INICIANDO A CARREIRA

Com 17 anos, Guile começou a atuar, quando ainda morava no Brasil. Já se interessando pelo mundo artístico, ingressou em um curso para modelos, e acabou descobrindo que a mesma escola tinha um outro curso para atores. "Ainda me lembro das minhas aulas em que o meu primeiro professor de teatro, Washington Lasmar, nos ensinava sobre as técnicas do Stanislavsky."

Com mais maturidade, Branco entrou para as aulas de teatro na escola José Mojica Marins, onde estudava. A paixão pelo teatro veio então, como uma bomba em sua alma. "Aos 19 anos, o teatro já ocupava grande parte da minha vida, e aos 20 tirei meu DRT pela Banca do SATED e virei ator profissional". Já como profisional, o ator ainda tentava fazer uma faculdade, fazendo assim as duas atividades ao mesmo tempo: atuar, e se dedicar aos estudos.

Em relação aos estudos, o pai de Guile sempre foi muito severo, pressionando-o ao dizê-lo que só o estudo poderia garantir um bom futuro. Foi nesse norte, que Guile entrou para o curso de Direito, na qual se sentiu muito infeliz. 

"Por cerca de seis meses eu estava dividido, então, finalmente, eu larguei a faculdade para focar no teatro. Nessa época eu estava fazendo teatro com o Renato Kramer (NOS TEMPOS DA JOVEM GUARDA) e em outras produções, como QUERELLE de Jean Genet e tinha acabado de atuar como ator principal em DESPERTA ME, DESEJA-ME no teatro Sergio Cardoso – então sendo que trabalhos estavam aparecendo, eu estava decidido a seguir este caminho.", explicou Guile.

 

COMO CHEGOU A HOLLYWOOD

O sonho de trabalhar na terra do cinema foi conquistado por Guile Branco, brasileiro, que mora nos EUA desde 2003. Tudo isso começou quando o ator foi para o país norte americano ainda criança, se mantendo por lá até os 5 anos de idade, devido ao trabalho do pai, recém formado na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. "Estudei parte da minha infância na Califórnia e por isso o meu Inglês sempre foi bom e eu senti uma confecção forte com os EUA.".

Já no Brasil, Branco entrou para a faculdade de Direito, mas como ele mesmo brinca, largou o curso por não estar fazendo-o "direito". Em uma das belas oportunidades que a vida oferece, Guile recebeu a proposta de ser intérprete Português/Inglês em Nova York, quando na época dava aulas de inglês para se sustentar. "O começo foi muito difícil, pois me mudei sem dinheiro, amigos ou planos, mas aos poucos os trabalhos começaram a aparecer". Tudo na vida de Guile mudou quando, cinco anos depois de ir para NY, se mudou para bem próximo à Hollywood.

 

 

FILMOGRAFIA

Guile tem mais de quarenta participações em filmes nos Estados Unidos, sendo que a grande maioria são filmes de produções independentes. "Dos nomes mais conhecidos, e que me marcaram mais, vale a pena mencionar o programa CRIMINAL MINDS no que participei como uma vítima de um assassino – o filme 1 NIGHTER uma comedia romântica no qual faço um personagem principal e está disponível na Amazon, e o filme da Netflix FUTIL E INUTIL na qual faço 'Rick Meyerowitz' um dos ilustradores da renomada revista de humor Americana 'National Lampoon.' Esse filme foi lançado em Sundance Janeiro desse ano e estava lá para a estreia.", comentou o ator.

Já na sua terra natal, o Brasil, o artista lembra que não fez muita coisa relacionada ao cinema, sendo CORAÇÃO DE COWBOY , filme que Guile faz o personagem Tião, e que vai estrear em breve é o seu primeiro longa brasileiro. "No Brasil, CORAÇÃO DE COWBOY é o meu primeiro filme longa-metragem brasileiro. Mas antes de me mudar para os EUA, fiz um pouco de televisão, e o que mais me marcou foi na novela MARISOL no qual fiz um taxista e tenho várias cenas com a Barbara Paes, enquanto ela dá a luz no meu taxi (risos). Vale ressaltar também as novelas O CRAVO E A ROSA e TERRA NOSTRA da Rede Globo."

 

Guile Branco

 

CORAÇÃO DE COWBOY

Por meio de contatos em Los Angeles, Guile foi convidado para fazer parte do longa, com o personagem Tião. O filme, que é o primeiro do artista no Brasil, estreia nos cinemas de todo o país no dia 27 de setembro.

“É um grande prazer poder voltar a atuar no meu país e fazer parte de uma produção tão autêntica e representativa de nossa cultura. Tenho certeza que os fãs do sertanejo e do cinema em geral vão se emocionar muito com a história”, conta Guile que não esconde a ansiedade para o lançamento deste novo trabalho.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Guile a respeito de seu personagem e sua participação no filme CORAÇÃO DE COWBOY

 

 

Sobre CORAÇÃO DE COWBOY

 

Como rolou o convite para fazer parte do filme?

 Eu conheci o nosso grande diretor Gui Pereira, em Los Angeles, há quase dez anos quando ele ainda estava fazendo escola de cinema. Eu fiz teste para um filme no qual ele queria um ator nativo Francês para o papel principal. Eu decidi fingir que eu era Francês, estudei o sotaque e até aprendi um pouco da linguagem. Porque atores são grandes mentirosos certo? (risos). Ele não só acreditou que eu era francês mas me deu o personagem. Durante os ensaios ele descobriu que eu era Brasileiro do Butantã e ele da Mooca e ao invés de me despedir, me deu o personagem – acreditou no meu talento. Daí começou uma parceria de muitos anos, acho que juntos fizemos mais de vinte curta metragens em Los Angeles. O Gui Pereira é o meu Martin Scorcese!

 

Qual a sensação de voltar ao cenário cinematográfico brasileiro?

 Borboletas no estômago (risos). Eu acho que é uma experiência fantástica, porque apesar de eu estar fora do pais, eu amo o Brasil e quero contribuir para o cinema nacional.

 

Você tem alguma relação pessoal ou profissional com a história do longa?

 Para ser sincero, trabalhar no CORACAO DE COWBOY me fez descobrir a música sertaneja. Eu me apaixonei por tudo no sertanejo, porque antes eu realmente não tinha muito conhecimento, era só “Guns and Roses”. Foi uma experiência que mudou a minha vida, agora estou cantando EVIDÊNCIAS no chuveiro!

 

Cena de CORAÇÃO DE COWBOY

 

O elenco de CORAÇÃO DE COWBOY é incrível, na minha opinião. Como foi para você trabalhar com essa equipe?

 Trabalhar com um elenco tão professional me elevou como ator. Todos foram muito fantásticos (adoro a palavra “fantastic” no Inglês). Muito amor no set de filmagem, e espero trabalhar mais vezes com esse elenco no futuro.

 

Como é seu personagem? Como foi trabalhar com ele?

 O TIÃO é um homem simples do interior, que trabalha duro para sustentar sua família. Existe, infelizmente, um conflito no seu lar, por causa da sua ausência devido a longas horas dirigindo cargas no seu caminhão. A sua esposa Marcelle, vivida pela fantástica Thais Pacholek esta infeliz e constantemente eles brigam. Tudo muda quando o Lucca, vivido por Gabriel Sater chega na cidade. Para mim, viver o Tião foi um desafio muito legal, e foi um prazer enorme porque ele é o oposto do que eu sou. Ele é tímido e eu sou extrovertido, ele é um homem de poucas palavras e eu posso falar, falar, falar até você explodir… e ele esconde o cabelo dele naquele chapéu de Cowboy enquanto eu deixo o meu ao vento!!! (risos).

 

Você teve que fazer algum “estudo” prévio do personagem antes de entrar nas gravações?

 O meu estudo maior antes das gravações foi praticar o meu Português, porque, estando nos Estados Unidos há cerca de 15 anos me deixou um pouco enferrujado com a minha língua nativa. Falo Inglês 99 por cento do meu tempo aqui – e Português raramente. Sobre o jeito do Tião, foi ler o roteiro profundamente, imaginar o seu passado e entender o seu presente, e claro, conversar muito com o diretor Gui Pereira. Também entender o contexto – eu tenho família no interior e como ator nós temos que observar muito o mundo ao nosso redor. Nós temos que absorver jeitos e maneirismos. E se eu faço algo estranho… lá vem o Gui Pereira me corrigir e tudo beleza!

 

Guile Branco como Tião, personagem de CORAÇÃO DE COWBOY

 

Tem alguma história interessante que envolva sua participação no filme?

 A paranoia e insegurança do ator, tenho certeza que muitos vão entender. A minha primeira cena que gravamos para o filme, foi a minha cena mais intensa, com muito dialogo, só eu e o Gabriel Sater, em uma prisão. E depois dessa cena eu tinha exatamente dez dias de folga até minhas próximas cenas. Eu cheguei em São Paulo e dei de cara com o rosto da Thais Pacholek nas revistas em uma banca no centro – e eu pensei, não posso desapontar. E em seguida a paranoia de, que se a minha primeira cena ficasse ruim, seria fácil me substituir sendo que haveriam dez dias até as próximas gravações. E comecei até a pensar que marcaram as gravações assim com esse objetivo. Passei quatro noites sem dormir até a cena da prisão, um inferno mental. O dia veio e a cena ficou linda, sem nenhum problema, e toda a minha insegurança desapareceu como um sopro. E as próximas cinco semanas de gravação foram fantásticas, um sonho para um ator como eu, que ama esse trabalho mais do que tudo. Participar do CORAÇÃO DE COWBOY foi a experiência mais fantástica da minha vida!