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[ENTREVISTA] Velhas Virgens completa 30 anos de estrada com o melhor do rock independente

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(Foto/Divulgação)

 

Há trinta anos, surgia a banda Velhas Virgens, o bom humor e a celebração da vida. O começo foi marcado pelo lançamento de dois discos, e um terceiro que não “queria” sair, ninguém queria gravar. Foi então que Alexandre Cavalo despertou a ideia de abrir o próprio selo do grupo, o que tornaria a Velhas Virgens percursora no cenário independente, quando a internet ainda era discada.

“Era desistir ou encontrar um novo caminho. Resolvi tocar um foda-se que mudou minha vida. Quando falei pra banda que iria fazer a gravadora, mudar toda nossa divulgação para uma coisa chamada Internet (na época ainda discada), comprar os dois outros CDs e colocar no catálogo e lançar o novo disco de uma forma diferente, ninguém me ouviu. O Paulão até me falou que esse negócio de internet nunca iria funcionar. O problema é que não havia opção. Era pegar ou largar.”, comentou um dos integrantes e fundadores da banda.

O tempo foi passando, e o carisma com o público só cresceu. Conhecida por ver a vida de uma maneira simples de forma bem humorada, a Velhas Virgens acumula 12 discos lançados. O mais recente trabalho, é o single “O Bar Me Chama”, canção que convida os amantes da cerveja a deixarem as exigências sociais para se divertirem um pouco.

Trinta anos de história não poderia passar de forma despercebida. Como forma de homenagem, a Arte Brasileira entrevistou a banda, com respostas do integrante Paulão de Carvalho. Confira:

 

 

Todas as respostas são de Paulão de Carvalho

 

Vocês estão trabalhando desde sempre como banda independente. Hoje, isso é algo normal. Mas, e para vocês, como é ser “a maior banda independente de rock”?

Nossa independência não foi uma opção, mas uma falta dela. Lançamos um primeiro disco por uma gravadora independente que nos enganou. O segundo pela Velas, do Vitor Martins e do Ivan Lins. O terceiro ninguém queria. Aí Alexandre “Cavalo” abriu nosso próprio selo e passamos a lançar nossos discos por ele. Viramos autossuficientes. A independência nos obriga a fazer muitas parcerias e depender de muita gente. Mas as diretrizes do trabalho somos nós que determinamos. É como diz uma letra nossa: “nós somos donos do nosso puteiro…”. É uma honra poderosa e esta atitude arregimenta muitos admiradores da nossa liberdade. Somos independentes de 1997. Precursores de uma tendência. Coragem é um produto raro e sedutor.

 

Ainda nessa pergunta. Vocês se consideram, de alguma maneira, pioneiros na divulgação da banda na internet? E como vocês enxergam hoje as redes sociais para os artistas? Vi que em 1998, um dos integrantes até disse que “esse negócio não iria funcionar”.

Esse integrante sou eu (Paulão de Carvalho). Cavalo sempre enxergou as coisas antes. Viu na internet uma janela para acessarmos nosso público quando ela ainda era discada. Somos pioneiros, sim. As redes sociais e as ferramentas estão cada vez mais abrangentes e acessíveis então, sair do ostracismo para a fama mundial está cada vez mais fácil. O caminho inverso é ainda mais rápido. As pessoas ficam na “virtualidade” e esquecem que a base de qualquer trabalho musical é o palco, a estrada. Sem isso, o que a rede social projeta desaparece com a mesma rapidez e facilidade. Fomos os primeiros a lançar um cd autoral em bancas de jornal no Brasil. Que está na independência tem que ser criativo.

 

O público aqui do site da Arte Brasileira está muito envolvido com a música. Vi que vocês fizeram um trabalho de “formiguinha”, conquistando grão em grão. Para o nosso público, qual mensagem de motivação e dicas que vocês podem passar para o crescimento e a divulgação?

O segredo é fazer um trabalho de divulgação e manutenção. Tratar o público com respeito, como um parceiro que sempre quer coisas novas. Se as ferramentas hoje estão muito à mão, por um lado, por outro a concorrência aumenta muito. É preciso ser original e ter coragem. E oferecer qualidade. Mas a inspiração é a menor parte do trabalho. Mais importante é a persistência, a transpiração. Nada resiste ao trabalho.

 

Vocês são muito espertos e empreendedores [rsrs]. Depois de um tempo de estrada, já com carreira sólida, vocês lançaram seus próprios produtos, como camisetas e até mesmo cervejas artesanais.

Os fãs estão sempre atrás de novidades. Gifts, lembranças. Mas no que diz respeito à cerveja, quem consome mesmo é o público cervejeiro. O fã compra uma garrafa e põe na prateleira. O bebedor de cerveja compra sempre, desde que seja uma boa cerveja. Nossa cerveja, criação do baixista e Mestre Cervejeiro Tuca Paiva e prima pelo Drinkabillity. Fazemos em parceria com a Cervejaria Invicta de Ribeirão Preto.

 

Levando em consideração o som diferente que vocês fazem, quais foram os desafios que encontraram no meio do caminho?

Nosso som é um rock’n’roll simples e direto, falando de boemia, sexo e diversão. No fim das contas, falamos de liberdade num mundo cada vez mais careta e doutrinado. A dificuldade são a sinceridade e a crueza. O rock, desde o movimento grunge dos anos 90, não tem estado no mainstream. No Brasil há dezenas de movimentos musicais mais populares que o rock, desde funk carioca, pagode e sertanejo até technobrega, axé, arrocha, forró e por aí vai. Então, você está sempre batalhando locais para mostrar seu trabalho. Mas no palco somos poderosos. Nosso show seduz até quem não gosta de rock. Porque tem humor e muita coragem.

 

E hoje, ainda há dificuldades e novos desafios?

O desafio é sempre manter a trupe na estrada, lançar o próximo disco, fazer o próximo clipe. É sempre uma ação entre amigos. O desafio é seguir em frente. Montar banda qualquer um monta. Difícil é manter.

 

Autenticidade é uma peça fundamental em uma banda, e vocês tem muito isso. Porém, acho interessante a gente saber as referências da Velhas Virgens.

As referências sonoras são as grandes bandas da história, como Led, Creedence, Stones, Beatles… Chuck Berry, Little Richard, Elvis… Em termos de letra, bandas que cantam em português como Barão, Ultraje e Camisa de Vênus, sem esquecer lendas como Made in Brazil, Joelho de Porco… O humor advém daí, mas também de Premeditando o Breque, Língua de Trapo… E de coisas de fora do rock, como Bezerra da Silva, Moreira da Silva, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro. E textos de Augusto dos Anjos, Nelson Rodrigues, Baudelaire, Charles Bukowski.

 

Uma pergunta óbvia que qualquer jornalista faria [HAHA]. Há algo por trás do nome da banda?

Há um filme do cineasta Amácio Mazzaropi de 1979. Mazzaropi sempre buscou uma linguagem brasileira no cinema. Modestamente, fazemos o mesmo com nosso rock, misturando humor e um bocado de ironia. Mas quando as pessoas ouvem o nome da banda, geralmente pensam em esculhambação, em bebedeiras, meretrícios e sexo. Estas coisas gostosas da vida.

 

 

 

 

 

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