Foto: Lennon Fernandes

Foto: Lennon Fernandes

 

Aqui na Arte Brasileira falamos muito a respeito da mistura de ritmos. No caso de Daniel Zé não acontece tão diferente. Basta ouvir um pouco do seu novo disco CALMA KARMA para perceber o quão variado as faixas se apresentam, além claro, de arranjos de peso, poesia e também muita delicadeza.

O primeiro lançamento do músico foi MEMÓRIAS MEIO INVENTADAS (2014), que demonstrou bastante do que viria a ser o próximo trabalho de Daniel. Ao comparar os dois álbuns, o músico disse que as diferenças são muitas, mas frisou que no primeiro as músicas foram feitas sem pretensão, ao contrário de CALMA KARMA, que teve todas as faixas feitas exclusivamente para o álbum.

A capital paulista onde o artista reside foi certamente a que mais inspirou o disco CALMA KARMA.

— BRAÇOS DE CIMENTO é uma canção que fala sobre se sentir sufocado pelo materialismo, caos e frieza da cidade e ao mesmo tempo se sentir preso em algumas comodidades que ela apresenta, sentimento que se acentuou quando mudei para o centro. Como diz meu amigo Tiago Abreu (meu parceiro na música FIUME: “São Paulo é uma droga, você quer largar, mas não consegue”. — explicou Daniel.

E por falar em inspiração… Daniel foi inspirado também pelos acontecimentos contemporâneos que cercam o Brasil e o mundo, o seu dia-dia com família e amigos, entre tantos outros detalhes. Por exemplo, ÁGATAS surgiu de um sonho que a esposa de Daniel teve, enquanto que CALMA KARMA surgiu das dificuldades que o músico teve com o primeiro disco.

— Às vezes sinto que estou “achando” a música mais do que compondo, como se fosse algo que já existe de uma forma oculta e eu tivesse de encontrar uma maneira de revelar — diz Daniel Zé, que confessa também que é muito difícil explicar as formas com que ele trabalha as suas composições, e em especial, neste novo álbum.

Para que o sonho deste disco fosse realizado, Daniel Zé foi instigado por Serginho Sagitta a fazer um financiamento coletivo na internet. Serginho é um grande articulador cultural e tem um programa de rádio super premiado na Rádio USP: O SONS DO BRASIL.

— O crowdfunding ainda não é tão conhecido pelas pessoas fora do mundo das artes, então, o trabalho maior foi de explicar o que é isso. Foi uma experiência muito bacana que aproxima o artista das pessoas e que me obrigou a encontrar minha faceta empresarial, algo que eu desconhecia. — comentou.

 

Curiosidade sobre o disco:

No final da música ÁGATAS tem um verdadeiro realejo sendo tocado, Lennon Fernandes, o produtor do disco, ouviu esse som e correu para a rua e pediu pro moço gravar, além de pagar pelo serviço ele teve que ler a sorte, claro. O mais interessante é que é uma música muito famosa sendo tocada ali, eu demorei para descobrir, por isso, não vou entregar. Ouçam e brinquem de adivinhar…