É um prazer enorme para nós da Arte Brasileira, poder fazer uma entrevista com um artista que valoriza as obras do choro. Mas, mais do que isso, Sérgio Albach trouxe algo novo para este novo projeto. A novidade é um instrumento pouco usual e pouco conhecido, o clarone.

Como protagonista do álbum, o clarone (e outros instrumentos) embelezam mais ainda a arte do choro, usando como cenário, clássicos de grandes nomes do gênero. CLARONE NO CHORO traz 12 faixas, que contempla o que há de melhor dentro do estilo.

“Ouvir o CD de música brasileira do Sérgio Albach é uma alegria do início ao fim. Tudo soa fresco e cheio de vida. Adoro o som cheio e grave que ele consegue extrair do clarone. Recomendadíssimo!”, garante Sir Henri Bok, claronista holandês renomado internacionalmente, além de pesquisador, professor e compositor.

 

 

Por que gravar um disco com o Clarone como “protagonista”?

Desde que eu comecei a estudar clarineta eu quis tocar clarone também, que é da família das clarinetas, o baixo, e desde 2008 eu venho me dedicando mais ao estudo deste instrumento. Em 2016 eu fiz meu primeiro concerto solo de clarone com músicas do universo contemporâneo e ao mesmo tempo fui desenvolvendo um repertório de choro que é o gênero que solidificou minha carreira, mas na clarineta (lancei em 2009 o CD Clarineteando com choros de diversos compositores e o clarone entrando em 3 faixas). Observando a discografia brasileira, constatei essa lacuna e resolvi propor esse desafio principalmente para divulgar esse instrumento pouco conhecido, mas quando ouvido encanta.

 

E a arte do improviso, como está presente em CLARONE NO CHORO?

O improviso não é a principal preocupação deste CD. No choro o improviso entra mais como variações da melodia, nos contracantos do violão de sete cordas...é diferente do jazz, que tem a essência na improvisação. As novas gerações estão dando mais ênfase no improviso, mas aqui eu trouxe um CD, de certa forma mais clássico.

 

Além desses instrumentos, quais são os outros utilizados? E como esses instrumentos se dialogam?

Apesar de estar em desuso, eu ainda gosto de usar o termo regional de choro, que é uma formação clássica do choro. Usamos além do clarone, um bandolim (às vezes como solista, às vezes como um cavaquinho centro), um violão (fazendo mais a função das levadas), um violão de sete cordas (contracantos) e um pandeiro. Além das faixas com esse regional fiz dois duetos, um com clarineta executado pelo Nailor Proveta, um dos principais representantes do Brasil; e outro com piano executado pelo Nelson Ayres, ambos de São Paulo e com uma carreira brilhante, verdadeiros mestres. Esses duos foram gravados sem ensaio nem arranjo escrito, nos encontramos no estúdio e gravamos de forma bem espontânea.

 

 

A produção e gravação, como foram esses processos?

Quando eu tive a ideia, eu entrei em contato com o bandolinista Daniel Migliavacca e o convidei para dirigir o projeto todo, falei que eu iria me dedicar a estudar os choros e não queria me preocupar com os arranjos nem dirigir os ensaios e gravação, e ele topou, pra minha sorte, pois foi competentíssimo, brilhante. Chamei a produtora Juliana Cortes para preparar o projeto e enviar ao edital da Fundação Cultural de Curitiba, e assim conseguimos viabiliza-lo. No processo de gravação é que entra uma curiosidade, pois resolvemos fazer a moda antiga, todos na mesma sala gravando simultaneamente, e o resultado foi incrível. Ficamos cinco dias numa chácara na região metropolitana de Curitiba, em imersão total, passando o dia juntos gravando, uma experiência muito agradável.

 

E as músicas, são suas?

O repertório foi baseado em choros de grandes personagens da história do choro e da clarineta. Estão presentes os grandes mestres do gênero: Joaquim Callado, Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, Severino Araújo, Abel Ferreira, K-Ximbinho, Luiz Americano, André Victor Correa, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Waltel Branco e Cláudio Menandro.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o registro?

Eu tenho uma grande admiração pelo Waltel Branco, que é um dos grandes maestros brasileiros que já trabalhou com as mais variadas personalidades do mundo da música, de Henry Mancini a Strawinsky, de João Gilberto a Djavan e anos como arranjador da TV Globo. O Waltel é paranaense e morou muito tempo aqui em Curitiba, por isso tive muitas oportunidades de trabalhar com ele em vários projetos. Ele tem um choro dedicado pra mim, o SEGURA O SÉRGIO que já gravei com a Orquestra à Base de Sopro de Curitiba e no Clarineteando. Vendo meu interesse pelo clarone ele falou que tinha feito um choro pra eu gravar, que seria “Os Graves do Sérgio”. Numa conversa com ele eu pedi a partitura do choro e acabei descobrindo que, apesar de já ter batizado a música, ele não havia feito nada e acabei gravando outra obra dele, o SAUDADES DO PIXINGA, que ficou ótimo no clarone.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

O lançamento do CD Clarone no Choro tem três objetivos relacionados: a divulgação do clarone como solista, o compromisso com a estética do choro brasileiro e mostrar a qualidade da produção musical curitibana.