(arquivo pessoal)

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Estávamos sentindo falta de uma matéria exclusiva sobre artes visuais. Foi por isso e pela qualidade da obra do andradinense Lair Guedes, que nós o convidamos para uma entrevista. O artista mora em Andradina-SP e fez um comentário a respeito da relação entre cidade pequena e os artistas, entre outros assuntos. Veja:

 

1 – Como você define sua arte?

-No momento eu defino minha arte como “Contemporânea  Digital”. Pois estou inserido nesse contexto de tecnologia que me cerca. Não tenho como me enquadrar em alguns estilos, pois eu navego em todos, desdo surrealismo ao abstrato, figurativo e ao retrato de pessoas. São várias as influencias no meu trabalho, apesar de que criei uma linguagem própria e pessoal.

 

2 – Você contou a nós que quando era criança não gostava de desenhar, e que isso foi mudando com o passar dos anos. Como que foi essa descoberta?

-Como eu disse, foi como despertar de um sonho, de repente me vi desenhando de forma expontânea.  Descobri que podia desenhar por puro acaso. Depois disso nunca mais parei. Lá se vão mais de 40 anos pintando e desenhando. Foram várias experiencias para definir o que realmente gostava de fazer.  Minha pintura é meio que emocional e intuitiva. Nunca planejo nada, o tema as formas e as cores surgem expotâneamente expressando o momento em que estou. Meu planejamento é só quando estou estudando alguma técnica para absorve-la. Quando estou executando um trabalho procuro colocar toda a carga emocional e do conhecimento adquirido ao longo dos anos.

 

3 – De que maneira os gibs da Walter Disney acrescentaram na sua carreira como artista plástico?  

– Sempre gostei de ler. Eu sempre digo que fui alfabetizado pelos Gibis do Disney. Lia muito e  colecionava também.  Disney foi o meu despertar para o mundo das formas e cores. Seus personagens simples e fortes sempre estiveram presentes. Apesar da minha arte nunca  fazer menção a eles.  Eu sempre utilizo eles como referencia no sentido de estudar a simplicidade e a personalidade forte que cada personagem tem.  Disney foi um mestre do desenho animado, ele descobriu um nicho de negócio que atravessou os anos de maneira atual e moderna. Suas criações influenciou e desenvolveu uma geração de artistas e uma indústria.  Disney foi o meu start para o mundo da arte.

 

4 – Nós sabemos que o interior, geralmente, não trás muitas possiblidades aos artistas. Para você, como é atuar como artista plástico em Andradina?

-Sou artista por natureza. O mercado de artes no interior é muito dificil, principalmente em Andradina. As pessoas querem quadros para decorar as suas salas, enfim, querem apenas apenas peças de decoração, não se importando se é uma cópia ou quadro original, a valorização e reconhecimento do meu trabalho passa por esse crivo.  Eu não me enquadro muito bem nesse nicho de mercado.  Gosto de expressar de forma expontanea sem o compromisso com a encomenda, faço arte por que amo fazer.  Minha renda vem da produção de designer gráfico e comunicação visual, esse trabalho é reflexo da minha arte. Apesar das várias exposições e prêmios recebidos, sou um ilustre desconhecido do grande público, mas isso pra mim isso nunca foi relevante, ou, trouxe frustração ou tristeza. Sigo produzindo meu trabalho com a mesma intensidade de antes, não estou buscando grandeza, apenas quero mostrar o que faço.

 

5 – Salvador Dali, René Magritte, Joan Miró, e Anice Cury foram grandes influências para você. Como isso aconteceu? Qual sua relação profissional e pessoal em relação a esses artistas?

– Salvador Dali, René Magritte e Joan Miró, despertaram e influenciaram minha visão surrealista na arte. Me mostraram que é possivel fazer coisas impossiveis de forma coerente para provocar a reflexão e perpexidade.  Gosto muito do mundo de sonhos imaginários, que são alucinações de uma mente lúcida.   Anice Curi grande artista andradinense, foi uma mentora e encentivadora, foi ela que me apresentou aos materiais profissionais de pintura. Me Presenteou com as primeiras tintas e pinceis, sempre foi uma grande amiga. Me reconheceu e acreditou em mim. Outra pessoa que não posso deixar citar é a minha amiga “Ana Helena Gava da Silveira” foi uma das primeiras pessoas a acreditar em mim num momento muito complicado da minha vida. Ela me viu como pessoa de bem e proporcionou um caminho mais suave de encorajamento, me mostrou que era possivel seguir em frente com confiança e de cabeça erguida. Sua amizade e companherismo me fizenram acreditar que era possivel vencer.

 

6 – “O conhecimento para tal foi acrescido pela proximidade com a  tecnologia”, o que você quer dizer com isso?

– A tecnologia computacional foi a minha grande descoberta.  Por ela eu tenho a possibilidade de produzir arte com qualidade de maneira virtual. Me alargou a visão, e possibilitou explorar caminhos até então desconhecidos para mim.  Colocou diante de mim um novo público, que antes não tinha condições de alcançar. Hoje posso explorar novas formas de expressões artísticas. Somei o conhecimento do desenho convencional desenvolvido ao longo dos anos, com a facilidade e o alcance do computador.  A soma dos 2 conhecimentos  é que resultou no que eu chamo de “Arte Contemporanea Digital”.

 

7 – Você faz outro tipo de arte além da pintura?

– Sim, eu gosto de escrever, cantar e esculpir com argila, fazer bonecos (fantoches) de espuma. Acabei de escrever um livro infantil (em fase de correção)  e estou escrevendo um livro para o público infanto Juvenil ainda sem data para finalizar.  Para sobreviver eu trabalho com Design Gráfico, caricaturas e charges.  Tenho produzido muralismo, já fui convidado e contratado por algumas instituições religiosas para pintar murais relativos a fé.  O projeto mais recente que estou desenvolvendo vai ser um grande painel que será produzido na associação de moradores do Bairro Benfica. Estamos fechando algumas parcerias para viabilizar o projeto e sua execução.

 

8 – Considerações finais?  

-O mundo da computação gráfica e principalmente com o avanço da internet me levou a exposição nas redes sociais, me possibilitou atravessar barreiras antes inimaginaveis para mim. Tanto que uma galeria da Itália chamada  ArtExpertise StoricidellarteinFirenze –  com unidades na Itália e inglaterra; através da  sua Curadora Dra. Marina Volpi  viu o meu trabalho no Facebook, se identificou com ele e me fez um convite para expor em Milão e Londres.  Estou estudando essa possibilidade, no momento estou tirando as dúvidas quanto a burocracia de como enviar o material para expor.  Enquanto isso sigo desenhando e pintando na minha Wacon, fazendo o que mais gosto, formas e cores.

 

 

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