Foi ao beber das raízes brasileiras, e da atmosferas de Berlim, e do interior de São Paulo, que nasceu a pérola SOLAR, disco de estreia em carreia solo do compositor Teco Martins.

As gravações aconteceram entre 2017 e este ano. A primeira metade foi gravado em meio a calmaria primaveril na roça de Indaiatuba, interior do estado de São Paulo; a segunda, registrada em um porão durante o gélido inverno de Berlim, na Alemanha.

“Eu busco através dessas músicas aguçar a percepção e a criatividade de cada um que ouví-las. Não vim para impor nada a ninguém, mas sim para compartilhar o pouco que sei. Perante todo cenário de violência que existe, neste momento opto por evocar a esperança e o despertar para o milagre da vida”, explica.

O álbum, que contém 9 faixas, é uma iniciativa independente, e foi financiado por meio do Catarse.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão verde no quadro abaixo.

 


O disco foi gravado entre 2017 e esse ano. Como foram os momentos de gravação?

A primeira metade do disco gravamos durante a primavera, no interior de SP. Eu e o Renato de Luccas montamos um estúdio caseiro na roça entre Indaiatuba e Itupeva, ao lado de cavalos, vacas, pássaros, grilos, abelhas, sapos e serpentes. Ao longo de um mês e meio pudemos receber diversos musicistas maravilhosos nessa casa. Sem televisão, sem internet, ficamos retirados e focados apenas nas músicas. Já a segunda parte foi gravada num porão em Berlin, durante o gélido inverno na Alemanha, ao lado do Henrique Uba, o Candinho que toca comigo no Rancore. Um cenário totalmente diferente, outro clima, outra cultura, outras influências. Ficamos mais 3 semanas nesse foco, respirando e produzindo esse disco, dia e noite… Foi tudo bem intenso, contando com a mixagem que foi feita pelo Chiappetta depois, foram 4 meses vivendo esse disco todos os segundos, dedicação total, bem exaustivo porém bem recompensador pois sinto que registramos algo valioso.

 

Fale um pouco também de como foi fazer esse disco (em alguns momentos), na Alemanha.

Abriu bastante minha cabeça acerca das músicas e da sonoridade do disco. O Candinho mora na Alemanha e ele é um músico fenomenal, que me ajudou a colocar vários temperos no álbum. Quando estamos em outro país, em outra estação do ano (estava congelando, neve total), nosso pensamento fica diferente e isso influencia direta e indiretamente no som. Creio que fazer metade do disco na primavera da roça e outra metade na neve de uma megalópole hiper moderna foi essencial pra chegarmos nesse som tão único e universal. Berlin é uma cidade muito conectada com a música eletrônica (no sentido mais amplo possível desse termo), e isso foi somado às raízes brasileiras com as quais venho me alimentando há anos, então temos violas caipira com sintetizadores, atabaques com samples, zabumba com microfonias, etc…

 

Seu som é voltado para nas raízes da música brasileira, não é?

É sim, nos últimos tempos ouvi muito artistas como Elomar, Clementina de Jesus, Almir Sater, Serena Assumpção, Renata Rosa, Xangai, Tião Carrero e Pardinho, Alceu Valença, Dércio Marques, Naná Vasconcelos, etc… E indo pra raízes mais profundas ainda, ouço muito os cantos de Nações Indígenas, como os Fulni-ô, Guarani, Kayapó, Pontos de Umbanda, Pontos de Candomblé, e Hinários do povo da floresta.

 

Sua primeira banda foi formada em 2001. Daquele tempo pra hoje, o que mudou na sua musicalidade? 

Naquele tempo eu só ouvia punk rock/hardcore. Ao longo dos discos do Rancore é bem perceptível novos estilos musicais sendo agregados. Pouco a pouco fui pesquisando e me alimentando com outras influências artísticas e hoje, apesar do punk ainda viver em mim, sou fruto de muitas outras influências.

 

E como está sendo lançar seu primeiro disco solo?

Está sendo bem gratificante! Tenho recebido muitas mensagens de pessoas me agradecendo pelo disco, ou me contando sobre as experiências que as músicas propiciam, e isso é muito interessante e valioso para mim. Na medida do possível estou lendo e respondendo tudo. O disco despertou interesse em gente de fora do Brasil (já recebi mensagens de pessoas do Chile, Japão, EUA, Argentina, México, Inglaterra, África do Sul e França), algo novo na minha carreira. Depois que a gente solta um “filho” desses, perdemos totalmente o controle e a noção de até onde essas músicas vão chegar. 

 

Você iniciou uma turnê em 2009. O que essas 800 apresentações acrescentaram em SOLAR?

Tudo. Cada show é uma aula onde aprendo muito, sobre música, sobre sociedade, sobre amor. Creio que as sensações que meus shows despertam nas pessoas ficam tatuadas em mim, e isso influencia diretamente o SOLAR e tudo que eu faço.

 

O que é o disco poeticamente?

A maior parte das letras são de imagens retiradas da fauna e da flora da natureza, pois busquei com a poesia desse disco deixar em aberto a questão de interpretação de significados, sem impor nenhuma verdade absoluta. Tem muita informação subjetiva nessas músicas, então muitas vezes pode parecer que é uma coisa e na verdade é outra. Existem críticas sociais camufladas em imagens puras e singelas. É necessário bastante atenção e sensibilidade pra perceber os detalhes nos ingredientes. Acho que é um disco capaz de acompanhar diversas fases na vida de uma pessoa, e para cada fase, a interpretação do que o disco diz vai ser diferente. Acho muito importante a arte instigar a criatividade e sempre deixar no ar novos questionamentos, misturas e possibilidades.

 

E musicalmente?

É bem plural, tem psicodelia, galope, axé, punk rock, ijexá, jazz cigano, música experimental, música pop, frequências, microfonias, samples, cítara, viola caipira, violino, flauta, saxofone, baixo de mola, etc… É um disco muito calcado na percussão (tivemos 7 percussionistas trabalhando conosco nessas músicas). É difícil descrever, acho que todo artista busca fazer algo que nunca foi feito antes, e eu me encaixo nessa condição.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva SOLAR?

No final do processo todo o disco passou pela dirigente do grupo xamã Céu Luz Ametista, a Mirtes Mi, e pra cada música ela escolheu a frequência de cura de algum chakra, que está tocando de forma subliminar. Além disso colocamos mantras nas músicas. Buscamos fazer com que cada som se tornasse uma medicina pra quem ouve. Se conseguimos? Ouve lá e me diz depois! Beijão, valeu pela atenção e carinho! PAZ.