o livro AUSÊNCIA [MEMÓRIAS ANCORADAS] de Rian Fontenele, é uma publicação bilíngue e tece o movimento de sua produção múltipla. Ao longo das 168 páginas, traz imagens de suas obras em diversas linguagens e técnicas, intercaladas com ensaios, poemetos, reunindo ensaios críticos sobre a obra do artista escritos por curadores e pesquisadores, construindo um percurso pela pintura e a poética do artista.

 

Abaixo, você verá na íntegra uma entrevista especial que fizemos com o autor.

 

 

 

Você como artista visual, quando teve a decisão de escrever um livro?
O livro se faz o atravessamento do processo e da poética da pintura dos últimos 10 anos. Constrói uma aproximação entre algumas séries neste período, que tem como lastro a Ausência e o Silêncio permeando as personagens e toda narrativa silente que se faz de foram latente em toda obra. Fazer o registro e mergulhar na construção destas pinturas se fez como apreensão e libertação para novas possibilidades.

 

Pelo o que vi, você usa a sua atividade como artista visual no livro, não é? Como isso funciona?

O livro é edição de autor, sendo assim tive toda liberdade em convidar e interferir em todos os processos, dando uma dinâmica mais pessoal em toda produção, somado à generosidade de todos que possibilitaram o viabilização deste projeto. Juntamente com o Designer Ademar Assaoka, quem assina o desenho do livro, em contínuo diálogo elaboramos todo o desenho e o conteúdo, assumindo também a curadoria de todas as obras expostas, fazendo deste livro um registro honesto e pessoal de minha obra e percurso.

 

Quais são as temáticas trabalhadas no livro?
O livro desvela  o discurso, as referencias e os temas que se apresentam de forma clara, na construção ou no gatilho das pinturas, gravuras e bordados. Como palavras de equilíbrio mais que coesão entre as diferentes técnicas e linguagens. Apalavra tange a imagem em mim, assim crio como base poemetos, estes são o inicio de todas as imagens e paisagens que trabalho; memória, ausência, crueza, silencio, flama... desafogo. São como chaves de acesso ao pictórico.

 

O livro tem 168 páginas. Qual é o conteúdo? Como é o conteúdo?

O livro se constrói em quatro momentos onde o intento é um percurso permeado ou costurado entre os textos, imagens de obras e do processo a partir de cadernos de estudos, desenhos e gravuras e pinturas registros com obras desde os anos 90. A primeira parte há uma apresentação da escritora e crítica de arte Bianca Dias intitulado COM AS MÃOS NUAS, o gesto no vazio.  O segundo momento traz uma entrevista franca sobre o discurso e as referências do artista, sendo seguido pelo percurso de pinturas em cronologia que abrangem as séries dos últimos 10, por fim alguns textos críticos de sobre a obra e obre algumas mostras dos artistas, com nomes como Luiza Interlenghi, Bitu Cassundé, Silas de Paula e Weydson Barros Leal.

 

Como aconteceu o processo criativo do livro?

O processo de criação do livro teve como exercício a possiblidade de registrar e difundir o trabalho contemporâneo feito fora da hegemonia do eixo Rio-São Paulo, de uma construção partilhada como documento de resistência ao tempo e convite para todo o diálogo para a obra expressa. A ideia  parte das possiblidades dos encontros como fomento para a discursão de toda a obra para além do ateliê e da galeria.

 

E faz quanto tempo que você vem desenvolvendo-o?

A ideia do livro nasceu em 2011, com diversas conversas com curadores e críticos que pudessem se aproximar do trabalho. Primeiro por uma ideia mais caótica como se possível trazer ao papel o projeto do cotidiano do atelier, somando vários textos e catalogando as obras para este fim. Mas somente em 2016 se iniciou o projeto e a busca pela sua viabilidade, tendo por fim sua concepção fechado pelo final do ano passado, um livro onde se fez presente de forma ativa e colaborativa todos que puderam somar. Nomes como Ademar Assaoka, Ricardo Tilkian, Isabel Terron, Tiago Santana, Markos Montenegro, Bianca Dias, Bitu Cassundé, Silas de Paula, Luiza Interlenghi,  Luis Sabadia, Lia de Paula e Weydson Barros Leal.


Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o livro?

O título AUSÊNCIA [MEMÓRIAS ANCORADAS], chega pela narrativa dos personagens silentes que povoam o carrossel de imagens  que percorrem minha pintura. Enredo a Ausência pela somatória da memória, pelo que se transborda sufocante quando demasiado e intenso, da mesma forma construo o discurso do silêncio ou de meus silentes – tão presente em todo trabalho -  pelo mergulho brutal no ruído. Como um espelho reverso, faço o caminho para de toda prosa, contida na coreografia contida de cada personagem desvelada na tensão e no gesto do bidimensional registrado.