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Nesta peça, tudo parte da pergunta "Como celebrar o abandono?".

É a partir daí que DUO SOBRE DESVIOS cria toda sua perspcetivas. A história é um a montagem teatral independente que o ator, artista visual e contador de histórias Cadu Cinellie, e o ator, diretor e professor Fabricio Moser levam para a Sala Baden Powell, em Copacabana, a partir de 5 de agosto para uma temporada de quatro semanas, com ingressos a partir de R$ 15.

Por meio de uma perspectiva experimental, colaborativa e autoral, DUO SOBRE DESVIOS se constrói trânsito de diferentes linguagens artísticas que se complementam, como o teatro, a dança e a performance, e no jogo criativo entre formas narrativas, poéticas, musicais, videográficas, coreográficas e dramáticas.

 Outra característica marcante é a influencia direta da experiência autobiográfica tanto de seus criadores quanto dos espectadores. Em um dos momentos da peça performativa, motivados pela pergunta que move a montagem, o público é convidado a contar vivências pessoais de abandono ou a abandonar objetos que, a cada nova apresentação, são incorporados à dramaturgia.

“O público se torna coautor. A cada apresentação, encontramos as respostas daquela noite, mas na seguinte podemos nos deparar com respostas diferentes para a mesma questão. A pergunta é sempre a mesma, mas a resposta não”, explica Fabrício. “Criamos um espaço de encontro para celebrar o abandono como uma ideia de desvio físico, uma mudança de direção não necessariamente negativa. O desejo é proporcionar um espaço de experiência tanto para o público quanto para nós mesmos”, completa Cadu.

 

A seguir, veja uma entrevista na íntegra com Cadu e do Fabrício, autores da peça DUO SOBRE DESVIOS:

 

 

“Como celebrar o abandono”, gostaria que você comentasse essa passagem que é um dos questionamentos da peça.

Essa pergunta, que é um dos pilares fundamentais da construção da dramaturgia de “duo SOBRE DESVIOS”, nasceu de forma inesperada durante o processo criativo. Em certo momento da criação da peça, tivemos que lidar de maneira concreta com uma situação de abandono e essa vivência acabou sendo incorporada e deu orientação à dramaturgia, sendo retratada na peça e compartilhada com o público. Nesse caso, a única forma de lidar com o abandono não poderia ser por meio de uma via negativa Precisávamos encontrar uma outra forma de vivenciar esse momento e ele veio por meio de um sentimento de celebração. Precisávamos responder ao abandono criativamente.

 

A peça é composta por cenas elaboradas a partir de referências sobre o abandono presentes nas obras do artista visual cearense Leonilson e do poeta mineiro Bartolomeu Campos de Queiroz, na música da islandesa Björk e na literatura do dramaturgo russo Anton Tchekhov. Vocês poderiam me dizer quais são essas obras? E como vocês trabalham elas dentro da peça?  

Do Leonilson, usamos como uma referência a sua obra visual de maneira geral, além de diversos poemas de sua autoria e um grupo de desenhos que nos foram mostrados e cedidos pela sua irmã. Trata-se de uma série de estudos sobre o corpo nu que ele fez na época em que esteve ligado à Escola Panamericana, em São Paulo. As imagens desta série serviram de base para uma estrutura coreográfica. Do Bartolomeu Campos de Queiroz, usamos alguns fragmentos da obra “Vermelho Amargo”, que são narrados no início da peça, e da Björk, as diversas interpretações que a cantora oferece sobre a composição “Hyper-Ballad”, que é uma poesia sobre alguém que tem o habito de jogar as coisas fora, até se jogar também. Do dramaturgo russo Anton Tchekhov, usamos uma cena do ato final da peça “A Gaivota”, em que dois personagens protagonizam um encontro para uma despedida.

 

Do ponto de vista dos personagens e de uma maneira geral, como é a peça?

Não existem personagens definidos na peça. Como se trata de uma dramaturgia aberta e que se relaciona com a realidade nossa, e a dos espectadores, costumamos designar os personagens como C, de Cadu, e F, de Fabricio. Ambos personagens atravessam as cenas, em interação ou não com o público, usando de diferentes linguagens nessa caminhada, passando por jogos de imagem e movimento, atuações performativas ou cenas teatrais propriamente ditas.

 

Como a peça irá se desenrolar? Quais apetrechos serão usados?

A peça apresenta uma sucessão de cenas que remetem a ou são experiências de abandono. É como um passeio por diferentes linguagens e vivências que procuram colocar o público nesse lugar de desvio. Durante essa caminhada, usamos imagens em projeção, estruturas coreográficas, objetos, histórias, cartas, documentos, poesias, músicas, uma infinidade de coisas, um inventário de abandonos nossos e dos espectadores que já assistiram a peça e assim, de forma processual, a dramaturgia é construída em colaboração com o público, a cada noite, como uma nova peça.

 

Nessa peça, o público irá participar. Como será essa participação?

Em determinado momento da peça as pessoas são convidadas a nos contar histórias de abandono ou mesmo abandonar objetos que tenham consigo. Além disso, compartilhamos diversos hábitos, estados, sensações, cheiros e gostos que remetem a situações de abandono.

 

 

 

Duo SOBRE DESVIOS

Sala Baden Powell - Av. Nossa Senhora de Copacabana 360. Tel.: 2255-1067

Temporada: de 5 a 27 de agosto – sábados e domingos, às 19h30.

Duração: 70 minutos. Capacidade: 40 lugares. Classificação indicativa: 18 anos.

Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada).