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Teatro

TEATRO NÃO É CULTURA – Um desabafo de Rogerio Orlando sobre o teatro

Matheus Luzi

Publicado

em

 

(Foto/Divulgação)

 

TEATRO NÃO É CULTURA!

Primeiramente agradeço imensamente a oportunidade que a revista “Arte Brasileira” cedeu pra mim. Infelizmente não é todo mês que nós artistas temos oportunidade de se expressar através da mídia, pelo simples fato de, na maioria das atuações, estar fora dela. Mais dífícil ainda é poder expressar minha critica de teatro, ser voz como crítico de arte.

Pedi gentilmente ao querido Matheus Luzi para deixarmos a entrevista de lado, aproveitando o espaço não para me promover divulgando meu novo trabalho e sim apontar os refletores para algumas reflexões que desenvolvi convivendo com minhas turnês de teatro independente.

 

VAMOS LÁ?

crítico de arteSendo presente na minha vida profissional desde os 14 anos de idade, viajando por todo o país tentando estabilizar minha vida financeira através dele, o teatro no brasil me mostrou algumas coisas que gostaria de expor aos leitores.

Deixando de lado o significado que o “Dr. Aurélio” impõem nas palavras e falando conforme o que realmente acho mais coerente, falo com toda a convicção…

 

TEATRO NÃO É CULTURA!

A palavra “CULTURA” é muito flexível. Posso dizer que a cultura dos índios é andar pelado, posso dizer que a cultura dos vietnamitas é consumir carne de cachorro abatido na hora enquanto pros indianos a vaca que desfila no espeto em nossa churrascaria é sagrada e posso dizer que faz parte da cultura do brasileiro tirar proveito dos outros e não ir ao teatro! O que comprova isso é o fato da maioria das pessoas nunca terem ido ao teatro, mas é muito comum ver gente pedindo e oferecendo um valor maior na nota para reembolso.

Pois bem, talvez por esse fato o teatro me permitiu o atraso das minhas contas, o teatro me permitiu, mesmo com bons espetáculos, a desvalorização da minha arte por diversas secretarias de “cultura”, o teatro me permitiu que ficasse por meses longe de pessoas que amo, o teatro me permitiu ser visto por outras pessoas em um amor platônico com o sucesso.

 

Aí você me pergunta: Então por que você gastou toda sua vida profissional até hoje se dedicando pra arte?

crítico de arte

 

SUCESSO?

Assim como a cultura, o sucesso também é flexível, por isso não me vejo em um amor platônico com o sucesso. Por exemplo: Inúmeras vezes tive em minhas plateias 600 pessoas quando tinha a meta de 350, inúmeras vezes produtores de shows internacionais tiveram a meta de 300 mil pessoas e só venderam 70 mil ingressos. E aí, qual destes dois eventos foi um sucesso de bilheteria? Fora outros tipos de sucesso que tive e tenho na minha vida profissional.

Mesmo com pontos negativos posso dizer que o teatro me permitiu pisar em centenas de lugares maravilhosos que jamais pisaria sem a permissão dele, o teatro me permitiu conhecer milhares de pessoas maravilhosas que eu jamais conheceria sem a permissão dele, o teatro me permitiu ter centenas de milhares de espectadores me assistindo onde o ato do riso prevaleceu a todo o momento, o teatro me permitiu noites mal dormidas porém bem aproveitadas.

E mais: o teatro me permiti desde os 14 anos de idade pagar contas em casa através da arte, o teatro me permitiu comprar meu primeiro carro aos 18 anos de idade com meu próprio dinheiro, o teatro me permiti ganhar um troco para levar minha mãe para comer em bons restaurantes, o teatro me permitiu pagar e reformar uma boa parte de meu apartamento… O teatro me permitiu ter amor pela minha profissão. Posso GARANTIR que se um dia eu ganhar na loteria continuarei batalhando por plateias assistirem minha arte. Tenho amor na minha profissão e, INFELIZMENTE, isso é tão raro quanto ouro! Sendo assim o reconheço…

 

UMA AMOSTRA DA COMÉDIA DE ROGÉRIO ORLANDO

 

O MEU LEGADO!

Se eu falar que nunca pensei em desistir é mentira. Em 2016 após pequenas decepções e uma breve crise existencial tentei deixar minha arte de lado e mudei minha fonte de renda para outro segmento, a ideia foi um fiasco! O problema é que os outros segmentos me oferecem no máximo uma estrutura financeira mais plana, sem altos e baixos, e pra mim isso não é o bastante. Me senti pobre e sem propósito de vida, sei que a arte tem muito mais pra me oferecer… 

Por isso atualmente pretendo dedicar até o último suspiro da minha vida profissional para arte. Se coloque no meu lugar, supondo que financeiramente as coisas deem errado, o que você prefere: Morrer infeliz em um escritório com as contas pagas ou morrer feliz fazendo o que ama com as contas atrasadas? Por isso faço o que faço e vivo o que vivo.

 

ENFIM

não aprendi só coisas para minha vida pessoal, o teatro me mostrou muito mais. Poderia me prolongar e expor minha visão sobre o porquê o “Aplauso em pé” aos finais de bons espetáculos nas cidades de pequeno e médio porte estão entrando em extinção, falar do quanto o entretenimento fútil na ponta do dedo influência para termos plateias cada vez mais vazias, falar do público que acredita que gente famosa no elenco é sinônimo de qualidade, falar que o “Castelo de Caras” não influência em ABSOLUTAMENTE NADA na vida de verdadeiros artistas, falar do artista/produtor que necessita de uma lei de incentivo para trabalhar e que consequentemente nunca lota plateias, falar que se as leis de fomento a cultura não cobrar uma divulgação digna dos produtores jamais fomentarão a cultura, poderia explicar minha ideia de que arte é todo resultado que teve na criação a criatividade exercida… Mas como já falei demais deixarei está pauta para o próximo convite.

Grande beijo a todos e fico grato por lerem até aqui.

 

Ah! Quem quiser saber quem sou e para links das minhas redes sociais acesse:

http://www.rogerioorlando.com.br/

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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