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Entrevista

[ENTREVISTA] Arte e religião – Amanda Rodrigues quebra o gelo em seus lançamentos

Matheus Luzi

Publicado

em

arte e religião

(Capa do single “Distrações”)

 

Foi-se o tempo em que as músicas sacras e pagãs eram separadas pelo muro intransponível da intolerância, dividindo assim a arte e a religião. Com o público brasileiro mais maduro, cantores antes segmentados por suas crenças religiosas, hoje, abrem-se para parcerias musicais capazes de levar a sua arte para fora das paredes de um templo.

No exterior, esta questão já é tratada com naturalidade e há diversas parcerias de sucesso entre os dois mundos. Não há como deixar de mencionar o single “I’m Getting Ready”, de Tasha Cobbs e Nicki Minaj, ou a participação de Bono Vox, da banda U2, na faixa “Lean On Me” de Kirk Franklin – que reuniu também diversos artistas do segmento gospel internacional.

 

AGORA É A VEZ DOS BRASILEIROS 

No Brasil, o cantor Ton Carfi, por exemplo, já tem músicas gravadas com Bruno, vocalista do grupo Sorriso Maroto, Buchecha e MC Livinho – com a canção “Minha Vez”, que já beira os 50 milhões de visualizações no YouTube, marca que demonstra a aceitação que ambos os públicos tiveram, embora sejam diversificados.

Davi Sacer, por exemplo, seguiu com a quebra de paradigmas ao convidar Simone, da dupla Simone & Silmara, para participar do projeto em homenagem aos seus 15 anos de carreira, gravando “Deus de Promessa”, faixa que ultrapassa a marca de 100 milhões de visualizações.

Outro case de sucesso foi entre Amanda Rodrigues e Pedro Mariano. A musicista lançou, no mais recente Dia dos Namorados, o single romântico “Mais”, que combinou perfeitamente com o cantor de MPB, que traz em seu repertório diversas canções para casais. A parceria gerou bons frutos, abrindo portas para diversos programas de TV, entre eles, o “Todo Seu”, da TV Gazeta, e os programas Ritmo Brasil e Mariana Godoy Entrevista, da Rede TV.

 

O ASSUNTO PARA AMANDA RODRIGUES

Quando questionada sobre o fato de suas músicas fugirem dos jargões religiosos e abordarem temas que permeiam a vida, Amanda conta que a música cristã não deve tratar apenas de um contexto específico. “Quando rendemos nossa vida a Cristo, nós rendemos ela por inteiro. Faz sentido não cantarmos sobre política, relacionamentos e até mesmo sobre a beleza de um pôr do sol só porque somos cristãos?”, conta Amanda.

Com composições que fogem ao uso do “evangeliquês”, ela destoa da grande maioria dos cantores do segmento gospel, compondo letras poéticas que podem facilmente ser apreciadas por pessoas que não professam da mesma fé.

Recentemente, a artista lançou o single “Distrações”, seu segundo trabalho em parceria com a gravadora Musile Records. A faixa discute a inconstância do ser humano e a busca por mudança e já está disponível nas principais plataformas digitais e no canal no YouTube da gravadora.

 

arte e religião

Com Amanda Rodrigues, sobre o assunto “Arte e religião”

 

Amanda, primeiramente, obrigado por ter aceitado esta entrevista, e a primeira pergunta que faço é: O que te motivou a lançar “Distrações”? pois quando lemos a letra, ela não fala diretamente de Deus, mas sim de uma questão existencial. No entanto, por trás, está a relação sua com a divindade. Isso quebra muito o gelo entre a arte e a religião.

Acredito que uma canção quando chega aos ouvidos de quem ouve tem diferentes interpretações e eu acho isso fantástico. Porque independente do que tenha me inspirado a escreve-la, ela pode ter o sentido que o ouvinte dá. O que me inspirou neste caso foi sim a minha relação com Jesus. Porque as vezes a gente tem mania de querer orar já com um tipo de filtro [risos], dizendo pra Ele o que a gente queria que fosse, e não o que realmente é. E em todas as minhas orações que viram canções eu tento ser o máximo sincera e real possível com Ele.

 

Ainda sobre este lançamento, a que você se refere com o termo “distrações”?

Eu chamei distração tudo aquilo que me tira do meu foco. Sendo o meu foco o maior mandamento da fé cristã que é amar a Deus acima de todas as coisas.

 

Nesse prisma, que tipo de mensagem você poderia levar para o público já habituado com as típicas canções religiosas?

A minha missão como artista e compositora é primeiramente ser muito fiel aquilo que queima no meu coração pra dizer. Eu não começo a escrever partindo do “o que o público vai ouvir?”, mas do “sobre o que eu quero falar?”. Eu falo da verdade do meu coração e daquilo que eu acredito. E eu falo do meu jeito. Dito isso eu gosto de escrever canções fora daquele lugar comum da religião, ou seja, fora daquele ambiente da igreja, onde nos reunimos pra cultuar e etc. Gosto de falar das questões da vida e de coisas do cotidiano.

 

E por outro lado, o que você diria ao público que não está no meio religioso?

Eu sinceramente encaro isso de maneira muito natural e eu vi isso com muita alegria porque acredito que nosso público esteja vivendo um outro momento. Acredito que temos amadurecido na nossa fé.

 

(Retrato de Amanda Rodrigues – Foto/Assessoria)

 

Como foi para você gravar “Mais” com Pedro Mariano?

Foi uma experiência maravilhosa! Já o admirava o Pedro antes e ele é um cara sensacional. E a parceria rendeu. A gente tem feito algumas coisas juntos e eu estou extremamente feliz com essa troca que tem acontecido entre a gente. Tem me enriquecido muito.

 

Quais são seus projetos para o futuro? Onde quer chegar? A arte e a religião agradecem seus próximos passos…

Eu tenho alguns projetos pro futuro. Tô vivendo um momento assim bem focada no meu trabalho. Além dos singles que ainda temos pra lançar pela Musile desta live linda que fizemos. Vou lançar um projeto que vai ser bem inovador pro mercado acredito eu [risos]. Fiquem ligados ai nas minhas redes sociais.

 

Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante(s) para nos contar referente a esse assunto e a sua carreira como um todo?

Acho que a maior curiosidade e que eu nunca pensei que fosse ser cantora e mais eu nunca desejei isso. Se você conversar com meus pais eles vão te dizer que em nenhum momento eu manifestei tipo “quero ser cantora…”. Sempre cantei na igreja, sempre me envolvi com a música, mas eu queria levar isso mais como um hobby mesmo. Eu sou apaixonada por produção musical e pelos bastidores da música e era com isso que eu queria trabalhar de fato. O cantar e compor profissionalmente foi algo que foi acontecendo na minha vida.

 

Sinta-se à vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito. E já agradecemos também pela atenção em falar da ligação da arte e da religião, isso é essencial.

Muito obrigada pela oportunidade de falar um pouquinho mais das minhas canções e da minha arte. Fiquei extremamente feliz com o convite.

 

 

 

 

 

 

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