"Uma nova ideia, partindo de velhos e inovadores sons", é uma frase que define muito bem o novo álbum da banda Scalene, intitulado MAGNETITE - com 12 faixas autorais - isso porque o grupo se inspirou muito em variados formatos musicais, e chegou-se a algo ainda desconhecido...

— Gostamos sempre do desafio de renovar nosso som. Pra isso, estávamos escutando muitas coisas novas e trocando referências entre nós constantemente. Montamos uma playlist no Spotify, chamada "explorando" pra isso, está disponível lá. Dentre essa exploração, influenciados pela nossa geração de bandas e pelo que encontramos rodando o país pra tocar, surgiu bastante coisa brasileira. — comentou Gustavo Bertoni, vocalista e guitarrista da banda.

 

Abaixo veja na íntegra uma entrevista especial com Gustavo Bertoni.

 

 

Fale um pouco sobre essa mistura de ritmos que permeia o disco. Achei muita interessante o mescla entre a MPB e o eletrônico.

Foi natural, nossa música é muito rica e estávamos com vontade de fazer um rock mais nacional mesmo. O eletrônico aparece sutilmente como vários outros estilos. A curiosidade pelo mundo dos synths e a construção de camadas rítmicas acabou nos levando pra alguns sons eletrônicos também. Nunca ligamos muito pra gênero/rótulos, então tentamos incorporar o que gostamos de ouvir. 

 

Parece que vocês também foram influenciados por outros estilos musicais.

Além da música brasileira e da música eletrônica, ouvimos rap, metal prog, samba sujo, disco-punk, o novo R&B, o universo das trilhas de filmes nos inspira muito também. 

 

A maioria das músicas foram feitas pelo vocalista da banda, em alguns casos, até mesmo sozinho. Como isso aconteceu? Como foram esses momentos?

Na verdade todo mundo compõe na banda. O processo é bem democrático e todo mundo tem voz ativa. Eu costumo compor as harmonias/melodias e alguns grooves, e levar essas ideias pro estúdio pra todo mundo criar/arranjar em cima e estruturar a música. As letras escrevemos juntos também e o Tomas nos traz várias ideias. 

Compor, pra mim, se tornou parte do cotidiano mesmo. Quase todo dia componho algo e gravo no celular. Em diferentes situações ou circunstâncias. Sempre mantenho em mente o que os moleques tem escutado e como posso pensar em ideias que eles terão espaço e inspiração pra criar também. Desse CD, várias músicas nasceram no meu mini home studio. Outras esperando voos, andando na rua...

 

Na primeira, os cromatismos do cancioneiro nacional andam junto de um groove disco-punk sólido e momentos apoiados em sintetizadores. Comente.

É... por aí mesmo. Me encanta os cromatismos da MPB e como eles conseguem permear os acordes e soarem quase não-dissonantes. Me amarrei na solidez e crueza de uns grooves de bandas disco-punk. O refrão é um tema de piano que tinha guardado de estudos. Essa música tem uma vibe levemente 80's que uma galera tem revisitado, mas quisemos fazer isso de uma forma orgânica que não ficasse caricata/óbvia.

 

Fale mais sobre o álbum.

Gravamos no Red Bull Studios São Paulo com os fantásticos Rodrigo Funai e Alejandra Luciani. Nosso amado Diego Marx produziu o disco mais uma vez, nos desafiando e ajudando a chegar nos sons que imaginávamos. Formamos o Dream Team. O Samyr, amigão que tem nos ensinado muito e tocado com a gente nos shows, gravou umas percussas e ajudou com a timbragem de uns synths. A criação do álbum foi dividida em três breves imersões desde 2015 pra cá. Tomas escreveu várias letras também durante esse tempo.