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[ENTREVISTA] Rose Brant traz suavidade ao longo das faixas do disco “NO COLO DA FLOR”

Matheus Luzi

Publicado

em

Por Karina Burigo

 

Rose Brant já acumula 30 anos de carreira, mas “NO COLO DA FLOR”, é um álbum cheio de influências, com duas composições próprias e muitas outras de grande compositores, como no caso da canção que dá nome ao trabalho, composto por Sérgio Ricardo, um presente perfeito para a artista mineira.

O álbum traz questões ligadas ao universo feminino, como a irmandade, maternidade, respeito, ancestralidade, amor e também da efemeridade da vida e de seus ciclos espirais. O disco (físico e nas plataformas digitais) foi realizado através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com o patrocínio da UniBH.

A seguir, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com a cantora.

 

 

“NO COLO DA FLOR”, ao meu ver, é um álbum com muitas influências, não é? Fale um pouco sobre isso.

O fato de se fazer um primeiro trabalho fonográfico depois de 30 anos de carreira artística com certeza faz com que ele venha carregado de histórias e influências. Cresci em Minas ouvindo muito Clube da Esquina, por exemplo. Então não tem como isso não vir de uma forma muito natural. Para mim traz a sensação de pertencimento. O disco, que é todo de canções inéditas, já abre com um folk mineiro, meio progressivo, com violões de aço, em “O SABOR QUE O CÉU VAI CHOVER”, do Zé Renato e Márcio Borges. Mas também está presente em outros momentos, como na balada “MENINO VELHO”, de minha autoria e do produtor Tatta Spalla, que traz uma participação especial do Beto Guedes no bandolim e me faz lembrar muito das canções de “A PÁGINA DO RELÂMPAGO ELÉTRICO”, que para mim é um dos discos mais lindos de sua carreira. Já os sambas e bossas do disco me fazem viajar para outros lugares. No teatro representei grandes intérpretes da música brasileiras, como Dalva de Oliveira, Dolores Duran e a mineira Clara Nunes, que deixaram em mim suas marcas de vida e de representatividade. O samba “É UMA FESTA” da Fátima Guedes e Delcio Carvalho para mim representa bem isso, principalmente no arranjo e participação do Toninho Horta.  Já o samba “NOSSO AMOR É FOGUEIRA” me remete ao período que vivi no Rio e que conto com a presença de um de seus compositores, Pretinho da Serrinha, cantando comigo. Dessa mesma forma vem a bossa título do disco “NO COLO DA FLOR”, feita especialmente pra mim por Sergio Ricardo e Tatta Spalla. Sergio é um dos grandes compositores brasileiros, além de cineasta e pintor. Ele é, sem dúvida, uma grande referência artística para mim, por sua multiplicidade artística e um amigo especial.

 

O que você pretende passar com as letras do álbum?

Quando o projeto do disco se tornou realidade, eu resolvi que construiria através das letras das músicas que o comporiam uma espécie de “dramaturgia” poética e que seu conteúdo fosse cheio de leveza e positividade. Então assim fui norteando minhas escolhas.

 

E com as melodias?

As melodias tinham que seguir também este clima, evitando um excesso de tensão, mas sem retirar em certos momentos um pouco de dramaticidade. Nesta hora o produtor teve papel fundamental, pois quando selecionava alguma música, eu e Tatta discutíamos juntos a forma, arranjos e climas. Ele foi muito paciente e generoso, pois me ouviu bastante, me deixando muito à vontade. Seu talento também está presente em todas as faixas, em que toca todos os violões.

 

O álbum é repleto de composições de outros músicos. Como foi esse processo? Pelo que entende, as escolhas das músicas partiram da ligações delas com o seu momento atual…

Vou dizer que foi muito emocionante essa fase. Recebi canções de compositores maravilhosos, que daria pra fazer mais uns dois álbuns lindos! Alguns deles cantavam pra mim ao telefone, me contaram histórias únicas e me fizeram chorar de emoção inúmeras vezes. Mas este álbum veio neste ano de 2018, depois de um ano que saí das montanhas de Minas para São Paulo. Eu vivia em um lugar onde cultivava frutas, tinha horta e mata, ao lado de Belo Horizonte. Decidi que precisava florescer por aqui também, de maneira amorosa, doce e singela, porém forte e cheia de renovação, como a natureza. O álbum trata do feminino, do amor, do respeito à ancestralidade, da maternidade e da efemeridade da vida nos seus ciclos espirais.

 

O que esses 30 anos de carreira tem acrescentado no álbum?

Minha carreira sempre teve o teatro como referência. Sempre gostei de construir novos trabalhos, da sala de ensaios e de compartilhar ideias, trabalhar em grupo. A música sempre esteve presente em todos os espetáculos que participei. Também passei uma fase da minha vida experimentando repertório, cantando por muitos lugares. Quando me decidi cursar artes plásticas, busquei abrir minha mente para o espaço de criação artística em campo ampliado. Foi um divisor de águas que me levou a criar a Cia Cisco de Teatro, me fazendo partir do micro universo, deste pulso interior. Daí eu vi que a música era o centro de tudo. E que eu precisava viver isso de forma mais intensa. A necessidade de fazer um álbum de carreira surgiu nesse momento. Participei de todas as fases intensamente, inclusive no encarte, que tem algumas ilustrações que fiz durante todo o período de produção, como uma espécie de caderno de anotações.

 

Como foi para você e a equipe os processos de produção e gravação das canções?

Este processo foi muito interessante, pois gravamos em São Paulo, Rio e Minas. Quando começamos a produzir, tive a sorte de contar com a participação especial de músicos maravilhosos, que nunca, em meus mais profundos sonhos, imaginaria que um dia pudessem estar num trabalho meu. E vieram com tanta alegria e fé na música, que foram me fazendo acreditar cada vez mais que a arte salva e transforma a tudo que ela toca. As equipes dos estúdios que gravamos nos trataram com muito carinho, me fazendo sentir em casa, especialmente o Ronaldo Lima, do Estúdio Casa do Mato(RJ), que também fez as mixagens e Paulo Nicolsky, do Estúdio Abre Alas(MG). Tenho muita gratidão por todos dessa equipe enorme que envolve este trabalho. Eu espero que este álbum possa tocar o coração das pessoas.

 

Você tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o trabalho?

Talvez a criação da faixa “UM OCEANO EM MEU JARDIM”, seja a mais curiosa para mim. Esta canção “nasceu” em uma viagem à Bahia, a partir de imagens em vídeo que captei onde me hospedei por uns dias na casa do incrível cientista político Luiz Gonzaga Souza Lima. A letra foi inspirada em nossas conversas e a melodia foi gravada primeiro à capela. Só depois ela ganhou o arranjo especial de violoncelo do Iura Ranevsky, acompanhado pelo violão do Tatta  e complementada pela percussão que o Marco Lobo trouxe com cabaçãs cheias de água. O resultado nos remete a um lugar meio cinematográfico e de descanso. Em breve as imagens se transformarão em clipe e estarão nas redes.

 

Fique à vontade para falar o que quiser

Eu quero convidar a todos que acompanham as publicações e matérias desta revista para ouvir o álbum “NO COLO DA FLOR” nas plataformas digitais e que me acompanhem nas redes, divulguem e compartilhem se gostarem. Para nós, artistas independentes, isto é fundamental! E em 2019 estaremos fazendo a estreia do disco nos palcos!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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