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Uma das primeiras curiosidades que cercam o primeiro lançamento da banda Doris Encrenqueira certamente é sobre a capa do álbum, que para os integrantes representa todo o carinho e admiração deles pela mulher.

Em entrevista especial para a Arte Brasileira, o vocalista nos contou que a ideia do grupo sempre foi essa, buscar fazer a imagem da Doris como um personagem sem definição exata, em termos de idade, aparência, atitude, cenário, e gênero. No primeiro EP, de 2015, a capa trouxe uma mulher sexy, desenhada com traços de neon, como num letreiro de um “casino de Las Vegas”.

—Acontece que neste álbum quisemos trazer outro lado da Doris. A Cida foi escolhida para personificar a Doris nessa fase, e não poderia ter sido uma escolha melhor. Ela tem todos os ingredientes que compõe uma Doris, desde a acidez bem-humorada e o desafio no olhar, até a aparência única e extremamente “Rock and Roll”. Vai, dizer? Qual foi a última vez que você viu a última “Doris”, ou a última “Cida”? — explicou Pedro Lipatin, vocalista e guitarrista da Doris.

Os processos de criação, produção e gravação também chamam muito a atenção neste trabalho da Doris pelo simples fato de que tudo foi feito baseado em amor e “raiva”, o que simboliza perfeitamente a atitude rock’roll da banda.

A criação das músicas fluiu de forma muito intensa, na qual foi preciso muitas noites em claro, tardes de quase sossego e manhãs energéticas para que o processo criativo acontecesse da melhor maneira possível. A produção e gravação seguiram o mesmo caminho, muito rápidos e muito concentrado, já que os meninos da banda já haviam gravado algumas demos e o EP de lançamento antes disso tudo.

— O que levou mais tempo foi a mixagem, masterização e o processo de lançamento. A partir daí já estávamos começando novas composições e “deixando rolar”, pois tínhamos um disco no forno. E agora nasceu este primeiro filho, e estamos vivendo essas músicas e remando forte contra a maré. — comentou o vocalista.

Ainda falando em gravação, algo um pouco estranho aconteceu durante o processo, o que os integrantes chamaram de “operação”. Sim, isso mesmo, houve uma operação de guitarra durante a gravação. O episódio vigorou porque uma das guitarras não estava fazendo o som que eles queriam, tendo assim que realizar uma cirurgia de troca de captadores de uma Gibson Firebird 1991 transplantados de uma Danelectro “das antiga” em tempo recorde. No final, quem fez a cirurgia foi o produtor da banda, Fabio Jardim, num geste de amizade e recreação.

Um pouco em alerta, o vocalista também deixou claro que a banda não pretende se fixar ou se rotular em algum estilo musical dentro do rock. Apesar disso, é bem normal que as pessoas achem o som da Doris como Hard Rock, talvez com Hardcore, Punk Rock e algumas outras coisas misturadas. Mas toda via, a banda não tem nenhuma intenção de ser genérica. Por outro lado, as letras das músicas também estão bem de acordo com a ideia das lendas do rock.

— Acredito que muito pouco no álbum é poesia, a maior parte das letras e vozes traz uma atitude crua e indignada, com mensagens que, embora diferentes em cada faixa, dão um sentimento ao álbum como um todo. Uma mistura de inconformidade com as situações que vivemos, a ambição de buscar algo melhor e a bagagem dessa jornada. — contou o vocalista.

Para dar o cheque mate na entrevista, Pedro falou um pouco mais sobre o lançamento do álbum e da banda.

— O disco é um filho. É uma experiência sensacional e rica em detalhes, em aprendizado. Foi o primeiro disco da história das nossas vidas, ninguém tinha experiência de estúdio. O Henrique tinha 15 anos, eu tinha 19, e isso faz muita diferença. O quanto crescemos em relação à época do disco é imensurável. E esse crescimento não foi só musical, mas especialmente como seres humanos, que se amam, se respeitam e constroem a mesma vida juntos. Isso não só inclui, como também glorifica o Fabio, que eu comentei antes. Psicólogo, amigo, tutor, gestor, motorista, roadie, assessor de imprensa, empresário. Tudo passava por ele, mesmo não tendo qualquer relação profissional, papel assinado ou contratos milionários. Foi tudo pelo amor. Acho que essa é a versão mais bonita dessa história. E tenho certeza que daqui pra frente será cada vez melhor, e quem caminha no nosso lado vai perceber todos os detalhes dessa jornada. Fazemos o que fazemos, e faremos o que faremos, por nós e por vocês que nos escutam, nos leem e nos dão a luz da motivação.

 

PRODUÇÃO MUSICAL: DORIS ENCRENQUEIRA, SEBASTIAN CARSIN (ESTÚDIO HURRICANE) E FABIO JARDIM  |  PRODUÇÃO EXECUTIVA: FABIO JARDIM  |  ENGENHEIRO DE GRAVAÇÃO: SEBASTIAN CARSIN  |  TÉCNICO DE GRAVAÇÃO: EDO PORTUGAL (ESTÚDIO GORILA)  |  TÉCNICO DE BATERIA: GABRIEL BOIZINHO (CACHORRO GRANDE)  PREPARADOR VOCAL: IURI SANSON (HIBRIA)  |  GRAVADO EM GORILA E HURRICANE  |  MIXAGEM E MASTERIZAÇÃO: SEBASTIAN CARSIN  |  FOTOGRAFIA: GABRIEL BOIZINHO E FABIO JARDIM  |  PRODUÇÃO FONOGRÁFICA: 180 SELO FONOGRÁFICO  |  DESIGN GRÁFICO: UGH SERRANO  |  GRAVADO EM JANEIRO DE 2016.