Por Bruna Castanheira

 

“Disco promissor, NA PONTA DO REMO sinaliza que a Iemanjá mineira não deverá morrer na praia...” finaliza o crítico musical Mauro Ferreira (G1) sobre o primeiro disco da cantora, compositora e produtora cultural Ivy Morais.

Lançado em abril de 2018 com um show no Solar de Botafogo, Rio de Janeiro, a obra tem repercutido nas redes e pretende alcançar outros mares em breve!

Num depoimento emocionado, o jornalista Marceu Vieira (TV Globo) diz: “ouvi e reouvi e reouvi e reouvi o CD da Ivy, até consolidar a certeza de que algo importante acontece na cena musical brasileira – e que vai ser preciso abrir espaço pra beleza das 11 composições de NA PONTA DO REMO, sobressaídas além da voz da cantora.​".

 

A seguir, veja na íntegra uma entrevista especial que fizemos com Ivy.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão verde no quadro abaixo.

 

O álbum NA PONTA DO REMO é totalmente autoral. Como foram os momentos de criação das faixas?

Sem regra alguma. Começou com rabiscos em guardanapos de bar, em caderninhos de bolsa no sacolejo do ônibus (tenho uma caixa cheia deles!), sentada nas pedras do Arpoador, nas trilhas de uma viagem... E as melodias sendo registradas no gravador do celular, flutuando na imaginação ideias de arranjos e ritmos.

 

Como Lenine entrou para este álbum?

Tenho o privilégio de conviver com o artista e, principalmente, ser humano Lenine no papel de produtora cultural. Sua obra já é transformadora por si só, imagine percorrer um Brasil com suas pílulas de sabedoria, seu afeto com o próximo, sua bandeira do coletivo. Por isso tudo, fiz o convite para que ele entoasse comigo o meu CANTO DE ESPERANÇA, que fala da estrada, suas possibilidades e seus desafios. Das mãos dadas e dos milagres que podemos promover.

 

Parece que a temática das músicas de NA PONTA DO REMO é bem interessante...

A imagem do mar permeia seus versos e sua estética. A busca é de aliar o poder de suas ondas à suavidade de sua brisa salgada (olha eu já convertendo a entrevista em poema rs!). Porém, ele fala mesmo é sobre liberdade, se entregar aos sentimentos, viver o que tiver que ser vivido! Sempre conectado às forças da natureza.

 

 

Por falar nisso, como você definiria a parte poética?

Não saberia dissociar da temática... é uma poesia intensa, de quem vai “se expor à luz do sol, correr perigo / desacatar a própria lei”, e procura espalhar estes sentimentos de forma encantada, como em “ah, quem me dera um dia despertar seu eterno sol-se-pôr / o preto-e-branco do mundo enfeitar de cor”. Os personagens abrem caminhos pelas matas, se lançam ao desconhecido, de quem sabe que “a estrada só faz sentido no caminhar”... Como também, no trechinho de onde brotou o nome do disco: “seguimos com as certezas do que não sabemos / guiados pelas estrelas / destino traçado na ponta do remo”.

 

E a parte musical?

É inspirada em um Brasil diverso, o samba das rodas, o samba de roda do recôncavo baiano, a profundidade do maracatu, o lirismo da valsa... Os arranjos de Pedro Franco sob a direção musical de Pantico Rocha são atrações à parte! Confesso que ficou até difícil gravar com tanta formosura!

 

Quanto que o fato de ser produtora influenciou nos processos de produção e gravação do álbum?

Bastante! Não sei dizer o quanto foi positivo ou negativo. É legal chegar experiente e conhecendo todos os processos, mas ao mesmo tempo o eu, artista, estava exposta a todo tipo de stress, cansaço, gastos, cobranças, além de outros trabalhos que não pararam para esperar. Tudo valeu a pena e aprendi muito, nos dois papéis.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Várias! Me lembrei de uma recente: veio dividir o apartamento comigo uma argentina biomédica, mal nos conhecíamos. De repente, me deparo com um objeto bonito de madeira no meio da sala. Sem nem desconfiar que eu estava pra lançar um disco chamado NA PONTA DO REMO, ela ornamentou o lar com um remo maravilhoso, que acabou compondo o cenário do show!