Vitor Rocha fez o que muitos não conseguiriam: escreveu um livro, e a partir dele montou uma peça teatral. A ideia de levar o livro CASUSBELLI aos palcos foi um tanto desafiador, como conta o próprio artista, que também deixa claro o quanto foi divertido todo esse processo.

 

A seguir, você verá na íntegra uma entrevista que fizemos com Vitor. Veja:

 

 

Primeiramente, fale um pouco da sua história com o teatro e com a literatura.

Minha história no teatro começou muito cedo, assim como na literatura. Eu conheci e tomei gosto por escrever e atuar ainda na escola, através de  atividades extracurriculares e propostas lúdicas do colégio onde estudei em Minas. Me profissionalizei em teatro cedo e sempre estive em busca de companhias e oficinas onde pudesse exercitar não só o ator, mas o escritor também, afinal as duas coisas sempre estiveram muito ligadas na minha vida.  Eu sempre falo que o meu “dreamrole” (papel dos sonhos) eu ainda não escrevi, rs. Enquanto autor penso em escrever papéis que eu amaria fazer e, no palco, busco sempre valorizar aquilo que hoje eu sei da importância que tem para quem o escreveu. 

 

Você teve um pensamento bem aberto quando decidiu levar o livro aos palcos. Além de tentar expandir a obra, quais foram os outros motivos?

Acho que o maior motivo foi realmente deixar de usar metáforas e literalmente levantar a lona desse circo. Ver essa história, de fato, acontecer foi grande parte da motivação para que a adaptação do livro para o musical acontecesse.

 

Em release, você diz que esse processo de transformação da obra foi desafiador e muito divertido. Por que?

O livro CASUSBELLI traz a história dos personagens isoladas, ou seja, a cada capítulo é possível conhecer o começo, meio e fim da vida de cada um dos membros da trupe. Enquanto no musical isso tudo serviu apenas de base para criarmos uma história que acontecesse dentro do circo e envolvendo todos. O maior desafio veio justamente daí, criar algo que se ligasse, surpreendesse e ao mesmo tempo trouxesse tudo o que já existia. E a diversão veio também daí, criar momentos onde esses personagens tão diferentes uns dos outros convivessem e interagissem.

 

Ainda nessa pergunta, teve alguma história curiosa e/ou interessante que envolva essa transição?

Várias! Uma delas foi a Sophia, uma personagem que teve de ser criada especialmente para o musical. Ela é uma das poucas coisas que não existia no livro, e no musical se tornou um verdadeiro presente (pra todo mundo, rs). Tem a relação da Letícia, a bailarina, com a Juliana, contorcionista, também. Foi uma coisa nova pra mim, uma vez que no livro, eu conto que a Juliana era uma atriz que foi substituída por uma bailarina e ela nunca se “encontra” com Letícia. Já no musical elas sempre precisam estar juntas e obviamente, para o nosso divertimento, brigando.

 

Tem muita gente envolvida nessa peça. Como é e como foi trabalhar com essa galera?

Foi um prazer e uma honra! Nosso time de criativos é o meu verdadeiro time dos sonhos e acho muito legal contar quem são eles e falar de como todo mundo teve participação em tudo. O Tinno Zani é o diretor do espetáculo, e foi pensado por mim e pela May Calixto (produtora) para dirigir Casusbelli - O Musical justamente por ser a obra personificada, rs. A composição das músicas, direção musical e ainda fazendo as letras junto comigo eu tive o Elton Towersey, já conhecido por atuar em grandes musicais, que trouxe um cuidado e um perfeccionismo inexplicável para a obra. Já o Rafael Villar foi listado por mim para integrar o elenco do espetáculo num dos papéis mais importantes da história quando eu comecei a adapta-la, então nem preciso falar da felicidade que é tê-lo não só como preparador vocal, mas também dividindo a direção musical com o Elton. 

 

Fale mais sobre o livro, e como será peça.

O livro CASUSBELLI é vendido através do Projeto Casusbelli e todo o dinheiro arrecadado com essa venda é destinado a compra de materiais escolares para crianças de ONGs e escolas rurais. Qualquer pessoa pode adquirir o seu exemplar e ainda ajudar uma criança através do Catarse, pelo link: www.catarse.me/ProjetoCasusbelli2018. É um livro que fala não só da importância de sonhar, mas do esforço necessário para realizar um sonho. Uma história rimada, colorida e para todas as idades! A trupe de Casusbelli é, com toda certeza, a trupe mais singular que você vai encontrar num picadeiro, rs! 

Já o musical, como eu disse na outra pergunta, traz uma história nova que é responsável por fazer com que todos as histórias do livro se misturem e se encaixem. Toda a história do musical começa quando a trupe de Casusbelli chega na pequena e esquecida cidade de Moscovo, e o que parecia apenas mais um simples destino do circo, aos poucos vai se mostrando bem mais do que isso. É em Moscovo que vive a bela Marilia, que apesar de já ter aprendido muito com o tempo, ainda sofre com o fato de ter sido abandonada quando criança pelo pai, que foi embora com uma companhia mambembe. Daí o seu desgosto pelas coisas breves e passageiras, que tanto atrapalha sua história de amor com o palhaço Dirceu.  Em meio ao grande romance, há ainda muito medo e ansiedade, por conta da carta de um crítico do maior circuito de arte do mundo, que comunica sua presença na plateia de um dos shows na cidade de Moscovo. Agora, a pequena chance de que Casusbelli possa viajar o mundo inteiro se apresentando, faz com que todos se lembrem de como, um dia, isso tudo foi apenas um sonho. E revivendo as encantadoras memórias de épocas em que suas vidas não eram tão coloridas, todas as personagens possibilitam ao público uma verdadeira viagem pelo tempo.

 

 

Fique a vontade para falar coisas, que eu poderia ter perguntado, e que você gostaria de ter dito.

Acho legal sempre falar que o musical Casusbelli é inspirado na história do meu livro e também a partir das ilustrações do Édipo Régis. Algumas cenas do musica e até mesmo letras de música vêm de referências às ilustrações dele, que foi o primeiro artista responsável por dar “vida” às minhas palavras.

Convidar todo mundo para conhecer o Projeto Casusbelli (@projetocasusbelli) que foi o motivo de tudo isso se tornar possível. E por último, lembrar que apesar de tanta cor nem livro ou o musical são infantis, ambos foram feitos para adultos, crianças, cachorros, papagaios, bailarinas e bonecas de pano.