O artista plástico Gilberto Salvador, que se destaca por sua ousadia ao manifestar, em obras públicas, postura politica e reflexões nas questões ambientais cedeu uma entrevista especial para a Arte Brasileira. Ele inaugurou dia 10 de agosto a exposição “Água + Forte”, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas. A curadoria, feita pelo artista, selecionou um núcleo de gravuras em metal de grandes dimensões sobre a temática da água; um conjunto de monotipias referenciais as gravuras; um conjunto de aquarelas e uma instalação denominada “Swimming Poll”. A mostra abrange toda área expositiva do MACC e fica até dia 15 de outubro.

Surpreendente. Assim podemos chamar a arte de Gilberto Salvador, um artista apaixonado, formado em arquitetura, que mantém uma obra rigorosa e, ao mesmo tempo, inovadora, utilizando-se de tecnologias e materiais de seu tempo. Em sua carreira artística, Gilberto explora a pintura, a gravura, o desenho e a escultura com paixão e rara maestria.

 

 

Você parece explorar várias vertentes nas suas obras, não é? Como é a sua arte de uma maneira geral?

Penso que em meus trabalhos eu exploro não as vertentes, mas sim suportes e técnicas que venham agregar na linguagem e poética de minha obra. Mas isto está inserido em fatos básicos de procuras temáticas, independente da própria linguagem  e talvez isto possa ser entendido como vertentes, pois entendo que a arte verte do conhecimento e dos sentimentos do artista, sejam eles psicológicos, sociais e histórico do mesmo.

 

Por você ser formado arquitetura, creio que isso tenha influenciado nas suas artes, ou até mesmo vice-versa.

Minha formação artística foi fundamentalmente autodidata, eu fui fazer Arquitetura bem depois de ter iniciado minha carreira, com Bienal e exposições individuais já realizadas, assim como meu interesse pela ecologia e outras áreas do conhecimento a Arquitetura e o Urbanismo naturalmente foram incluídos, no meu modo de pensar a vida, portanto seria muito ilógico eu não ter acrescido isto em minha carreira. O desencadeamento do desenvolvimento artístico é necessariamente interdisciplinar, mas a Arquitetura traz em si esta atitude questionadora ser quiser ser revolucionária. A arte por ter uma inutilidade intrínseca tem a liberdade  como seu melhor paradigma e portanto tem o compromisso com a ruptura sem ser funcional, mas sua abrangência segue alguns direcionamentos técnicos que esta interdisciplinaridade dá ao artista.

 

Você já participou de muitas exposições no exterior. Como foram essas experiências?

Expor fora do pais foi uma decorrência normal e  penso que isto é tão importante, quanto expor no interior do Brasil. Expor é um resultado de experiências já vividas e concluídas nas obras e penso  o que mais acrescentou no percurso de meu trabalho, foram as viagens, que pude fazer pelo identidade cultural de meu pais de minha vida e daquilo que prezo como pensamento formativo e cognitivo. Nosso país deveria ter mas flexibilidade, para que os artista pudessem ter mais dinamismo no mercado de arte internacional e portanto expor fora dos pais ainda tem este entrave governamental e exclusivamente burocrata e infelizmente esta é nossa imbecil realidade.

 

A obra ESPUMA é um dos seus grandes destaques. Agora você está trabalhando na ESPUMA II. Como é esse projeto?

Bem penso que a obra ESPUMA foi e é uma sequencia de todo um período de desenvolvimento de uma ideia e de algo que fosse expansível no espaço urbano e que aconteceu durante a minha exposição na Pinacoteca do Estado de São Paulo e que teve um impacto significativo junto ao público durante a exposição, principalmente porque ela saia fisicamente do espaço expositivo e se lançava para rua, no caso a Av. Tiradentes em São Paulo. Hoje ela esta instalada no interior de São Paulo na cidade de Guaira em um parque central da cidade. Quanto a realizar a ESPUMA II, acho que foi um procedimento natural, de desenvolvimento da mesma obra, para um espaço mais urbano em de São Paulo, na esquina de duas ruas dos Jardins. Mas toda boa ideia em meu trabalho eu tento desenvolver em novas peças, que possam me servir de dialogo com a anterior e desta forma utilizar do processo estético dialético, para o crescimento de minha poética.

 

VÔO DE XANGÔ é um exemplo de que sua obra é estampada nas ruas de SP. Comente.

O VÔO DE XANGÔ é uma peça que desenvolvi para uma praça do Metrô de S. Paulo no bairro do Jardim São Paulo e que de certa forma hoje dá uma identidade ao bairro e penso, que esta é uma das características, que as obras de arte geram em espaços urbanos e que faz com que o público tenha acesso a cultura.

 

Tem alguma história curiosa que você se lembra em relação a sua vida artística?

Eu não tenho o habito de relacionar a minha vida pessoal publicamente e não gostaria de fazer comentários pessoais sobre mim mesmo.

Este é um assunto mundano que prefiro não dar nenhum rebatimento.

 

Matheus Luzi é idealizador e fundador da Revista Arte Brasileira. Está cursando o último ano de jornalismo pela AEMS (Três Lagoas-MS) e é apaixonado por música brasileira.