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Música

[ENTREVISTA] Jorge Ailton traz o melhor da black music em álbum autoral AREMBI

Matheus Luzi

Publicado

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Capa do disco

 

AREMBI, disco lançado por Jorge Ailton, é realmente uma expressão muito forte da black music. O estilo é dominado por Jorge, assim como poucos. Sua história vem de longa data, começando seu fascínio com seu avô, o saxofonista Moacyr Silva, pelo batuque de João Nogueira, e pelo seu pai, Ailton Silva, ligado ao movimento da resistência negra. Essas foram suas inspirações mais próximas.

Depois, conheceu outros músicos, como Tim Maia (que tem forte presença na sonoridade de AREMBI), Michael Jackson, Prince, Earth, Wind & Fire, Hyldon, Cassiano. Todas essas influências levaram Ailton a compor as 11 faixas inéditas, sendo que algumas delas em parceria com outros músicos.

Para quem não sabe, Jorge Ailton trabalhou com grandes nomes da MPB, como baixista profissional desde 1999. Tocou na banda de Sandra de Sá por 5 anos, e na banda de Lulu Santos por 8. Além deles, Jorge já trabalhou com Toni Garrido, Paula Toller e Mart’nália.

AREMBI é o terceiro álbum solo de Jorge Ailton. O disco de estreia foi lançado em 2010, e é intitulado de O ANO 1.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Jorge Ailton.

 

 

 

Dá para perceber muitas influências da “música negra”, em AREMBI. Comente.

A música negra em todas as suas vertentes foi o estilo que mais ouvi e toquei em toda minha vida, principalmente a soul music, começando por Tim Maia, Hyldon, Cassiano e Banda Black Rio. Na música internacional Aretha Franklin, Chaka Khan, Stevie Wonder, Prince e Michael Jackson. Sendo assim, é muito natural pra mim compor, cantar ou tocar esse estilo. Me sinto em casa.

 

O quanto o fato de você ter tocado com Lulu Santos e Sandra Sá, entre outros, influenciou na sonoridade e no conceito do álbum?

Influenciou e influencia muito. É saudável incorporar características dos artistas com quem trabalhamos. A Sandra é um dos ícones da soul music nacional e toquei com ela por 6 anos, fui diretor musical da banda dela e aprendi demais. Com o Lulu Santos eu já trabalho há 9 anos seguidos, ele é um gênio, é o Rei do Pop e é uma daquelas pessoas das quais você é fã antes de conhecer e se torna mais fã ainda quando conhece. Além do talento musical, já conhecido por todos, é muito exigente e organizado e não admite entregar menos do que 100%, e isso é respeito ao público na minha opinião. Além disso, é um cara muito generoso que coloca os holofotes sobre seus músicos deixando que brilhem também. Sou muito grato por ter a oportunidade de tocar com esses mestres e além de Sandra e Lulu, toquei com a Mart’nália, minha parceira Paula Toller que lançou meu primeiro álbum, O ANO 1, Toni Garrido, que se tornou um irmão também, e meu amigo, ídolo e parceiro Hyldon.

 

Qual o conceito do nome “AREMBI”?

AREMBI é o jeito brasileiro de dizer R&B (Rythm and Blues), tão brasileiro que parece até um nome indígena. Então, se eles fazem R&B eu faço AREMBI, pois como já disse, aprendi a gostar desse estilo com os brasileiros que nos “traduziram” isso originalmente como Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Sandra de Sá e Banda Black Rio. É o abandono do complexo de vira lata, pois acho que desde que nos façamos entender, podemos dizer as coisas do nosso jeito, puxando para a nossa realidade.
Resumindo: AREMBI é a Black Music bem brasileira.

 

 

As músicas são suas? Se sim, como foi seu processo criativo?

As canções são todas minhas, sejam só minhas ou com parceiros.
O meu processo criativo passa pelo meu velho e surrado violão Di Giorgio. Fico tocando o violão e quando uma ideia ou melodia me chamam a atenção, eu gravo e anoto. Se dali for sair uma canção a ideia fica martelando na minha cabeça, é como se fosse uma espécie de desconforto que só para quando a música está pronta. Quando a letra é minha, ela já sai praticamente junto com a música como se fosse um download, mas quando eu empaco na letra é hora de chamar meus parceiros letristas e modéstia à parte tenho parceiros sensacionais como o Lulu Santos na faixa título AREMBI, Ronaldo bastos em SANSARA, Fernanda Abreu em DELICIOSAMENTE, Mila Bartlotti em SINE QUA NON, Lourenço Monteiro em O INÍCIO e Hyldon em CAROÇO.

 

Como você definiria a parte rítmica e poética do álbum?

Assim como o Rythm and Blues sugere, a parte rítmica é o balanço e a poética a melancolia, então sendo assim é um álbum de Balanço e Melancolia.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva AREMBI?

O álbum foi produzido pelo Fael Mondego que é meu amigo há mais de 20 anos. Um músico e cantor sensacional que hoje em dia trabalha mais com trilhas de cinema. Foi gravado no estúdio do Roberto Frejat pelo engenheiro de som Renato Munõz, ou seja, gravei o álbum numa condição técnica espetacular e exatamente do modo que queria fazer.
Estou muito feliz com o resultado e com a ótima repercussão.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

Aos músicos e artistas que estiverem lendo essa entrevista. Não esperem por empresário, gravadora (que quase não existe mais mesmo), por  ninguém. Gerem conteúdo, confiem na sua música, precisamos de renovação e para isso devemos ocupar espaço fazendo, tocando, gravando e lançando novas canções. Viva a música!

 

 

 

 

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