ESTANCA E ESPANCA é o segundo livro de poesias de Luz Ribeiro e reúne um apanhado de textos que surgiram depois da primeira obra ETERNO CONTÍNUO. Com 138 páginas e dividido em dois volumes contrapostos, a autora selecionou poesias que ora espancam, seja pela feracidade ao se tornarem oralidade ou como batem, ora no peito, pra na mente, ao serem lidas. 

— Um livro feito de miudezas, letras minúsculas, sem diferenciação da fonte do título pra poesia, nem todas poesias tem título, não tem índice, logo é preciso se perder pra se achar. as letras estão em degradê que vão do roxo estanca pra o verde estanca. é um livro que eu leria. — comentou a escritora.

 

Abaixo, veja uma entrevista na íntegra com a autora.

 

Para começar, qual o sentido do título do livro (ESTANCA E ESTAMPA)?

 Penso nos nomes em um processo natural, o que outrora foi espancado, há de ser estancado, o que não impede do que estacou, irá a ser espancado novamente e/ou espancar. Quanto aos textos que compõe cada uma das partes, pode ser notado poesias que estancam no espanca e vice versa. Além de ser sonoro, o oral é algo que sempre considero em meus trabalhos.

 

São 138 páginas, e muita poesia. Teve alguma em especial, que mais te marcou?

 Uau, todas de alguma forma marcaram em algo, até porque mesmo sendo muita poesia, ainda assim foi uma seleção de mais de quatro anos de trabalho. Mas pensando na minha trajetória como um todo, acredito que MINIMILIMETROS ainda é um marco, no sentido de dar sentido a estética com ética, além de ser meu melhor texto quanto performance.

 

Ainda nesse sentido, tem alguma história interessante que envolva alguma poesia desse livro?

 Sou cria de Manoel de Barros, eu me interesso pelo desimportante, assim todas são interessantes, ainda que não!

 

Em release, você diz que o seu primeiro livro ETERNO CONTÍNUO teve muitas cobranças. Pode explicar isso?

 Não é o livro que tem muitas cobranças, propriamente dito, mas eu fui muito cobrada devido a demora de um livro pro outro, foi um hiato de 4 anos e 7 meses. Como participo muito de competições de spoken word, com textos que não estavam no primeiro livro, as pessoas acabavam por querer adquirir algo impresso e eu não tinha.

 

E como você pretende saciar essas cobranças nesse novo livro?

 Penso que a cobrança inicial fora suprida: publica-los.

 

Por que houve esse hiato entre o primeiro livro e esse novo?

Inicialmente insegurança, sempre pensei nisso de registrar a escrita algo muito necessário, mas de extrema responsabilidade, posterior a isso surgiram questões financeiras sérias, o que tornou quase inviável essa publicação. Meu livro foi literalmente custeado por um amigo, penso que se não fosse ele, esse hiato seria ainda maior.

 

Como o disco AFROFUTURISMO, da cantora Ellen Oléria, inspirou você nesse novo livro? 

“O peso da palavra estanca”, na música AFROFUTURISMO, ellen nos encanta e canta essa frase. E eu me peguei pensando, como conjugar o estancar é longo mas de um preciosismos quase que inenarrável. Pensei que mais estanquei do que espanquei nesses 29 anos de vida, e que muitos dos meus valores surgiram estancando, por vezes sozinha. Uma mulher negra de periferia, entenderá bem os nomes desses livros, assim como eu entendi ellen na primeira audição.

 

Quais foram as outras influências?

 Meu primeiro livro foi minha maior influência nesse processo, de alguma forma eu queria transcender ele, sem obrigatoriamente supera-lo. em quatro anos eu conheci muita gente, li muita coisa, esses livros são um conjunto de aprendizado destes últimos anos.