O nome Storen vem do alemão e significa distúrbio, interferência. Mas o som da banda que adotou esse nome é o oposto. Misturando pop, rock, indie e eletrônico, o trio debate a vida urbana em suas canções. Formado por Paloma Neves (voz e teclado), Úrsula Patitucci (bateria e percussão) e Rodrigo Vilaça (guitarra), o Storen produz um som ímpar para cena belo horizontina de rock.  Após o lançamento do EP “Pra Viver do seu Lado” (2014), o grupo prepara seu novo disco.

 

Abaixo veja uma entrevista na íntegra com o guitarrista Rodrigo Vilaça.

 

 

Vocês fazem uma mistura muito bem do indie com o rock e o eletrônico...

No início éramos uma banda puramente rock n´roll. O indie estava presente nas referências que ouvíamos e as composições naturalmente foram ganhando um lado mais alternativo. Mesmo assim sentíamos a necessidade de algo mais moderno e dinâmico, o que achamos em elementos eletrônicos.

 

Fale um pouco sobre esse debate da vida urbana presente nas músicas.

Apesar de morarmos em Belo Horizonte, perto das grandes paisagens de Minas Gerais, sempre fomos bastante urbanos.  Então as canções mostram muito o lado das relações humanas. Por exemplo neste último trabalho, a Paloma compôs 90% das letras e seguiu uma linha que a banda já vinha adotando e que ela mesmo vinha passando, ou seja, as mudanças e desejos internos... o que faz com que muita gente se identifique com a mensagem que queremos passar.

 

O nome da banda faz referência também à algumas peculiaridades da banda, o que modificou o modo de visão de vocês. Comente o que foi essa mudança.

O nome remete, em uma tradução livre, como uma transformação que todos passam na vida... seja em busca de algo ou uma mudança meramente de visão de si e do mundo. Essa pergunta pode ter a mesma resposta sobre a nossa linha musical, que fomos do rock puro ao indie e eletrônico... ou seja, buscamos uma mudança positiva pra suprir nossos anseios e novos objetivos.

 

Como aconteceu a formação da banda? Pelo o que vi, foi algo bem casual...

Na verdade a banda começou com a Paloma e comigo, Rodrigo. Nos conhecemos através de nossos pais e instantaneamente começamos a compor juntos. Apesar de tocarmos covers também, a ideia sempre foi sermos uma banda autoral. Daí a dificuldade de estabilizar componentes, uma vez que uma banda não é só diversão, é também muito trabalho envolvido. Ficamos muito tempo atuando como uma dupla, ela nos vocais e eu na guitarra, com músicos nos dando suporte. Começou a ficar inviável não termos músicos fixos e que não somassem em nossa caminhada autoral. Foi aí que a Úrsula, nossa batera, entrou. Ela também queria levar a sério o lance autoral e nos ajudou muito a migrar para algo mais eletrônico.  E como decidimos ser um trio, teríamos que preencher os vazios de outros instrumentos, o que conseguimos com mais efeitos de guitarra e vocal, teclado e microkorg, além de sons eletrônicos de bateria.

 

Para a gravação do EP, vocês viajaram de Belo Horizonte até São Paulo. Comente o processo de gravação.

Na verdade a gravação em São Paulo foi feita no 1° EP, este novo trabalho gravamos todo em BH. Algumas músicas foram gravadas no “Casa Estúdio”, Já outras foram gravadas em nosso próprio local de ensaio, que chamamos de “Studio Storen”, com a produção do Junin Santos, que inclusive já foi nosso batera. O processo de gravação foi bem tranquilo e focado. Uma vez que já tínhamos as músicas compostas, definimos previamente a sonoridade que queríamos para todo o conjunto da obra, mas sempre levando em conta cada música especificamente. Fizemos as guias, a Úrsula gravou as bateras, eu as guitarras e aí a Paloma veio com os teclados e vocais. Nosso baixo é feito com efeitos de teclado e mikrokorg. Depois de tudo pronto a gente fez uma revisão de tudo até chegarmos no ponto certo. Tudo foi relativamente rápido e bem dinâmico de se fazer. E o principal, chegamos em uma gravação final que a gente conseguisse tocar ao vivo fielmente como um trio.

 

ALGO MAIS entrou para um filme de terror (PANDEMÔNIA). Comente.

Pra gente foi uma grande honra entrar para a trilha do filme Pandemônia. Na época a gente trabalhava com o produtor André Kostta, responsável pelo primeiro CD (PRA VIVER DO SEU LADO) e responsável pela gravação da música Algo Mais. Essa música foi uma das primeiras que a banda fez e a letra é de um antigo baterista nosso, até hoje um grande amigo, Fabiano Evangelista. Então, o André nos indicou para a produção do filme, eles gostaram da música e nos incluiram na trilha sonora. Pra quem quiser ouvir fica o link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=W-06UQt-p7c   

Lembrando que nesse trabalho a gente se baseava em elementos puramente rock n´roll, o que difere um pouco da linha do novo cd.

 

Vi que a guitarra faz um papel incrível dentro do disco.

Obrigado pelo incrível!! Pois é, eu tenho uma grande influência de bandas dos anos 70 a 90 e alguns poucos guitarristas atuais me chamam a atenção. Não é novidade pra ninguém que me conhece que sou fã do Slash, o qual tive o prazer de conhecer e encontrar em 2 situações distintas. Por conta disso, sempre adotei uma conduta mais rock n´roll e pesada na guitarra, o que fica claro em nossos primeiros trabalhos. Não sou o cara mais eclético do mundo, mas escuto muito outras coisas e aprendi a brincar com efeitos... e aliando a nossa vontade de mudar e descobrir uma sonoridade mais atual e própria da banda, fui incorporando outros elementos e maneiras de colocar a guitarra nas músicas, sendo agressivo em certos momentos e bastante suave e clean em outros. As meninas me incentivaram muito nesse processo e acho que consegui colocar de uma maneira única a minha sonoridade nas músicas... destacando a guitarra nas horas certas, sem atrapalhar os outros instrumentos ou os vocais.

 

Outras bandas influenciaram a música de vocês, e principalmente este EP. Como isso aconteceu?

Todos nós gostamos de rock e temos nossos gostos pessoais dentro desse estilo musical. Eu me considero mais clássico e pesado, apesar de gostar de outras vertentes e estilos dentro do rock, pop e eletrônico.  A Paloma também gosta de peso, mas ela tem uma linha pop e eletrônica muito forte. A Úrsula é a mais moderninha da banda, que curte uma pegada bem anos 2000 pra cá dentro do rock. Juntando as  influências pessoais com banda mais novas como Twenty One Pilots, PVRIS, Dua Lipa e Paramore, chegamos à concepção desse nosso trabalho.

 

Fale mais sobre o disco (produção/gravação/criação/repertório/etc).

O disco está mesclando bem o rock, pop e eletrônico. É composto de músicas fortes, baladas dançantes e músicas suaves. Cheio de efeitos e novidades sonoras que ousamos em brincar, testar e inserir no trabalho. Todo o trabalho de produção foi em conjunto com a banda e temos que agradecer o pessoal do Casa Estúdio, Carlos Ziviani e Afonso,  que gravaram algumas músicas como Insônia e Ritmo perfeito , além do Junin Santos que gravou outras músicas como Wings, a única em inglês. O disco possui possui 10 músicas, sendo uma instrumental que usamos como introdução. Nesse trabalho a Paloma praticamente trabalhou sozinha nas letras e cada integrante trabalhou seu instrumento. Geralmente quando todo o esqueleto da música já está pronto, a gente vai lapidando juntos no ensaio o que fica, o que sai e o que entra nas composições. Foi um trabalho muito bom de ser fazer, nos uniu ainda  mais e conseguimos naturalmente passar por mudanças positivas em nossa linha de composição, assim como o nome da banda sugere.