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Música

[ENTREVISTA] Em novo álbum da banda República Popular, o som da amazônia é o protagonista

Matheus Luzi

Publicado

em

Crédito: Lauren Lauschner

 

“HÚMUS PARTE 1”, é um álbum diferente de tudo que você já viu. O grupo República Popular entra na cena regional com este trabalho que traz a Amazônia como protagonista, com seus ritmos e todas suas belezas.

Lançado pela Sagitta Records, o álbum com 12 faixas tem a proposta de mostrar o regionalismo da Amazônia de uma forma mais descomplicada e acessível a todos.

“Queríamos que nosso segundo disco fosse uma homenagem ao Amazonas, mas não expressar isso literalmente. Que fosse um retrato da vida contemporânea aqui, nas letras e nos arranjos. Em determinado momento, percebemos que, morando aqui na maior floresta tropical do mundo, não tínhamos como não trazer isso para as músicas. O amor a sua terra natal é um sentimento muito carregado de legado, de passagem entre gerações, então falar como ciclo da vida cabe como uma luva quando falamos sobre nosso Estado”, analisa Vinítius, vocal e guitarrista da banda.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com os integrantes da República Popular.

 

https://www.youtube.com/watch?v=kfxAzPktQ7A&feature=youtu.be

 

Concordei com o release, de que esse é um trabalho ousado. O que vocês acham que mais caracteriza isso?

Num tempo onde a informação corre em velocidades extremas, as pessoas consomem as coisas e esquecem com a mesma facilidade, lançar um disco duplo, com 25 faixas, vai de contra-mão às tendências do mercado. O tempo de produção também foi algo arriscado, nos deixando muito tempo longe dos palcos, mas lançamos um single de 3 faixas, todas com clipe, pra garantir que continuássemos presentes na cotidiano do público. (Viktor Judah)

 

Vocês fizeram coisas muito diferentes no álbum. De onde vieram as inspirações?

Nós costumamos dizer, entre nós, que o HÚMUS” é o fim de um ciclo pessoal. Desde que começamos a fazer música, ouvíamos coisas muito diferentes, o que resultou sempre em um vasto estoque de ideias acumuladas. Nosso primeiro disco, o EP que lançamos em seguida e, agora, o “HÚMUS” são todo um transbordar de ideias e influências que acumulamos durante os anos e que precisávamos colocar em algum lugar. É legal dizer que essa pluralidade, eventualmente, é algo que até nos atrapalha e pode passar uma impressão de desfoque para quem ouve, apesar de acharmos que no HÚMUS” encontramos a uniformidade que faltava em meio às mudanças.  (Igor Lobo)

 

O que vocês querem transmitir com as letras (poesias) das faixas do álbum?

O conteúdo lírico do disco apresenta parte da história de cada personagem que compõe esse universo amazônico. Os contos convergem, mas não devem ser olhados de maneira linear e nem sob a perspectiva de um único protagonista. Cada letra e interpretação reflete o momento, o clima e em alguns casos até a hora exata do dia em que ocorrem os conflitos mais internos e aspirações de cada indivíduo cercado pela sua realidade. (Vinítius Salomão)

 

Vocês acreditam que os ritmos presentes em HÚMUS PARTE I possa influenciar outros projetos?

O “HÚMUS” chega como resultado de um momento criativo muito proveitoso da banda. Embora não saibamos o rumo que os próximos trabalhos vão tomar, algumas faixas já começam a guiar novos pensamentos, mas é importante dizer que ainda não há nenhum embrião. O “HÚMUS” vai apontar o caminho, sentimos que em breve. (Viktor Judah)

 

Quem foram os compositores das faixas? Como foi esse processo para vocês?

Majoritariamente, Viktor e Salomão assinam as canções. Em seguida, o Igor completa as 25 faixas. O processo de composição de cada canção e cada arranjo foi de intensa entrega. A gente conta ao longo do disco diversas histórias que se entrelaçam numa única grande história, compõem um universo bem singular. Nós falamos da Amazônia e da vida que pulsa nela. Nós somos amantes da terra, fazemos parte do povo e da cultura, então essa propriedade de falar do assunto acaba que, naturalmente, nos fez derramar muito do nosso sentimento pelo lugar, pelas pessoas e por cada circunstância em cada música. Então o processo, em suma, foi de muita entrega, dedicação e muito sentimento. (Sérgio Leônidas)

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

O disco foi gravado todo num quarto de poucos metros quadrados com isolamento improvisado e orçamento praticamente nulo. De longe, foi nosso maior desafio financeiro, técnico, logístico e até psicológico. Tentamos captar recursos para agilizar o processo de produção, mas não obtivemos sucesso e, por isso até, o álbum demorou mais ainda a sair. É 100% investimento nosso por carinho e desejo de apresentar uma nova proposta de música amazônida para o mundo.

Um fato curioso acontece em torno da música “AMAZÔNIA” que, para nossa surpresa, está sendo muito bem acolhida pelo público. Usamos essa canção como estandarte para tentar angariar incentivos para conclusão do disco, no entanto, ela era constantemente rejeitada e ignorada por curadores culturais locais. No final, tivemos a parceria de um dos maiores ícones da música do Amazonas entoando o refrão da mesma e estamos extremamente felizes com a recepção que ela está tendo. É gratificante e emocionante lembrar de tudo.

Início de novembro lançamos a parte 2 e entregamos o conceito completo do disco: um retrato de uma Amazônia orgãnica, verde, globalizada e contemporânea. (Vinítius Salomão)

 

 

 

 

 

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