Natural de Teresópolis (RJ), Kadu Magalhães apresenta o primeiro trabalho em carreira solo. Após longa trajetória em bandas de rock, o artista investe em canções intimistas, dessa vez influenciado pela música popular brasileira. Esse entusiasmo surgiu após a decisão de mudar-se para Portugal. Foi então que Magalhães uniu o útil ao agradável e resolveu investir em um EP com músicas autorais, com referências a MPB. RETORNO é um símbolo de revisitação proporcionado pela composição das músicas, que trazem memórias da infância, vivida no sítio dos avós.

— Ao mesmo tempo em que é gratificante ter um trabalho solo, poder guiar sua carreira através das próprias decisões também acaba sendo um pouco solitário às vezes. É bom trabalhar em grupo e poder dividir as alegrias e frustrações de cada etapa. Isto está sendo desafiador, mas continuo bastante confiante — explica.

 

Abaixo veja uma entrevista que fizemos com Kadu.

 


O ukulele faz toda diferença na sua EM OUTROS TEMPOS, num casamento perfeito com sua voz.

Em Outros Tempos é a música mais simples do EP, eu compus a música no Ukulele com acordes básicos, sem muitos caminhos. A ideia era ter total foco na letra, no sentimento que ela passa, na voz embargada e o ukulele conseguiu dar todo o suporte para isso. Fico feliz que o “casamento” tenha dado tão certo!



É só ouvir RETORNO, que qualquer um já percebe que você fez uma migração muito interessante do rock para a música brasileira.

O rock me deu base para ser quem eu sou, eu nunca vou deixar de ser influenciado pelo estilo. Porém, a ideia era ser completamente diferente de todos os trabalhos que já tinha feito dentro da música, e a MPB é uma grande paixão tanto quanto o rock continua sendo.



O quanto o fato de ter ido pra Portugal influenciou na criação do EP RETORNO?

RETORNO fala sobre confiança, aproveitar o tempo que temos, saudade, olhar para dentro de si… todos esses conceitos estão sendo trabalhados dentro de mim por essa mudança. Vou deixar grande parte da família e vou para o outro lado do Atlântico, é uma mudança grande e retornar a mim mesmo ainda é fundamental para que eu tenha a segurança de estar longe, e para iniciar uma fase nova na minha vida.


RETORNO é um símbolo de revisitação proporcionado pela composição das músicas, que trazem memórias da infância, vivida no sítio dos avós.

Durante muito tempo eu pensei sobre o que eu gostaria de falar para as pessoas. O que seria mais interessante? Acabei percebendo que o mais bonito que eu poderia mostrar é o fato de eu ser muito grato à vida, de ter tido uma infância muito boa com muitas oportunidades. É lindo ver que as pessoas estão se identificando com isso de maneiras diferentes.



Ainda nesse sentido, parece que o disco é bem nostálgico, mas também com várias mensagens pessoais, inclusive.

Tem muita nostalgia ali. Cheguei na fase da vida em que relembrar do passado é gostoso. Eu não gostaria de viver tudo novamente, porque estou feliz com quem sou agora e com o que vem pela frente, mas eu sou hoje uma consequência de tudo o que vivi até agora. Estou num momento novo, decidi compartilhar minha vida com a Thamires (que divide a faixa CASA VAZIA e tenho muito orgulho de mostrar essa decisão para as pessoas, por isso, não me importei de apresentar pro mundo coisas tão pessoais. Acho que isso também gera identificação.


Fale mais sobre o disco (Desafios, produção, gravação, criação, repertório, etc).

Foi a primeira vez que tive um produtor tão inserido em arranjos e direção artística quanto eu, mas tenho certeza de que a escolha foi certeira. Julio é amigo meu há mais de 10 anos e me deixou muito livre sobre os caminhos que poderíamos trilhar, ao mesmo tempo em que a experiência e confiança dele foram fundamentais para que eu enxergasse melhor as possibilidades. Acho que Retorno é o trabalho mais bonito e sincero que fiz até hoje.

Gravamos no estúdio Fibra, por onde grandes artistas passaram (Martinho da Vila, Milton Nascimento, etc), e foi uma experiência incrível. Fora o fato de ter tido apoio de pessoas maravilhosas, como o Celso Filho e Gabriel Lucchini, que trabalham lá.

 

 

Matheus Luzi é idealizador e fundador da Revista Arte Brasileira. Está cursando o último ano de jornalismo pela AEMS (Três Lagoas-MS) e é apaixonado por música brasileira.