Um amor que sobrevive à morte é o tema que guia o clipe de “Curió”, da banda manauara República Popular. A animação criada por Bianca Mól adentra o universo das memórias, brincando com a passagem do tempo, fazendo intervenções em fotografias e criando lembranças. O clima tranquilo segue o ritmo da melodia, que antecede um single homônimo com mais duas canções que estarão no próximo disco da banda, “Húmus”, a ser lançado em 2018.

 

Abaixo veja uma entrevista na íntegra com o pessoal da banda.

 

 

O último EP lançado pela banda em 2016, influenciou como neste novo trabalho? O que mudou?

Viktor Judah: O EP é um compilado de músicas que achamos ter pouco a ver com o que queremos pro segundo disco. Ao mesmo tempo, usamos ele para atender uma série de desejos que sempre tivemos como músicos, experimentando diversos estilos, timbres e arranjos que sempre admiramos. Com esse trabalho concluído, sentimos que podemos seguir adiante e voltar a busca pelo nosso próprio som, como foi no primeiro álbum e também será o segundo.           

 

Tem alguma história ou curiosidade que envolva o disco?

Vinítius Salomão: Sentimos que, finalmente, teremos um disco para oficializar a proposta da República Popular. Os nossos dois primeiros trabalhos serviram de exaustores para fases específicas de nossa carreira. O “Aberto para Balanço”(2015) reuniu um compilado de músicas que julgamos ideais para nosso disco de estreia. Já em “LIS” (2016) , usamos canções homogêneas que tínhamos para abordar a temática feminina e explorar diferentes gêneros que sempre adoramos. Mas é em “Húmus”, que mostramos a verdadeira face da banda e da nossa proposta. Húmus é Amazonas, é Brasil, é o índio e o assalariado, a toada e o samba. Tudo isso sob a perspectiva de quatro jovens fazendo música em 2017.

 

Como foram os processos de produção e gravação do álbum?

Sérgio Leônidas: A gente ainda tá no meio do processo, gravando e produzindo tudo de forma independente, em casa mesmo. Gravar por conta própria nos dá a vantagem de experimentar de forma ilimitada, fazer e refazer algo até que chegue onde a gente quer. Numa gravação em estúdio é preciso sempre ir o mais preparado e decidido possível, pois lá, tempo é dinheiro. Se talvez mais pra frente houver a necessidade de ir a um estúdio para gravar algo específico, com certeza iremos, mas por enquanto, nossos equipamentos, mesmo que limitados, têm conseguido nos dar um resultado dentro do que esperamos para esse álbum.

 

E a criação das 24 faixas, como foi?

Igor Lobo: A gente sempre compôs muito e algumas músicas nesse álbum já existiam desde a gravação de nosso primeiro cd. A idéia desse novo disco é ser algo bem colorido musicalmente, repleto de misturas, então grande parte das músicas que já tínhamos se mostrou bem colocada dentro do setlist. Após a consolidação do conceito, começamos a escrever mais focados na temática de cada cd separadamente, preenchendo lacunas e expandindo algumas histórias e cenários. Nessa hora, é muito legal contar com vários compositores dentro do grupo, pois começamos a perceber diferentes perspectivas para uma mesma canção ou história, o que muitas vezes resulta em diferentes canções que se relacionam intimamente. Então, “Húmus”, estará conectado por todas a suas faixas.

 

Poderia falar mais sobre o álbum?

Viktor Judah : “Húmus" será um álbum duplo, dividido entre os dois discos que chamamos de “Amazônida” e “Citadino”. Cada disco vai trazer faixas dentro de um universo diferente, o primeiro vai ter algo mais florestal, orgânico, voltado à relação do homem com a natureza e com uma pegada mais regional. O segundo é um ode à vida urbana, o som que escutamos no dia-a-dia de uma metrópole desenvolvida, modernidade e globalização em forma de música. Queremos mostrar os dois lados do que é a vida no Amazonas hoje em dia, que há tempos deixou de ser apenas aquela velha imagem de ribeirinhos caboclos morando no mato, isso permanece sim, mas também temos aqui o maior pólo industrial brasileiro, ou seja, o Amazonas, assim como o norte de uma maneira geral, tem outra face a mostrar, um mundo se modernizou e nós também. Nossa busca é pela música que represente esse novo tempo aqui.