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Entrevista

[ENTREVISTA] Banda Acrílico resgata o melhor do psicodelismo e sugere novas sensações no EP “Limbo”

Matheus Luzi

Publicado

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(Capa do EP)

 

A arte psicodélica é para todos, e deve ser acessível. Esse é um dos nortes da banda Acrílico ao lançar o seu EP de estreia, “Limbo”, um trabalho que une 5 faixas inéditas e autorais, que dialogam o psicodelismo, e abre espaço para o ouvinte experimentar novas sensações.

‘Limbo’ vai ser um divisor de águas na nossa história, é a consolidação de tudo que construímos até aqui, pois agora a gente passa definitivamente a existir publicamente para quem quiser ouvir. É também a profissionalização da banda, a partir de agora a gente já busca construir uma imagem mais sólida, tanto visual quanto musical”, reflete Pedro Mendes, guitarrista da banda.

O lançamento é via selo Casa da Árvore Records, a produção musical é de Braz Torres Neme, e as gravações aconteceram no Complexo Estúdio.

 

Abaixo, você confere na íntegra uma entrevista que fizemos com os integrantes da Acrílico sobre o EP “Limbo”.

 

 

O EP é bastante psicodélico. Como chegaram nessa sonoridade?

Manoel Siqueira: Acredito que é o estilo musical onde todos na banda se encontram, apesar de não termos o mesmo gosto musical em diversos gêneros, na música psicodélica nos encontramos, e começamos a buscar a vertente do nosso som.

Renato Oliveira: No meu caso acabei recorrendo a uma verdadeira obsessão que tenho em bandas que apostam em texturas e paredes sonoras em volta da sua música, eu sempre gostei de músicas com guitarras ruidosas e sintetizadores que criam uma verdadeira atmosfera sonora.

Pedro Mendes: Acho que esse lance da ambientação e da textura sonora é uma unanimidade entre todo mundo da banda. Nós nos preocupamos muito com o todo, para que cada instrumento contribua para a sonoridade final. Eu gosto muito de timbres estranhos e de experimentar na criação de riffs e de harmonias, acho que isso contribui para a sonoridade psicodélica e densa.

Tai: Trabalhamos nessas músicas por um bom tempo então tivemos chance de testar várias coisas e ver como elas se encaixavam. No começo éramos mais apegados a essa vibe psicodéica de muita informação, mas com a entrada do Renato ficamos mais preocupados em soar bem em conjunto. 

Lucas Santana: Esse ar psicodélico foi mais uma preocupação inicial, como disse o Tai. Mas o resultado dele no EP foi mais como um fruto de todo o trabalho que tivemos em colocar uma intenção para cada instrumento nas músicas. Por ser uma característica de cada integrante da banda, foi algo que acabou vindo naturalmente.

 

Parece que não é só a parte musical que é psicodélica. Revisando as faixas do EP, dá para perceber que as letras também trazem esse tom psicodélico. Estou certo?

Manoel Siqueira: Sim, está! Mas sinceramente para mim não foi intencional, quando escrevi estava inspirado por questões existencialistas e meu principal foco era expressar o que sentia naquele momento. Mas acredito que internamente pela banda e influências do gênero acabaram soando como soam.

Pedro Mendes: Demais! Eu contribuí com as letras de “Pó”, “Inverno” e parte de “Velho”. Eu sou apaixonado por imagens sinestésicas e surrealistas, tento trazer para as minhas letras a mesma pegada onírica que levamos para as músicas. Sempre busco falar de sentimentos abstratos, eu escrevo o que eu sinto. Para mim o que mais importa nas minhas letras é a sensação, e igual o Renato falou, a abstração possibilita que cada um possa ter uma experiência muito íntima e única com a música.

Renato Oliveira: Com certeza! No presente trabalho eu não contribui com letras, mas existe uma preocupação de todos nós para que nosso trabalho seja internamente coerente e que assuma conceitos e formas necessárias a quem ouve. Para que isso aconteça nós tentamos apostar no que é mais abstrato, com a intenção que o nosso ouvinte “complete” o significado da obra de forma mais íntima.

 

Ainda nessa questão, as letras das cinco músicas do EP são muito existencialistas. Essa temática é algo orgânico dos compositores Manoel Siqueira e Pedro Mendes?

Pedro Mendes: Exato! Eu pego mais pro lado do absurdismo, o Albert Camus é o filósofo e escritor que mais me influenciou em toda a minha vida, tanto na forma de lidar com as coisas quanto artisticamente. Minhas letras são totalmente reflexo de um pensamento absurdista de mundo, e isso une com a minha vontade de escrever sentimentos abstratos. Eu escrevo minhas angústias principalmente existenciais e sociais, e cada um absorve de acordo com a sua vivência.

Manoel Siqueira: Com certeza! Sempre fui adepto de livros e filmes que debatem a questão da existência, a reflexão sobre o cotidiano e o tempo são questões que me interessam e estão presentes nas músicas.

Renato Oliveira: Eu sou suspeito para falar dos meus parceiros e amigos de banda, mas acho que toda a atmosfera da banda é muito orgânica para todos nós.

 

O que vocês consideram ser essencial neste EP? O que mais chama a atenção neste trabalho, para vocês?

Renato Oliveira: Pessoalmente acredito que o essencial desse trabalho é o nosso convite para as pessoas se permitirem experimentar novas sensações, percepções e pensamentos. Para mim, o que mais chama a atenção é apostar nas texturas de som para envolver o nosso ouvinte nesse pequeno universo que criamos com a obra.

Pedro Mendes: O essencial nesse trabalho pra mim é tocar o máximo de pessoas, levar a reflexão no seu âmbito mais íntimo para cada um. O que mais chama atenção, na minha visão, é a unicidade entre a densa camada instrumental e as letras.

Tai: Com toda certeza a letra e as sensações introspectivas associadas a ela, acaba que todo o trabalho que temos nos arranjos são para construir algo em volta do que a letra representa.

Lucas Santana: Queríamos que as letras estivessem bastante evidenciadas em todas as faixas de uma forma que dialogasse bem com o instrumental, e acho que acabou dando certo.

Manoel Siqueira: O essencial para mim é a reflexão das letras e a experimentação sonora.  Levando as pessoas a saírem da sua zona de conforto e buscarem novos pensamentos e sons, a partir do que nós nos propomos.

 

Como foi produzir um trabalho tão diferente e inusitado?

Lucas Santana: Foi fantástico! Muitos elementos foram pensados, e tantos outros simplesmente aconteceram. Ficamos muito tempo experimentando novas sonoridades até chegarmos nas versões do EP. Então ter gravado e lançado esse projeto foi muito gratificante para a banda inteira, e a realização de um desejo desde 2016.

Renato Oliveira: Para mim foi a experiência que sempre idealizei desde que sou adolescente. Por muito tempo refleti para onde minha trajetória musical me levaria. Vendo onde chegamos, em um trabalho tão sincero, me sinto realizado por poder fazer músicas acessíveis, mas podendo dar espaço para a experimentação.

Pedro Mendes: É literalmente a realização de um sonho (risos). Eu desde muito novo escrevo músicas, e esse foi o primeiro trabalho que lancei para o mundo, e ao lado dos meus melhores amigos. Eu estou muito satisfeito com todo o resultado, porque apesar de qualquer coisa que rolar daqui pra frente, esse momento e essa época tá marcada pra sempre.

Tai: Fico bem grato e feliz por esse elogio. Todos nós sempre gostamos muito da proposta da banda e o que ela poderia ser, então fomos bastante insistentes para que pudéssemos chegar a um resultado satisfatório.

 

Quais foram suas referências?

Manoel Siqueira: Tame Impala, Pond, Mc DeMarco, Caetano Veloso, Boogarins, O Terno.

Renato Oliveira: Acredito que o que mais me influenciou para esse trabalho foi o contato e a imersão que tive com bandas como Slowdive, My Bloody Valentine, Homeshake, Tame Impala e Aphex Twin.

Lucas Santana: Eu me inspiro muito em bateristas específicos, e em bandas como Joy Division, My Bloody Valentine, Sunny Day Real Estate, O Terno, Caetano Veloso, Novos Baianos, entre tantas outras.

Pedro Mendes: Bandas como Beach House, Pond, Slowdive, My Bloody Valentine, Radiohead, Deerhunter me influenciaram diretamente, tanto com o instrumental quanto com o conteúdo lírico.

 

Vocês têm alguma história ou curiosidade interessante que queiram nos contar?

Pedro Mendes: Eu tenho! “Pó” foi a minha primeira letra em português, lá para meados de 2015 (risos). Antes disso eu só me aventurava em escrever em inglês, e grande parte da minha mudança e estudo para compor na nossa língua materna veio da influência do nosso baixista, Tai.

 

Fiquem à vontade para falarem algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

Pedro Mendes: Queria agradecer vocês pela oportunidade, pelas perguntas e pela audição sincera do nosso som. Ficamos muito felizes de poder falar um pouco sobre o nosso trabalho. Obrigado!

Lucas Santana: Primeiramente obrigado por ceder esse espaço para a gente, e também deixar nosso agradecimento a todos que contribuíram para que esse EP saísse: ao Braz, por ter captado e mixado tão bem nossas músicas; à Laura, que produziu a capa do álbum, e a todos aqueles que acompanham a banda.

 

 

 

 

 

 

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