alguma curiosidade que envolva a banda?

A princípio acho que ainda não, Matheus... Mas somos realmente muito unidos e o mais legal é poder tocar com o Arthur Inácio, que conheço desde meus 13 anos, em 1999. Mas por muitos anos, ele teve outros projetos na Música e em outras áreas. Nos desencontramos e aqui estamos nós de novo, nas reviravoltas da vida.

Isso certamente é especial e precioso, e agora juntamente com o Dan, formamos essa sinergia nesse power Trio legal demais.

E deixo já meu grande agradecimento a você e a todos da Revista Arte Brasileira! É uma honra e um prazer participar e conceder 

Esta entrevista, e que se Deus quiser, venham muitas e muitas outras!