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Andrea Ferrer explode sensibilidade em novo EP

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(Foto de Victor Curi)

 

“Inteira”, o novo EP da cantora e compositora Andrea Ferrer, embarca um amor em cinco canções que passeiam pelo samba-canção, tango, blues e a MPB.  “Precisava colocar para fora um pouco da minha essência e do meu romantismo. Eu era aquela criança que escrevia sobre amores platônicos, trágicos, e que aos poucos foi amenizando o amor no coração”, diz ela.

Este EP significa o um novo recomeço, depois de anos em luto, com a morte do grande amigo e produtor musical, o baixista Luca Maciel, que arranjou os dois primeiros álbuns da artista, “Séculos” (2003) e “Andrea Ferrer” (2010). “Inteira” tem em uma de suas raízes, o encontro da artista com o pianista e tecladista Misael da Hora em 2014, que veio a se tornar o novo produtor de seus trabalhos musicais.

 

 

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Um retiro na casa da família, na praia de Itaparica, foi providencial – alguns dos versos, a cantora literalmente escreveu na areia. “Foi um processo de busca da liberdade e do autoconhecimento”, conta ela, que em pouco tempo reuniu uma série de letras, as quais passou para os seus parceiros musicais. “Inteira”, no entanto, abre com a canção que ela fez sozinha ao longo dos anos, versos e melodia. Com toques contemporâneos de percussão eletrônica, “Amor sem fim” vai entre o tango (no acordeon de João Carlos Coutinho, em participação especial) e o blues, para revelar-se, enfim, um atemporal samba-canção. “Busquei te encontrar como um farol a me guiar”, canta Andrea, deixando escapar uma das várias imagens marítimas que permeiam as músicas do EP.

Três outras faixas de “Inteira”, ela fez com o paraibano Tadeu Mathias, compositor profissional (de canções para disco, teatro e publicidade) e ex-vocalista da banda de Elba Ramalho. Uma ingenuidade praieira e o doce toque de bandolim (de João Gaspar) conduzem “Te quero comigo do lado de cá”, música de sabor antigo, daquelas que deflagram reminiscências sem que se saiba bem a razão. Noutro departamento, o da Bahia carnavalesca e funky evocada no arranjo de Misael da Hora, eles se encontram em “Transbordando”, a trilha da libertação de Andrea: “Vou aonde eu queira me levar / vou com o vento, vou com o mar”. Por fim, ela e Tadeu retornam à ternura com “Me dá tua lua”, toada com refrão matador, que existe naquele universo de desmedida típico da mais popular música brasileira: “Te quero tanto, te quero assim, te quero todo, te quero em mim.”

O EP se completa com “Vem pra mim”, um sambolero com toque de Novos Baianos, feita por Andrea com a irmã, a também cantora Daniella Firpo, e o italiano Roberto Grignolio. Nos versos com fragrâncias de Aldir Blanc, encontra-se o relato um amor que saqueia e incendeia, sem poupar vítimas. “Quando o corpo de se expande / sonho rompe a medida / não queira que eu siga”, recomenda a cantora ao ouvinte, esse cúmplice da sua paixão. Acompanhada no disco pelo produtor e arranjador Misael (piano, teclado e programações) e por João Gaspar (violão de aço, guitarra e bandolim), Tuca Alves (violão de nylon, violão de aço e guitarra), Léo Guimarães (contrabaixo), Mafram (percussão) e Rodrigo Dias (bateria), Andrea Ferrer agora não tem mais o que esconder: está pronta para o mundo. Inteira, enfim.

 

(Foto de Victor Curi)

 

SOBRE ANDREA FERRER

De família de cantores, Andrea Ferrer nasceu na Bahia e mora no Rio de Janeiro. Com formação em música e em teatro, lançou dois álbuns em circulação nacional – “Séculos” e “Andrea Ferrer”.

Em sua última turnê e projeto artístico, “Versos e Reversos do Amor”, com Misael da Hora, apresentou composições próprias junto com músicas de Chico Buarque, Caetano, entre outros, em diversas casas noturnas, como o Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro e em Salvador. Antes, fez temporada com o show “Andrea Ferrer Canta Família Gonzaga” também no Rio e Salvador, reverenciando a obra de Luiz Gonzaga – o Rei do Baião – e Gonzaguinha, em releituras que valorizam o toque particular que Andrea traz às canções. Entre seus projetos musicais, destaca-se também o show “Caetaneando”, no qual interpretou músicas de Caetano Veloso, em várias capitais.

 

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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