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Música

Banda Contando Bicicletas leva o progressivo e o psicodélico ao encontro da MPB em álbum de estreia [ENTREVISTA]

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Por Emilia Alcoforado

 

É isso mesmo! Os caras da banda Contando Bicicletas uniram vários ritmos num só álbum, do progressivo ao psicodélico, do inimaginável à MPB. As 10 faixas autorais e inéditas foram inspiradas na música brasileira tradicional, contemporânea e alternativa. A ideia das do álbum é fugir da “cachola”, e aprender a enfrentar novas aventuras, como sugere o título.

“Foi quando estava indo para uma sessão da gravação que fiquei cantando as letras das músicas na minha cabeça até pensar em ‘Se Quer Aventuras’ […] Gostamos muito por ser algo sugestivo, de passar essa ideia de o que os ouvintes devem buscar no disco. É quase a gente chamando as pessoas para ouvirem as músicas. Além disso, achamos que é muito representativo do nosso som mais dinâmico, que tá sempre mudando e trilhando novos caminhos musicais”, conta Luiz Felipe Fonseca.

O disco mostra uma conexão maior entre os integrantes. Afinal, não é atoa que todos eles tocam e cantam.

Esse disco foi feito com muito carinho e cuidado. Ele significa muito pra gente e é muito carregado de sentimento. Sabemos que o som é bem denso e que para algumas pessoas não vai ser tão fácil de digerir de primeira, mas prometemos que quem der uma chance e entrar de cabeça nessa aventura com a gente vai encontrar algo de diferente ali. Temos recebido muitas mensagens carinhosas de pessoas que gostaram das músicas e no geral tem sido uma experiência incrível!”, comentou Luiz Felipe

 

Abaixo, confira uma entrevista na íntegra que fizemos com os integrantes do grupo.

 

 

Como chegaram na concepção do álbum? Vocês passaram por várias ideias até chegar o que está no disco…

Luiz Felipe: Foi um processo bem longo de composição. As músicas e letras foram trabalhadas mais ou menos desde 2014 até os últimos dias de gravação. Elas foram sendo escritas aos poucos e eu já tinha juntado algumas quando começamos a banda. Peguei várias ideias de músicas, me gravei com o celular e mandei pra banda. A partir disso, escolhemos quais dessas primeiras queríamos tocar. Mais músicas foram sendo escritas depois que começamos a tocar juntos e o disco foi tomando forma. Sempre fui pensando essas músicas mirando na ideia do álbum completo, imaginando que elas viviam em um mesmo universo e já planejando transições, temas, sonoridade.

 

Como vocês uniram o psicodélico, o progressivo e a MPB num só álbum?

Felipe Ribas: Psicodélico, progressivo, MPB com um tempero especial de math rock! Uma mistura dessas não tem como dar errado quando cada integrante do grupo traz sua própria bagagem musical, única, porém com intersecções naturais. Cada ideia de cada um de nós tem por trás as nossas diferentes influências. Mas uma coisa que temos em comum é certa: somos todos meio doidos. Doidos por sons. Quando se tem essa integração tão fluida, os rótulos de gênero começam a se dissolver… Fica apenas a música como ela é!

 

Vocês se inspiraram na música brasileira contemporânea e alternativa? Quais foram suas influências nesse meio?

Mateus Da Silva: Fazemos parte desse meio, vivemos e respiramos ele, então não tem como não sermos inspirados por ele! As nossas maiores inspirações dele são bandas como Baleia, O Terno, SLVDR e Mara Rúbia. E bandas amigas como Ruivo, Urso & Mogli e Kosmus, entre outras, também nos inspiram demais e nos motivam a seguir em frente. O mercado musical é difícil, mas tudo se torna mais fácil quando temos esses grandes exemplos a seguir.

 

A temática do disco é muito interessante. Quais são os assuntos tratados em SE QUER AVENTURAS? Como vocês trabalharam com esses temas?

Luiz Felipe: São temas que vêm de uma experiência muito pessoal. É basicamente um disco sobre amadurecimento e autoconhecimento, a aventura de descobertas e desafios associados ao processo. É uma coisa bem natural, cantar o que se vive. Claro que isso vem acompanhado de um pouco de medo de se expor demais, então acabo usando ferramentas para tornar as letras algo menos individual e mais abrangente, com a intenção de facilitar também que outras pessoas se identifiquem e até tenham outras interpretações. 

 

No disco, todos os integrantes cantam e tocam. Fale mais sobre isso.

Mateus Da Silva: Acho que isso foi se desenvolvendo muito naturalmente. Muitas das nossas referências musicais têm arranjos vocais bem trabalhados e isso foi algo que acabou saindo nas nossas músicas também. O Luiz e o Ribas já participaram do Coral da PUC-Rio (o Luiz continua fazendo parte) e tudo que eles aprenderam e praticaram lá certamente acabou ajudando nos nossos arranjos vocais. Para a banda, é uma maneira de criar um som ainda mais completo, com mais camadas, adicionando à base instrumental. 

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Mateus Da Silva: O primeiro final de semana de gravação já começou intenso: ele coincidiu com o final de semana em que eu ia correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro! Passamos o sábado inteiro no estúdio, e minha preocupação era dobrada: querendo que tudo rolasse bem com o início do trabalho e ao mesmo tempo sem saber se eu conseguiria descansar bem para o próximo dia. Bom, eu acabei machucando meu pé no meio da corrida mas consegui terminar, que é o mais importante. Cheguei mancando na gravação duas horas depois e gravei alguns takes de sax na música Atrito, que é a versão que acabou entrando no disco. Ainda não sei como tive energia para fazer tanta coisa num final de semana só, mas deu certo!

 

Fiquem à vontade para falarem o que quiserem.

Mateus Da Silva: Estamos muito felizes com a recepção do nosso disco até agora, e felizes com essa oportunidade de conversar com vocês! Para quem ainda não conhece nosso trabalho, dê uma ouvida e fala com a gente o que achou!

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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