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Foi preciso 5 anos para que o filme NÃO DEVORE MEU CORAÇÃO pudesse ganhar corpo e forma. Foi isso que o diretor do filme, Felipe Bragança contou a nossa redação. Para ele, o filme só teria um choque de realidade se a situação social e cultural do Centro-oeste (cenário do filme) fosse entendida, ou seja, esses 5 anos foram importantes para que Felipe conhecesse a cultural das pessoas daquele lugar.

— Precisei deste tempo para entender o tempo e a realidade da fronteira que eu queria transformar em fábula. Ver o jeito das pessoas e projetar os sonhos delas. Isso só se faz com tempo e paciência. Depois de 5 anos de pesquisa, passamos 3 meses na fronteira. Ensaiando e filmando. — explicou o diretor.

O roteiro do filme foi escrito ao longo de 4 anos, época em que Felipe foi misturando as poesias dos contos do escritor Joca Terron com a realidade daquela região. A mistura dos dois contos de Joca surgiu da necessidade de falar de dois tipos masculinidade em crise, a do adolescente apaixonado e a do jovem motoqueiro que tenta se proteger de toda forma do amor.

O elenco conta com o protagonista Cauã Reymond, e outros atores locais.

— O elenco é formado por atores locais. E conta com a presença de atores experientes. Cauã Reymond foi um grande parceiro, sendo sincero, amoroso e vigoroso na construção do personagem. A protagonista juvenil do filme, Adeli, que representa a heroína Basano, foi encontrada por acaso em uma caminhada minha pelas ruas paraguaias. — comentou Felipe.

Essa inovação no filme, e essa dedicação em conhecer o que seria feito, levou o filme a ser reconhecido internacionalmente. Agora, o longa será apresentado em Paris no dia 26 deste mês, no “19ºFestival de Cinema Brasileiro em Paris”

Para o diretor, o filme recebeu esse reconhecimento por ter um apelo que vai além do Brasil, indo para o lado latino-americano, com uma fábula sobre amore e a liberdade.

— Fico feliz do filme chegar a Paris. Nosso filme é nosso pequeno gesto de amor e resistência em um mundo amedrontado. Acho que o filme pode encontrar a alma e a imaginação do público parisiense. — comentou o Felipe.

O filme estreou mundialmente na competição de Sundance e depois passou pelo festival de Berlim.