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Música

Fundador da Secos & Molhados embarca carreira solo com disco LAGO AZUL [ENTREVISTA]

Matheus Luzi

Publicado

em

 

Gerson Conrad foi o fundador e membro original de umas das maiores bandas brasileiras, a Secos & Molhados. 37 anos fora do mercado fonográfico, o músico volta agora a carreira solo com o lançamento do CD LAGO AZUL, com 12 faixas autorais e com produção do próprio Gerson em parceria com o guitarrista e arranjador, Aru Jr.

LAGO AZUL é um daqueles discos que não se prende a um determinado estilo musical, não tendo assim rótulos, como já carta marcada na carreira de Gerson. Porém, o som do álbum passeia entre o rock e o blues, o pop-rock, entre outros.

Segundo Conrad, no álbum “pode-se ouvir referências e estilos musicais de toda a sorte.”.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Gerson.

 

https://www.youtube.com/watch?v=blOUUXogwSY&list=PLTaRWr5sdDvn5lpUFHg0QBi2PydjYWOE1

 

Para você, tem um pouco de Secos e Molhados em LAGO AZUL?

Eu diria que sem falsa modéstia, se os S&Ms estivessem atuando ainda hoje, estaríamos fazendo uma música muito próxima do que registrei em LAGO AZUL. Refiro-me à qualidade melódica e literária que considero uma evolução natural daquilo que pude contribuir para o extinto grupo.

 

Ainda nessa pergunta, você ficou 37 anos fora do mercado fonográfico. Esse tempo serviu como forma de “meditação” para a criação do álbum novo?

Serviu como amadurecimento e experiência de vida. Em verdade os 37 anos em que fiquei ausente do mercado fonográfico foi uma opção de bom senso em não confeccionar nenhuma produção independente. Explico: Sempre achei que minha contribuição para a indústria fonográfica ou, gravadoras, havia sido considerável no tocante à parte que me coube no S&Ms. Mudamos o comportamento da indústria de discos ultrapassando seis vezes mais o que vendia o “Rei” Roberto Carlos. Fomos um divisor de águas para a indústria fonográfica brasileira. Assim sendo, sempre considerei de que os produtores ou dirigentes dessas empresas, tinham no mínimo, a obrigação de escutar meus trabalhos. Gostarem ou não, não era a questão. O que eu sabia era que não me incentivava produzir independentemente pois, não teria como distribuir meus discos em território nacional ficando assim limitado a alcançar um público restrito em meus shows ao vivo.

 

E por que e quando surgiu a ideia de lançar esse trabalho?

Comecei a registrar em estúdio todo meu repertório de composições inéditas em janeiro de 2017, motivado pelo meu guitarrista, produtor e arranjador, Aru Jr., aproveitando a facilidade de seu estúdio doméstico. Em meados do mês de outubro, tínhamos material para alguns CDs. O intuito era o de organizar anos de composições inéditas, e não o de uma produção independente. Coincidentemente, tive nessa época, a oportunidade de conhecer e apresentar o que havíamos produzido ao Rafel Ramos da gravadora Deckdisc. Rafael, se encantou com o que ouviu e me propôs um contrato com a Deck para lançar um CD físico e,em mídias digitais, confirmando assim, minha intuição de que um dia, seria escutado por uma gravadora outra vez. Assim nasceu LAGO AZUL, após uma audição desse material e uma escolha das obras de primeira emoção.

 

Capa do álbum

 

 12 faixas compõem o álbum. Gostaria que você falasse um pouco do seu processo criativo.

O álbum LAGO AZUL, reúne algumas composições que datam dos anos 80, algumas da década de 2000 e outras mais recentes, dos últimos dois anos. Compor, para mim é quase um exercício diário. Registro ideias melódicas frequentemente e no momento de criação, muitas vezes uso desses registros para uma composição. Obras como LAGO AZUL, ESTAÇÃO, FEITO VENENO, MEIAS DE BRECHÓ, foram compostas na década de 80 quando comecei a escrever algumas letras ou poemas de próprio punho. Até então, só compunha melodias e dependia de amigos poetas ou letristas para finalizar minhas criações. _ Parceiros como Pedro Levitch vem à partir de 1986 quando nos tornamos amigos. TEIAS e AMAR ALGUÉM são dessa época, já GOTHAN CITY é do final dos anos 90. Já Alessandro Uccello, se torna um parceiro nos anos 2000.

 

Fale também sobre a questão musical e poética das faixas.

Sou um compositor eclético e considero a música que faço, de cunho universal, sem rótulos ou regionalismos. Meu trabalho enquadra-se no gênero Pop-Rock. Tanto a qualidade musical como literária é uma constante de meus registros em discos. Não vejo de outra forma quando escuto hoje em dia, TREM NOTURNO (Gerson Conrad e Zezé Motta – Som Livre 1975)  ROSTO MARCADO (Gerson Conrad – Continental 1981) ou, LAGO AZUL (Gerson Conrad – Deck 2018) sem dúvidas, herança do extinto S&Ms.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

(rsrsrs) Talvez, a composição LAGO AZUL, que em 1981 inscrevi para o último Festival Globo-Shell e que foi considerada “or concurr” pelo produtor Solano Ribeiro, conforme carta em papel timbrado da Rede Globo, que guardo até os dias de hoje, alegando que a música estava acima da média das composições concorrentes e, que por tal motivo, não participaria do festival. Acho que nada mais curioso do que esse fato. Ah! Outra curiosidade, é que o CD LAGO AZUL foi todo gravado por Aru Jr. e por mim. Por uma questão de logística, acabamos não convidando músicos para esse trabalho.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

“Feito a dança onírica de notas musicais.” Assim era e é, minha relação como músico, compositor e intérprete.

 

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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