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Com o sucesso da edição anterior, a Caixa Econômica Federal apresenta orgulhosamente a segunda Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas. O projeto que começou a ser apresentado no dia 30 do mês passado e que estará em cartaz até o dia 23 de julho no Rio de Janeiro, conta com trabalhos de 30 novos talentos das artes visuais.

— As obras apresentadas na mostra têm um potente diálogo contemporâneo e revelam um panorama das linguagens e propostas de uma emergente geração das artes visuais. Suas narrativas revelam o artista como um ator social crítico, pleno de cidadania, que se expõe e nos projeta para as complexas relações que se dão nas grandes cidades — explica a curadora Liliana Magalhães. — As questões de gênero, raça, consumo, política, ética, meio ambiente e afirmação de direitos humanos e civis aparecem como uma síntese do agudo momento de transformação que vivemos — enumera.

 

A seguir, veja uma entrevista na íntegra com Marcos Kimura, gerente executivo de Marketing Cultural da CAIXA; e Liliana Magalhães, curadora da 2ª Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas.

 

Marcela Antunes - JPEG (800)

 

Geralmente as feiras de arte trazem algum artista já renomado e conhecido do grande público. No caso da Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas, a situação é outra. Artistas novos terão seu espaço para expor suas artes. Como essa ideia surgiu? Por que escolheram os novos talentos ao invés de artistas já renomados? E o que isso pode acrescentar de bom para a feira?

KIMURA – Não se trata de feira, é uma mostra do que os novos artistas estão produzindo. Os artistas que tiveram seus trabalhos selecionados terão a oportunidade de expor em todos os espaços da CAIXA Cultural, em Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife, Salvador, São Paulo e no Rio de Janeiro, onde atualmente acontece a exposição.

A mostra nos dá uma visão da produção contemporânea das artes visuais no Brasil, uma vez que o certame é aberto para todos os artistas do país. Neste ano, temos representantes selecionados de 12 estados brasileiros: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O objetivo é dar visibilidade e oportunidade para quem está em início de carreira. Os artistas consagrados, já com produção artística consolidada são atendidos em outro programa cultural nosso, a seleção pública de ocupação dos espaços da CAIXA Cultural.

 

Com o sucesso da feira de 2015/2016, vocês investiram novamente nessa ideia. O que rolou na Bienal passada? Como ela aconteceu e o que o público pode esperar de diferente nesta nova edição?

KIMURA – A ideia é ter uma mostra do que está sendo produzido nas artes visuais no país a cada dois anos e ter um registro desse recorte – novos artistas.

Na edição passada, os artistas tiveram a oportunidade de se conhecerem e falar sobre seus trabalhos, um intercâmbio que os ajudou na evolução de suas carreiras, essa experiência será vivida pelos artistas deste biênio 2017/2018. É interessante observar que também já se iniciou um diálogo entre alguns artistas das duas edições.

 

A ideia da Bienal desta edição é trazer artes visuais que contemplam a poesia e também o momento atual. Em questão de curadoria, como essa escolha aconteceu? E no geral, como foi feita a seleção das artes?

KIMURA – Na verdade, a mostra é concebida por meio das obras que são inscritas. As ideias que se percebem na exposição são reflexo da produção dos artistas, que nos mostra uma tendência de visão contemporânea da arte atual. Na seleção, cada artista pode inscrever até 3 trabalhos. Uma pré-comissão formada por Liliana Magalhães, Sylvia Wernek e Luiz Marchesini, sob coordenação da CAIXA, selecionou, inicialmente, 95 trabalhos de 62 artistas. Dentre os avaliadores que participaram da comissão, a CAIXA convidou a curadora Liliana Magalhães para o desafio de compor a exposição e constituir uma linha curatorial entre os trabalhos.

LILIANA – A arte contemporânea é, por definição, a vontade de o artista atuar sobre a realidade enquanto ela se processa e nesse sentido, as narrativas das obras evidenciam o momento crítico em que vivemos. Esse recorte que propõe uma reflexão sobre as relações urbanas, ou seja como nos relacionamos com questões fundamentais no meio ambiente urbano, foi surgindo aos poucos durante todo processo de observação das obras. Após participar da comissão de pré-seleção, quando analisamos obras de 616 artistas de todo Brasil, e me ver diante de 95 obras para fazer a curadoria da mostra, adotei três momentos de seleção. O primeiro foi, simplesmente, pelo resultado do confronto entre a intenção e a realização da obra. O segundo se deu pela qualidade artística das obras diante de dois critérios; a experimentação e a força poética visual.  E, finalmente, o terceiro aconteceu num mergulho diante da percepção das obras e seus diálogos com afinidades conceituais e formais entre elas. Assim, foram se formando agrupamentos que notadamente revelavam abordagens sobre as relações – trazidas pelos artistas – com os espaços natural, construído e político, e por fim, com o corpo e com o outro. Daí, surgiu a ideia de criar percursos articulados no espaço expositivo a partir do agrupamento das obras em cinco áreas que chamo de campos de visualidade.

 

De uma maneira geral, como funcionou a curadoria do evento?

LILIANA – Curadoria é, para mim, um processo artístico criativo que tem como função maior agenciar e potencializar as forças das obras, criando um contexto de mediação de significados entre os envolvidos no desenvolvimento da iniciativa e no público.
Isso funcionou muito bem na construção da 2ª Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas, pois conduzi o processo de trabalho a partir do tema central, tendo como primazia estimular a essência criativa e a capacidade executiva de inovar de todos. Busquei profissionais de excelência para dar conta do desafio de, juntos, realizarmos um projeto expositivo que carregasse algumas premissas: ter uma estrutura de suporte nova, arrojada e que deixasse os trabalhos soltos e quase flutuando no ar, proporcionando a sensação de se estar num cidade imaginária e criando uma comunicação interativa, contemporânea e estimulante com o público, afinal, desenvolver um produto cultural é uma ação viva; apresentar artistas de carreiras emergentes no circuito das artes visuais; e promover ao público uma reflexão crítica com um panorama da arte contemporânea do país.

O brilho no olho foi o fio condutor do trabalho. Espero que, agora, cada frequentador da mostra – em todas cidades as quais ela percorrerá – possa produzir, a partir das obras, novos significados sobre como nos relacionamos nas cidades: visíveis, reais ou imaginadas.

 

 

Serviço:

Mostra Bienal CAIXA de Novos Artistas

Entrada Franca

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 4

Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro – (Metrô e VLT: Estação Carioca)

Telefone: (21) 3980-3815

Abertura: 30 de maio (terça-feira), às 19h

Visitação: de 30 de maio a 23 de julho de 2017

Horários: de terça-feira a domingo, das 10h às 21h

Classificação indicativa: Livre

Acesso para pessoas com deficiência