Groove envolvente, com forte influência do soul, do jazz, da MPB e do pop. Essa é a base do som de Pedro Guinu, pianista, cantor e compositor, que lança o seu visceral disco de estreia, reunindo uma vida de experiência. “Guinu” foi feito ao vivo, como as gravações setentistas que inspiraram o disco.

O álbum foi gravado em uma sessão de 12 horas, no dia 9 de setembro de 2017, no estúdio Fibra (Rio de Janeiro), com músicos selecionados a dedo por Pedro e a participação especial de Donatinho. Para manter o clima quente e surpreendente para os músicos, foram feitos apenas dois ensaios antes da sessão. O frescor das músicas a sensação de descoberta pode ser sentida em cada uma das faixas.

 

Abaixo veja na íntegra uma entrevista com Pedro Guinu.

 

 

O disco foi gravado em apenas 12 horas. Como conseguiu fazer isso? Geralmente, as gravações duram muito mais tempo...

Sim. Exceto pela música SALGUEIRO, que foi produzida pelo Donatinho, o disco levou 12 horas para ser gravado. Agora, a pré-produção e pós-produção são outra historia. Demorei cerca de um mês amadurecendo as composições e criando os arranjos. Uso um programa de computador para gravar todos os instrumentos virtualmente. A música já toma uma forma bem interessante no computador, envio estes áudios para os músicos e também as partituras. Depois foi ensaiar e gravar. Tive o privilégio em ter grandes músicos e técnicos envolvidos nesse trabalho, isso foi fundamental. 

A pós produção que é o tempo gasto em edição, mixagem e masterização, durou cerca de duas a três semanas. 

E desse mesmo lado, você e a banda fizeram apenas dois ensaios antes das gravações. Isso é realmente incrível. 

Os músicos que gravaram o disco foram realmente incríveis! Foram dois ensaios um de três e outro de quatro horas apenas. No terceiro dia entramos no estúdio e gravamos. Foi um dia muito especial pra todos nós. Tudo estava soando bem e o clima da gravação ótimo, foi uma dessas coisas que acontecem poucas vezes na vida.

 

A faixa QUERO VER tem uma história bacana por trás dela. Pode nos contar?

A história dessa música me veio em um dia quente no Rio. Estava fazendo uma caminhada na praia e vi uma jovem bonita, com um jeito de gringa, olhando triste para o celular. Aquilo prendeu a minha atenção, daí imaginei que essa jovem terminou o namoro, estava em outro país, livre e desimpedida. Só que agora estava com medo de partir pra outra e ficar magoada novamente. Então ela conversava com a própria consciência que dizia: Eu só quero ver você chamar esse daí de meu amor sem sofrer. (risos)

As minhas letras são leves, falo sobre coisas do cotidiano, conto historias que ouvimos de um amigo, de um vizinho ou que acontecem na nossa vida de uma maneira simples e direta. 

 

A NOITE MELHORA me deu uma sensação de algo mais puxado pra MPB... Qual foi a influência pra essa música? 

Quando eu componho, raramente penso em influência. A música vai nascendo nota por nota até tomar a sua devida forma. Por outro lado, tenho fortes influências de compositores nordestinos como, Gil, Caetano, Djavan, Luiz Gonzaga, Hermeto Pascoal, etc. 

 

Em relação a essas e as outras, como foram os processos de criação?

Exceto Salgueiro, o processo foi o mesmo para todas as faixas. Composição, criação das demos, partituras e, por fim, ensaios e a gravação ao vivo. 

Guinu é um disco de ótimas composições, letras leves, muito bem arranjado e executado por grandes músicos. Tem faixas pra viajar ouvindo e outras pra aumentar o volume e dançar, partilhar momentos, ouvir no carro, no ônibus. Existe nele uma forte linguagem pop, que divide o espaço com solos jazzísticos. É música popular brasileira, com influência afro-norte americana, gravado ao vivo, bem mixado e masterizado. 

 

Se tiver alguma história interessante também, pode contar.

Na faixa SALGUEIRO, eu falo sobre as festas e amores que vejo pela minha janela. Porque eu realmente moro atrás da quadra. Esse clima de noite carioca era a cara do Donatinho, que lançou um super disco recentemente, o Sintetizamor. Combinei a data, acertamos tudo e cheguei no estúdio dele, o Synthlove, lá pelas 11:00 da manhã. Às 17:00 a música já estava pronta, foi muito rápido. 

Uma aula sobre teclados analógicos, processos de gravação, timbres e texturas. Alguns teclados são tão antigos, que foi preciso conferir a afinação, que estava perfeita. 

Começamos do zero, folha em branco total. Gravei uma guia de voz e piano Rhodes, ele gravou o keybass e fez a programação de bateria eletrônica. Depois foi só diversão com os teclados antigos. Parecia que estávamos compondo a trilha do Stranger Things. Foi muito divertido).