Conecte-se conosco

Música

Diego Schaun diz que as músicas de seu novo álbum surgiram do silêncio de seu quarto, que dá o nome ao disco

Matheus Luzi

Publicado

em

arte

 

Diego Schaun é um verdadeiro representante da Bahia, não somente pela naturalidade, mas também pela sua mistura rítmica, que ele define como algo autenticamente Folk, fruto de inspirações como Neil Young, Joni Mitchell, Simon and Garfunkel, Humberto Gessinger, Xangai e Elomar.

Neste ano de 2017, Diego lançou o disco O QUARTO, que sugere duas coisas: é seu quarto álbum e foi feito/gravado em seu próprio quarto.

Abaixo, você verá uma entrevista na íntegra com o artista sobre o seu lançamento. Veja:

 

 

Em poucas palavras, você definiu o álbum O QUARTO, como um som que tem uma riqueza poética e instrumental. De uma maneira geral, qual a definição do disco?

Uma auto-reflexão sobre o que eu sou, o que vejo do mundo e que no fundo, todo mundo é igual e passa pelos mesmo questionamentos diariamente.

 

Você é natural de Camacan, e faz a divulgação do CD lançado em 2016 na região onde nasceu. Como está sendo essa divulgação? Quais são os desafios?

Desafios enormes. Tocar folk na Bahia é um trabalho hercúleo. Pouca gente presta atenção, mas apesar de tudo, esse é o clímax da arte. Apesar de estar em Camacã, quase 90% das pessoas que me acompanham estão bem longe de mim. A divulgação é online. Intensamente online. É através dos mecanismos das mídias digitais que o músico encontra seu nicho e divulga sua música para um público que receberá sua arte sem surpresa e com receptividade.

 

Você é formado em história. De alguma maneira, a teoria aprendida na faculdade lhe ajudou em algo na música como um todo e no CD O QUARTO? Ela serviu de inspiração?

Sempre gostei de História. Sem dúvida, tudo que li ou prestei mais atenção, de alguma forma serviu. E servirá, já que o HD do inconsciente é vastíssimo. O curso de história foi um divisor de águas. Fomentou o sentido de percepção do mundo e do rumo que a humanidade vem tomando além do meu papel nisso tudo.

 

Recentemente, você abriu um show de Humberto Gessinger. Ele é uma inspiração para você? E quais foram as inspirações para o disco O QUARTO?

Gessinger é sem dúvida a maior inspiração nacional. Tudo que ele faz é muito bem feito, sensível, apurado e louvável. Abrir o show de um ídolo é uma explicação inigualável. Falaria sobre esse dia para você por semanas (risos). Sem dúvida o Humberto me inspirou na feitura destas canções.

 

Qual o significado do título O QUARTO? E o que este disco representa para você?

As inspirações para O QUARTO surgiram exatamente no meu quarto. Por isso o nome do disco, e por também ser meu quarto trabalho autoral gravado. Reuni canções que havia escrito ao longo de alguns anos, bem como canções recentes, feitas para ele, diria. Usei apenas instrumentos de corda, gaitas e vozes. Às vezes, um leve bumbo marcando um refrão ou outro. Neste disco, o ouvinte adentra em meu mundo e conhece um pouco do que eu acredito e das decepções que passei. Mas não é um trabalho pessimista. Diria que é muito mais místico e volátil do que deprê.

 

O QUARTO é uma compilação de músicas próprias e inéditas. Como funcionou a criatividade das faixas deste álbum?

Cada canção é única. O disco não é cronológico. Nunca parei para pensar sobre a forma como fiz. Nem como faço as canções. Periga dar errado se eu sondar essas peripécias (risos). Simplesmente deixo a inspiração me levar. Geralmente, quando componho, penso automaticamente nos arranjos, nos vocais. Tenho a graça de fazer uma canção com tudo pronto. Já vem pronta em quase todos os sentidos. E no quarto foi assim.

 

Você começou sua carreira fonográfica com o disco CARPE DIEM de 2010. Daquele ano pra 2017, o que mudou na sua música?

Muita coisa e quase nada. No princípio, as letras eram mais críticas. Próprias de um certo resquício “adolescêntico” (risos). Mas a ideia central ainda é a mesma. Colocar para fora os clamores para sobreviver. Acho que essa é a essência e nunca perdi isso. Posso ter mudado as palavras, mas a mensagem é a mesma.

 

Você se considera um representante do cenário musical da Bahia? Se sim, por que? E quais são suas influências na Bahia?

Com certeza! Não por status, mas por ser baiano e muito orgulhoso de minha baianidade. Fazer o tipo de som que faço aqui só mostra que nós somos versáteis. Nosso estado é riquíssimo. Se vasculhar um bocado, perceberá que a música baiana é pulsante, poética, elaborada… Temos muita coisa boa por aqui. Vale sempre citar Caetano e Gil com a tropicália, além de Tom Zé com sua música irreverente. Raul com o Rock’n Roll. João Gilberto, que praticamente criou a bossa-nova. Além dos novos baianos, do samba e dos afoxés, bem como as músicas populares e os novos sons, como Laís Marques, Eddy Oliveira, Maglore… Desde a poesia de Castro Alves ao Folk/Indie, a Bahia fervilha. E sim, estou dentro desse caudilho. Apesar de ter um estilo um tanto diferente, Gilberto Gil é sim uma grande referência para mim. Acho Gil um gênio dos tempos modernos. Composição fenomenal, músico incrivelmente talentoso… Meus bisnetos saberão quem foi Gil e ele será, lá no futuro o mito que é hoje.

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

Continue Reading
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnglishPortugueseSpanish