Capa (Arte por João Vittor Pedroza)

 

Surgida em 2015, a banda Espinoza lança neste mês o EP ANTES DA FÍSICA VEM O POLTERGEIST, com 5 faixas, que em suas letras, fazem uma busca emergente pela liberdade na questão existencial e também impressões acerca do cotidiano de quem vive no Rio de Janeiro escondido da mídia.

O projeto foi masterizado e mixado por Luís Felipe Salles (Pedras Pilotáveis), mas a produção é da própria banda em parceria com Felipe Teixeira. O EP é uma mistura entre o hardcore e o rock alternativo, com influências de bandas como El Efecto, Dead Fish e Dinosaur Jr.

Um dos fatos que mais chama a atenção no lançamento do EP, é que ele foi lançado junto a um conto, escritor por Victor F.
Miranda. Você pode acessar o conto clicando aqui.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com a banda.

 

 

Vocês formaram a banda em 2015, ou seja, há aproximadamente 3 anos. Em relação ao primeiro EP de vocês, o que acreditam que esses 3 anos tenha de influência no resultado final do trabalho?

Viviane Franco: A ideia inicial era gravar as músicas mais simples, pra que a gente conseguisse lançar o trampo na rua mais rápido. Só que deu tudo errado e o EP que estava pronto desde meados do ano passado só saiu agora (risos).

No início, tínhamos uma visão muito diferente do que era ter uma banda. Achávamos que faríamos tudo muito lindinho e tocaríamos em lugares fofos. Com o tempo, além de as músicas terem tido tempo para amadurecer (porque as tocávamos nos shows), percebemos que banda independente rala muito e é tudo feito na base da paixão. Nosso som evoluiu muito, e as coisas novas que vêm por aí vão ser bem diferentes do que está no EP.

Vinicius Braz: Acho que tocar um bocado por aí e conhecer muitas bandas e pessoas ótimas foi a experiência mais agregadora pra todos, de realmente ver de perto a cena independente e todo o corre. Claro que também tem esse lado natural do entrosamento melhorar, tocar melhor, cada um reconhecer seus vícios e limitações. Pouco a pouco o processo de composição foi se tornando cada vez mais maduro e natural. Mas no geral com certeza foi essa questão de tocar e conhecer pessoas. Já refletiu um pouco nesse EP, e mais ainda no material futuro.

 

O nome do EP quer dizer o quê? E do que as letras falam?

Viviane Franco: O nome surgiu num dia de ensaio em que a porta do estúdio fechou sozinha. Eu (Viviane) fiquei com medo e disse: “fantasma”. Logo começou uma discussão sobre os barulhos que ouvimos à noite em casa, que, na verdade têm explicação científica, mas nós sempre pensamos no sobrenatural, antes de tudo. Acabei soltando a frase “é claro, gente. Antes da física, vem o Poltergeist.” Todos amaram e ficou.

As letras retratam uma adolescência tardia, as angústias que surgem entre o que se deseja ser e o que nos é imposto pela vida adulta. Há, também, algo de político, como ocorre na faixa CIDADE SELETA, em que questionamos o lado do Rio de Janeiro que ninguém de fora vê, que, no caso, é a Zona Oeste. Existem toda uma cultura e um universo paralelo que ninguém de fora conhece porque só se valoriza a Zona Sul. Para deixar a música ainda mais contextualizada, convidamos o maravilhoso Santos para fazer um trecho falado com letra escrita por ele. Ficou lindo.

 

Falem um pouco também do lado musical do álbum e das suas influências nesse sentido.

Viviane Franco: Os membros da banda têm gostos musicais muito diversificados. Daí vêm influências como Dead Fish, Dinosaur Jr. , El Efecto e Faith no More. Acho que o vocal feminino em algumas músicas ajuda a dar uma quebrada na agressividade. Tem uma faixa chamada DISSIPAR, que é diferente de todas as outras. É mais baladinha e fofinha.

Vinicius Braz: A gente se esforça pra ser bem democrático, porque cada um tem suas respectivas influências. Na real, pouca coisa se cruza, mas quando cruza, é certeiro. A gente fica entediado fácil e nunca tivemos a ideia de seguir apenas uma sonoridade. Essas músicas foram as primeiras em que trabalhamos enquanto banda, então ainda tem essa pegada mais ‘crua’, acabou ressaltando um lado mais rock urgente. Ainda assim acho que já mostra certa diversidade. Essas influências que a Viviane citou foram predominantes nesse EP, mas com certeza o novo material vai pra outra direção. Ficamos sentados nessas músicas por um longo tempo, não poderia ser diferente.

 

Como surgiu essa ideia de lançar um conto junto ao EP? Esse conto tem que relação com as faixas do EP?

Viviane Franco: Achamos que o EP ficou muito com cara de terror dos anos 90’, daqueles livros adolescentes de pacto de sangue que a gente lia. Isso tudo tem a ver com os medos da juventude, que são retratados no EP de forma mais existencial. Quisemos dar uma estética que remetesse a esse medo, em forma de terror cômico. Como conhecemos um autor especialista em terror e suspense (o Victor F. Miranda), o convidamos para escrever um conto que nos ajudasse a ilustrar essa ideia.

 

Fiquem à vontade para falarem o que quiserem.

Viviane Franco: Nós da Espinoza acabamos de lançar nosso EP, Antes da Física Vem  o  Poltergeist e esperamos de coração que todos gostem do nosso som. Vem muito mais som por aí, em breve. 2018 será cheio de surpresas.

Vinicius Braz: Estamos nos preparando para a gravação de um clipe que pretendemos lançar no segundo semestre, planejamos também tocar o máximo possível agora que o EP já está na praça. Ainda este ano devemos soltar alguns singles novos e já começar os preparos pro primeiro disco cheio, que, se tudo der certo, sai ano que vem. Agradecemos genuinamente o espaço dado pelo site. Algo cada vez mais raro de ver sendo feito de maneira transparente e democrática. Obrigado!