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Cinema

O lado cineasta de Oswaldo Montenegro

Matheus Luzi

Publicado

em

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O lado musical e poético de Oswaldo Montenegro é reconhecido Brasil afora, mas o lado cineasta do artista é muito mais amplo, porque une a poesia, a música e a interpretação. Nesta matéria, fizemos um apanhado dos quatro filmes de Oswaldo Montenegro. Veja:

 

“Léo e Bia” (2010)

(Cena do filme "Léo e Bia")

 

Para Oswaldo Montenegro, o consagrado filme “Léo e Bia” foi uma porta de entrada para o mundo do cinema, já que Oswaldo começou sua carreira como roteirista, diretor e produtor com este filme. Para a surpresa de muitos, o “calouro no negócio”, foi capaz de conseguir prêmios no Festival de Cinema Cine PE 2010, logo na sua primeira exibição, além de se tornar renomado na boca de críticos do país inteiro.

A história é bem a cara de Oswaldo. Curiosamente, o longa se passa num único cenário: a sala de ensaios de um grupo de jovens atores, mas que levou dez dias para ser produzido, e mais de cinco meses de ensaios. O mais interessante nisso tudo, é que apesar de poucos atrativos no cenário, a maioria das pessoas que assistiram garantem que é impossível não ficar focado na história. Para brilhar mais ainda, além de ter começado sua carreira como cineasta neste filme, também foi um dos melhores a abusar da linguagem poética no cinema brasileiro, o que certamente chamou a atenção da crítica do mundo inteiro.

Basicamente, tudo se passa na história de sete jovens que decidem viver de arte em plena ditadura militar, no ano de 1973. Em contrapartida a morte da mãe de Bia muda muita coisa.

O filme foi lançado em 2010, e agora, a peça Léo e Bia volta aos palcos com direção de Leonardo Talarico, e texto e músicas de Montenegro. A peça estreia no dia 19 de março deste ano, no Teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro. O elenco é composto por Isabella Santoni, Diogo Monteiro, Gui Hamacek, Amandha Monteiro, Carol Garcia, Juliana Weinem e Luísa Chicani, Rodolfo Karvalho (stand in) e Aline Arôxa (stand in).

(Informações do site de Oswaldo Montenegro)

 

 

“Solidões” (2013)

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“Solidões” continua a dar sequência no lado poético de “Léo e Bia”, na qual foi executado com recursos próprios e com coprodução do Canal Brasil, que futuramente seria aliado de Oswaldo em suas produções. O filme passa pelo drama, pela risada, da comédia romântica à sátira cruel, como diz no próprio release no site do artista.

O destaque no elenco fica com a personagem principal, encarnada por Vanessa Giacomo. Vanessa faz a mulher que perde a memória, e a partir daí, resolve ficar sozinha e não ter contato com nenhum outro ser humano. Para fazer a ponte, entra Oswaldo com o papel do “demônio” que vive sua solidão, enfrentando-a, e é o mesmo que oferece possibilidades aos solitários.

o enredo ainda conta situações divertidas, e sempre coloca os personagens a deriva da solidão, como no caso do cantor sertanejo que sai de Minas e vai ao Rio de Janeiro na esperança de se tornar famoso, e acaba por cantar nas ruas da capital carioca. Todas essas participações e histórias são reforçadas com músicas de Oswaldo, que completam a trilha sonora.

O próprio nome já diz tudo. O longa mexe com os solitários, com o uso frenético da poesia e de imagens que falam por si só.

“Seria muito difícil apontar a principal qualidade que faz do filme “Solidões” uma obra tão especial. É um daqueles raros filmes que continuam conosco durante muito tempo, mesmo depois de termos deixado a sala de cinema. Talvez o motivo disso tudo resida no fato de Oswaldo Montenegro saber, como ninguém, despertar as emoções e sentimentos muitas vezes esquecidos dentro de nós, tanto através de sua música como de seu texto.

Mostrando um profundo conhecimento da linguagem cinematográfica, a ponto de subverte-la com extrema coerência, Montenegro nos mostra os vários aspetos da solidão através de histórias muito bem costuradas e que jamais se tornam episódicas, graças à força de seu texto e a uma montagem brilhantemente caótica. Com uma bela fotografia capaz de retratar, com igual eficiência, ambientes intimistas e as paisagens mais exóticas do sertão, Oswaldo nos prova que técnica e emoção podem caminhar perfeitamente juntas, e nos presenteia com esse que é, sem dúvida alguma, um dos filmes mais originais dos últimos anos”, escreveu Paulo Henrique Fontenelle, premiado diretor dos filmes Loki e Dossiê Jango.

(Informações do site de Oswaldo Montenegro)

 

 

“Perfume da Memória” (2016)

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É o terceiro na filmografia de Oswaldo, que lançou o longa em comemoração aos seus 60 anos de idade e 40 de carreira. Montenegro foi o diretor e, no roteiro, contou com a parceria de Raique Macau e Renato Luciano. Ele usou a música “Sim” – composição própria em parceria com Renato Luciano – como trilha sonora principal. E é assim, que Oswaldo usa toda sua poesia para narrar a história, o que o levou a ganhar prêmio de melhor Som e Música do “Open World Toronto Film Festival”.

E é claro que este prêmio não foi em vão e muito menos à toa. No filme, Oswaldo Montenegro é quem narra a história com textos extremamente poéticos e com suas canções (algumas em parceria com Raique Macau) mais poéticas ainda, trazendo um ar de serenidade e amor, tanto para as personagens como para os cenários como um todo.

Com toda essa força literária que carrega os textos narrados por Oswaldo, o filme já foi visto por milhões pessoas na internet, e recebeu inúmeros comentários apaixonados.

Para tornar tudo mais lindo e sensível, a flautista Madalena Salles e a violoncelista Janaína Salles fazem intercalações entre as cenas, demonstrando o sentimento das personagens em forma de música. Além da música, o sentimento se sobressai com o semblante das musicistas que aparecem entre uma cena e outra.

“A história é sobre a paixão entre duas mulheres, mas não impõe bandeiras. É amor sem signos fechados, apenas signos abertos, como é o feminino. Essas duas mulheres poderiam ser substituídas por um homem e uma mulher ou por dois homens. “O Perfume da Memória” trata do amar, como verbo. E o amar, como verbo, dispensa substantivos, dispensa rótulos e, fundamentalmente, dispensa bandeiras burocráticas.” Comentou o crítico de cinema Rodrigo Fonseca, do Estado de São Paulo.

A longa foi realizada sem patrocínio, apenas com recursos próprios de Oswaldo, foi gravado em duas cidades: Rio de Janeiro e São Paulo, e a captação das imagens foi feita por uma câmera Red Epic.

As personagens principais (Ana e Laura) são vividas pelas atrizes Amandha Monteiro e Kamila Pistori.

 

 

“De Sonhos e Segredos” (2017)

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“De Sonhos e Segredos” é a mais nova aposta certeira de Oswaldo. O cineasta que agora já tem uma experiência maior na área, pode resultar num trabalho muito mais premiado do que os anteriores que já se consagraram no cinema nacional. Mas desta vez, a “Obra-prima-poética” é uma série que estreou  no dia 19 de janeiro deste ano e foi exibido pelo Canal Brasil.

O roteiro, escrito especialmente por Montenegro, foi feito para seis personagens (Kamila Pistori, Leonardo Brício, Paula Ferrari, Verônica Bonfim, Jordana Paulista e Pedro Gracindo), e uma psicóloga real (Joana Amaral). A história é basicamente o encontro entre esses personagens com um psicólogo, e acontece desabafos e conflitos e curiosidades. Os personagens foram pré-determinados por Oswaldo, como uma gótica viciada em sexo. Mas o interessante da série é que os personagens atuam com questões pessoais e com improvisos.

Há tempos, eu uso o método de interação com o elenco que emprego aqui como um exercício para que os atores fiquem mais tempo nos personagensEu precisava, aqui, apenas que a psicóloga não fosse uma atriz, pois eu não podia cair no risco de errar os termos técnicos de uma terapia dessas. E, mais do que isso, queria alguém que pudesse fazer um trabalho de análise de verdade com meus personagens”, disse Montenegro.

A ideia é estabelecer uma ligação entre o real e o fictício, e fazer conflitos como numa novela das nove.

“Esta é uma história de vidas comuns com problemas não tão comuns assim, numa homenagem ao teatro e à psicanáliseFui fazer cinema para seguir contando histórias e porque a música mudou de lugar com a virada dos tempos. No século XIX, a arte popular maior era a ópera. Nos anos XX, era a canção. Hoje, nos anos 2010, a música popular que faz diferença é a música usada como trilha sonora, no cinema e na TV. A música um dia foi protagonista do mundo. Mas hoje, ela precisa ter um lugar para morar. O cinema é esse lugar, esse lar”, finalizou Oswaldo.

Para nós, a crítica que fica é a crítica da inovação. Por mais que estejamos em 2017, e que QUASE tudo já tenha sido criado, é sempre possível fazer algo novo. A mistura entre o fictício e o real é algo que prende muito mais atenção de quem está assistindo a série.

(Informações e citações do Omelete)

 

 

Outras notícias:

Recentemente, Oswaldo Montenegro lançou o clip da música “Sim”, trilha sonora do ultimo lançamento cinematográfico do artista, “O Perfume da Memória”. Com um toque “silencioso” do piano, que silencia qualquer alma, vem acompanhado de uma letra mais calma ainda e com uma mensagem de amor única. O músico lançou também o clip da música “Eu quero ser feliz agora” e o clip de “Vamos celebrar”. Letras, como não poderia ser diferente, são repletas de poesia e com ritmos encantadores. Veja:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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