Em entrevista para jornal, cineasta José Padilha critica posições do governo brasileiro em relação ao mercado audiovisual

(Photo by Frederick M. Brown/Getty Images)

 

Em entrevista ao jornal Folha do Estado de S. Paulo, o importante cineasta brasileiro José Padilha criticou os fiscais do setor audiovisual no Brasil. No repertório, Padilha já é conhecido mundialmente pela produção de filmes como NARCOS e ROBOCOP, e nesse embalo, criticou também a nova série O MECANISMO, que é baseado na Lava Jato, e que será lançada pela Netflix.

— No Brasil, não existe política organizada, estruturada e pensada para o setor audiovisual. [...] O incentivo fiscal brasileiro é muito mais um cala-boca para o formador de opinião que faz cinema do que uma política estruturada. E o sistema de fiscalização é muito falho. [...] A política audiovisual brasileira tem que considerar estrategicamente o desenvolvimento das tecnologias de audiovisual do mundo e como isso afeta a cadeia produtiva. Mas as pessoas que fazem essa política não sabem nada sobre esses assuntos. Então a política nunca vai ser coerente —, disse Padilha.

Na entrevista, o cineasta apontou erros no mercado audivisual, como no caso de que o governo brasileiro prefere dar mais atenção e dinheiro aos distribuidores, tornando-se assim uma ação antieconômica. Porém, do outro lado, Padilha também comentou sobre sua parceria com a Netflix e a produção que vem fazendo nos EUA.

— A questão pra mim é: o que eu prefiro? Fazer um filme aqui [nos EUA], onde tem dinheiro e caminha para distribuir, ou ficar no Brasil sofrendo o pão que o diabo amassou para tentar levantar um dinheirinho? Neste ano estou lançando O MECANISMO. [...] O dinheiro inteiro é da Netflix e a série é 100% sobre o Brasil. É a série que eu queria fazer sobre o Brasil. Onde arrumei o dinheiro? Em Los Angeles. Tudo indicada que vou fazer mais audiovisual sobre o Brasil nos próximos três, quatro anos do que fiz em toda a minha vida. Todos projetos financiados por empresas americanas e exibidas no mundo inteiro, o que nunca conseguiria no Brasil —, afirmou o cineasta.

 

(Fonte: Adoro Cinema)