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Música

John Mueller diz que a MPB é a história do nosso país cantada (Veja entrevista com o músico)

Matheus Luzi

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(Foto: Vinícius Giffoni)

(Foto: Vinícius Giffoni)

 

Apesar de John Mueller acreditar que os festivais seriam mais interessantes se fossem em formato de mostra e não de competitividade, foi indicado como finalista do Prêmio Profissionais da Música 2017, que acontece em Brasília nos dias 28, 29 e 30 de abril deste ano. A indicação chamou nossa atenção e resolvemos fazer uma entrevista com o músico, que aceitou logo de cara. Nessa entrevista, ele fala de suas inspirações, da parceria com outros músicos, como conseguiu financiar seu disco, a aceitação popular e sua opinião a respeito da definição da MPB.

 

 

Qual foi a inspiração para a gravação do CD “Por um Fio”? E como essa gravação aconteceu (local, músicos, circunstâncias, etc)?

A inspiração veio através de tudo que eu ouvi nos últimos anos, quando se trata de música brasileira e, das minhas influências, a maior foi ouvir muito João Bosco, mais precisamente o álbum “Obrigado gente” e o álbum “João Bosco 40 anos depois”. Essa foi a melhor aula e inspiração para correr atrás e gravar meu primeiro álbum, inclusive, parte dos músicos que acompanham João Bosco gravaram no meu disco (foi um sonho, um foco e uma realização para ficar para a história). Assistindo o DVD de João comentei com minha companheira: Essa é a banda que quero para gravar meu disco, e daí então foquei nisso como objetivo de vida e tornei realidade a partir do momento em que recebi a ligação do estúdio Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, dizendo que Jorge Helder tinha interesse em produzir meu trabalho. Jorge Helder, é baixista de Chico Buarque, Maria Bethânia, João Bosco, entre outros tantos nomes da MPB. É o baixista mais cobiçado pelos artistas da música brasileira, pensa num cara felizão e orgulhoso.  Resumindo, fechei com Jorge Helder a produção do álbum “Por Um Fio”. Jorge me sugeriu que enviasse uma lista de músicos que eu gostaria de ter na gravação do disco, Caraca!!! eu não pensei duas vezes e escalei parte da banda de João, (risos): Kiko Freitas, bateria, Armando Marçal, percussão, Cristóvão Bastos, piano, Ricardo Silveira, na guitarra e Jorge Helder, baixo acústico elétrico e produção musical. Além desse timaço contei com participação de dois grandes músicos da minha cidade como participação especial, são eles: Caio Fernando, baixo elétrico em Itinerário, e Mazin Silva, na guitarra em Força Felina e Pimenta, são dois grandes músicos que estão sempre comigo e de um talento incrível. Gravamos o disco no Estúdio Tenda da Raposa, no Rio de Janeiro, no ano de 2014, e foi incrível, como sonhado sem tirar um detalhe.  Um ano, depois como se não bastasse, tive a honra de tê-los no show de lançamento do álbum “Por Um Fio”, em Blumenau, no Teatro Carlos Gomes, findando assim o objetivo total alcançado.  Além de produtor, Jorge e os outros músicos viraram amigos e temos contato até hoje, inclusive, fechamos a produção do próximo disco que devemos começar a gravar em junho de 2017.

 

Você diz ser um amante da MPB. Na sua opinião, qual é a definição da Música Popular brasileira? E qual a sua relação com ela?

Música popular brasileira é a história do nosso país cantada, com diversos momentos, ritmos, melodias, folclore e influências. A riqueza disso tudo se dá no folclore nos cantos populares, no samba, nos ritmos nordestinos até a bossa nova, influenciada pelo jazz americano. E daí começa minha grande relação. Eu sempre ouvi muito da música brasileira até a bossa nova, minha afinidade com a MPB teve uma relação também com os movimentos sociais que participei quando mais jovem, onde a trilha sonora sempre trazia aos ouvidos Chicos, Gil, Caetanos, Vandré, entre outros tantos. Depois disso comecei a ouvir Tom Jobim, daí vem meu apreço pelo mundo bossanovista. As harmonias mais jazzísticas da bossa nova, por exemplo, me encanta e me influência bastante, fazendo essa fusão com a dita MPB, e também com a chegada de uma nova silgla a MPM (Música Popular Moderna, que seria essa mudança histórica pós bossa nova. Com a chegada marcante de Elis Regina e Edu Lobo com a música “Arrastão”, deixando ainda mais misturado tudo isso. Na verdade, para mim, quando se faz a relação com essa nova música brasileira de hoje, que alguns dizem ser moderna, ela já existia lá em 1965, a mudança já houve nessa época com a sigla MPM, era super moderno para a época a música “Arrastão”, por exemplo, então, na verdade, só estão dando continuidade ao que já foi feito, só que em tempos modernos e com mais recursos, etc. Costumo dizer que a minha relação com a Música Popular Brasileira é de raiz, tão qual moderna como 1965 e sem perder as características básicas da MPB.

 

 

No álbum “Por um Fio”, John conta com músicos altamente qualificados, como Kiko Freitas, considerado o melhor baterista do Brasil; Ricardo Silveira, guitarrista, que tocou com Elis Regina e Ney Matogrosso; Cristóvão Bastos, pianista que acompanha Chico Buarque, Edu Lobo e Paulinho da Viola; Armando Marçal, percussionista, e Jorge Helder, como produtor e contrabaixista. Como foi a experiência de tocar com esse pessoal?  

Para mim, é como ter ganho o Oscar. Um troféu para ficar cravado na memória e sempre que posso volto e ouço sem me enjoar ou me arrepender. É histórico, literalmente (risos).

 

Você vive de música há mais de 14 anos. O que mudou do tempo em que começou pra agora?

Na verdade, a mudança começa no amadurecimento como artista e profissional da música, a experiência de tocar em várias bandas, diversos estilos até me encontrar e fazer aquilo que vem da alma e é de verdade. Há 14 anos, eu era um menino que tocava em bares e achava aquilo o máximo, pois pensava em trilhar uma carreira de artista, mas não sabia direito como isso funcionava, fazia as coisas do meio jeito e ia me virando, até que dava certo (rsrsrs), pois sempre fui batalhador e intenso nas coisas que me propunha a fazer, mas, como disse, sem experiência e atirando para todo o lado. Hoje já sou um artista, com um disco gravado, indicação ao prêmio profissionais da música, uma carreira de sucesso e muitos acontecimentos importantes, porém a batalha é a mesma, mas com sabedoria e experiência e atirando certo, em um novo modelo do cenário musical.

 

Você fez um financiamento coletivo através do site Catarse para a gravação do CD “Por um fio”. Como conseguiu arrecadar os R$ 35.440? O financiamento foi de sucesso, porém nesse período eu não dormi direito (risos). Tivemos muitos amigos e fãs do trabalho que ajudaram a financiar o projeto, mas, no entanto, como era o primeiro não tinha tantos fãs para que pudéssemos bater a meta, por isso precisei de amigos empresários para alcançar valores maiores e foi aí que fez a diferença. Mas posso dizer mais uma vez não dormia, dia e noite na estrada e no computador, falando com amigos, fãs, familiares e empresários. É muito trabalho e determinação para que se alcance a meta. No final deu tudo certo e está aí o CD “Por Um Fio”, lindo como sonhado. Talvez se fosse hoje, com a experiência e mais informações sobre como montar uma estratégia de financiamento coletivo e um número de fãs um pouco maior seria diferente, acho que até dormiria um pouquinho mais…

 

Você participou de inúmeros festivais, como por exemplo, quando ficou em primeiro lugar no Festival da Canção de Artur Nogueira. Levando isso em consideração, como está a sua agenda de shows e a aceitação popular?

Eu participei de muitos festivais e tive algumas premiações, é muito importante para aumentar nossa popularidade e crescer o número de fãs, sendo assim, uma coisa leva a outra e acaba também aumentando o número de shows. Mas, mais do que isso é a oportunidade de conhecer novos artistas, é o espaço para você mostrar sua música autoral e ainda fazer novas parcerias.  Só acho que os festivais deveriam ser todos em formato de mostra e não competitivo.

 

 

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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