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Não só o samba pode parar, com diria Alcione, como também o teatro, como agora diz os atores  Marcos Caruso, Mateus Solano e o produtor Carlos Grun, que preocupados com o possível fechamento do Teatro do Leblon no Rio de Janeiro, tiveram uma ideia (sem nenhum patrocínio) de montar duas peças na sala com a bandeira da preservação do teatro em crise. Os atores e o produtor fizeram convites a toda imprensa, a outros cênicos e a todo o público brasileiro para comparecerem aos espetáculos na intenção de manter o teatro vivo.

 A ideia é repensar os caminhos do fazer teatral na cidade. Rediscutir formatos de temporada, buscar uma readequação diante da ausência do poder público. Estamos todos no mesmo barco e não podemos deixá-lo afundar. Essa temporada compartilhada, de apenas um mês, é uma iniciativa, um primeiro passo, uma retomada de consciência e quem sabe um exemplo para que, pelo menos no curto prazo, a chama fique acesa e não percamos mais duas salas. Que outros artistas sigam esse caminho, que outros teatros se readequem às possibilidades escassas que o mercado oferece. É o nosso grito de ‘sim’ – temos boas peças, sim, temos grandes atores, sim, temos boas salas, sim, o teatro carioca está vivo e precisamos do público comparecendo e apoiando. O teatro existe há mais de 2 mil anos e enfrenta qualquer crise: financeira, política, climática. Mas a crise do desinteresse é mais uma – e talvez a mais grave – que nos assola.— afirma o produtor Carlos Grun.

Sem patrocínios ou subvenção de espécie alguma, o trio de artistas esperam salvar o teatro, em nome de tantos outros que já foram fechados na capital carioca, como o Teatro Delfim (Humaitá) e o Teatro Mesbla (CineLãndia).

 

O ESCÂNDALO PHILLIPE DUSSAERT

Com Marcus Caruso

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A peça conta a história do pintor Philippe Dussaert, nascido no norte da França em 1947, que perseguiu obstinadamente em sua trajetória o sentido mais profundo do “Nada”. Sua proposta inicial é inusitada: reconhecido pelo seu talento de exímio copista, reproduz quadros famosos de pintores como Da Vinci, Manet, Cézanne, Vermeer, porém exclui da imagem quaisquer personagens humanos ou animais, e preserva fielmente o cenário ao seu fundo. Causando surpresa e inquietude no mundo das artes, ele segue radicalizando sua proposta e, pouco a pouco, vai ganhando o mercado de arte contemporânea – suas obras se tornam cada vez mais valiosas e disputadas por grandes museus e colecionadores. A trajetória de Dussaert chega ao ápice quando sua derradeira exposição deflagra uma reviravolta que ficou conhecida como “O Escândalo Philippe Dussaert”.

 

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Com Mateus Solano

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A peça conta a história de Claudio, (Mateus Solano) um homem superconectado que armazena toda a sua vida em computadores, redes sociais e nuvens. Debruçado sobre o projeto de criar um sistema independente para armazenamento de todos os dados de uma pessoa num único lugar, vê seu sonho ir água abaixo quando deixa cair um café em seu equipamento, que sofre uma pane e apaga tudo momentos antes de entrar no ar. Ele então torna-se um homem sem passado, já que não se lembra de nada, pois toda sua memória era virtual. A partir daí, Claudio inicia uma saga em busca da memória perdida, recorrendo a vários personagens de sua vida (onze, ao todo, vividos por Miguel Thiré) para reconstituir sua história.