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Entrevista

[ENTREVISTA] Em nome do reggae, projeto URC cobiça revolução musical em Santa Catarina

Matheus Luzi

Publicado

em

 

Diante de um cenário musical cada vez menos diversificado, o reggae busca o seu merecido espaço. Essa proeza está sendo alcançado desde agosto deste ano pela URC, sigla de União Reggae Catarinense, cujo o objetivo é fortalecer o gênero no estado de Santa Catarina. Idealizado por Magrão Lion e Cléo Borges, o projeto já trabalha com 45 bandas autorais. 

Com a popularização da internet, as distâncias se encurtaram. A URC tira bom proveito deste fenômeno, e assim, organiza as movimentações artísticas do projeto com mais simplicidade e agilidade. Eventos, clipes, gravações e muitas outras delícias são saboreadas pelas bandas apoiadas e também pelo público feliz com a novidade.

“O objetivo do grupo é aquecer o atual cenário do reggae, transformando velhos pensamentos e conceitos associados ao estilo, e atualizando o atual panorama da música sem perder a tradição. Porque é desta forma, movimentando todo o mercado de shows e áudio visual em geral, que a URC busca a atenção do país para a música autoral de Santa Catarina”, comenta o coordenador do projeto, Magrão Lion.

Em profundo respeito a evolução e preservação da música brasileira, nós abrimos espaço para que você entenda em detalhes o projeto, e quem sabe assim, inspirar novas mentes brasileiras para novas ideias como esta!

 

Todas as respostas são do coordenador do projeto, Magrão Lion

Os clipes abaixo são de bandas que fazem parte da URC

 

– De onde partiu a ideia da URC? E como esse projeto deu seus primeiros passos?

Pra quem não me conhece, eu sou o Magrão, ex-vocalista da banda Os kmaradas, que teve seu grande momento em 2001 com o Hit nacional “Os Seis manés” onde tive a oportunidade de conhecer muitos lugares e pessoas do meio artístico. Em 2009 me afastei da música e fui trabalhar com Marketing e produção de eventos. Me mudei para Florianópolis em fevereiro/2019 em busca de qualidade de vida e aqui chegando senti uma grande vontade de fazer algo na música novamente. Procurei o amigo Cléo Borges da banda Irie e criamos um novo projeto a “Qback”.

Então comecei a estudar o mercado para melhor divulgação da banda, me deparei com um cenário reduzido, algumas bandas tentando cavar espaço, bem diferente do que eu havia conhecido em 2002, período em que estive por aqui fazendo shows. O Cléo já vinha desenvolvendo um trabalho junto com o Ras Bernardo (ex-cidade negra) e unindo algumas bandas de Floripa em shows, mas com pouca repercussão. Então disse à ele sobre a minha vontade de unir as bandas do estado, e usar as redes sociais como ferramenta e ele me ofereceu apoio de pronto.

Fiz os primeiros convites e criei as primeiras ações de marketing em massa e em pouco tempo começaram aparecer bandas interessadas em participar do projeto, demonstrando a mesma vontade, e isso se alastrou rapidamente.

 

– Ainda nessa pergunta, a URC veio para cobrir alguma espécie de ausência dentro do universo reggae na região de vocês, ou até mesmo no Brasil como um todo?

A URC trás a atualização da cena Reggae em Santa Catarina e já temos notícias que está motivando outros estados também, traz visibilidade, oportunidade e anuncia novos tempos. É a nova mídia, ela é nossa TV, nosso Rádio, nosso Jornal. Estamos recebendo o apoio de várias rádios, produtores de vídeo, estúdios e casas de shows, gente que gosta de reggae. As bandas estão voltando a produzir, compor, e algumas estavam em fase final, já se reestruturam, estão gravando, fazendo vídeo clipe, agora enxergam a possibilidade de divulgação, através das playlists e das redes sociais da Urc.

 

 

 – Você diz que as 45 bandas que compõem o projeto trabalham de forma muito organizada e estratégica. Como é essa relação entre todos os membros da união?

Quando todos tem a mesma vontade, fica mais fácil organizar. funciona assim: cada banda elege um representante que participa do “Grupo Oficial”, ali discutimos diversos assuntos, votamos, criamos nossos eventos, disparamos diariamente alguma ação em massa (Lançamentos, Nossas Playlists, Colaboradores).

Ser membro da Urc exige participação ativa, todos precisam trabalhar para se manter no grupo,  temos também uma comissão onde cada um desempenha uma função, tem o cara que cuida do Youtube, outro Spotify, organização de dados, lançamentos e assim vai, conforme vamos sentindo necessidade, vamos oferecendo as funções no grupo.

Nosso objetivo é dentro de um ano conseguir espalhar um lançamento no estado todo em 02 horas.

Além disso, o que ajuda muito é que boa parte desses membros desempenham outras funções além de suas bandas: no grupo temos professores, marketeiro, engenheiro, donos de comercio, designer gráfico entre outras funções.

  

– Pelo o que entendi, um dos objetivos do projeto é transformar velhos conceitos e pensamentos em relação ao reggae. Como está sendo este trabalho e quais são as vias que vocês estão usando para que essa mudança aconteça?

O que estamos fazendo agora, o sertanejo, o funk e o Rap já fizeram há muito tempo, as gerações vão mudando, os solteiros vão casando, as meninas que iam nos shows algumas agora são mamães, são ciclos que precisam ser renovados, o mercado muda, a linguagem e a forma de divulgar também mudou.

Nós, aliamos o reggae roots, ao pop, ao reggae rock, ao rap, sem preconceitos, do mais jovem ao mais experiente, cada um evoluindo dentro do seu espaço, do seu tempo, de acordo com as suas condições financeiras, mas no que diz respeito a divulgação, somos todos iguais, todo mundo tem amigo em rede social.

Então os benefícios são diversos, O cara que tá começando agora por exemplo: tem acesso a um compositor que já emplacou um hit nacional, e a produtores musicais, e os mais experientes ganham energia através da juventude.

 

 

– Quais são as metas da URC? Quais de fato são os objetivos gerais do projeto?

Nós queremos de fato é aquecer o mercado musical, áudio e visual, trazendo maior exposição para as bandas, oferecer campo aos contratantes de shows para que possam ser bem sucedidos em seus eventos, levando mais público, as bandas recebendo melhores cachês, estimulando assim, a todos apostarem no reggae.

 

– Quais são as características dos eventos promovidos pela URC?

Temos diversas ideias, a primeira já colocada em prática e com êxito é o (Conexsanta). Na ideia original a banda de uma cidade organiza um evento e convida as de outras cidades pra participar, mas também teremos algumas edições especiais como “Conexsanta Floripa”  “Conexanta Roots” e “Conexsanta Blumenau” etc.

Pra 2020 queremos fazer o ”Dia do Reggae Catarinense”, sendo que a intenção é fazer eventos simultâneos em várias cidades do estado com apoio com as prefeituras e grandes empresas.

Mais um evento que posso citar é o “October Dread” que será nos moldes das Tradicionais festas de outubro de SC, só que envolvendo o reggae, cultura, e projetos sociais etc.

 

 

– Como uma banda pode entrar para o projeto?

Hoje com 45 bandas é bem complicado organizar e manter o grupo ativo, nossas vagas são mais concorridas e limitadas. Periodicamente abrimos algumas, os  novos membros entram e somente quando essa turma está totalmente conectada, abrimos vaga novamente.

Mas estamos nos organizando para receber mais gente no futuro, inclusive artistas femininos, os interessados devem entrar em contato pelo direct do Instagram e nós avisaremos quando essas vagas estiverem disponíveis.

 

– Você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante(s) que envolva o projeto?

Nosso desejo é a URC não tenha mais fim, que ela vá se adaptando os novos tempos, deixando um legado para as futuras gerações da música catarinense, servindo de exemplo que a união faz a força sim, e quando a gente divide aquilo que tem de melhor, ai realmente se soma, e coisa multiplica.

 

 

– Sinta-se a vontade para falar algo que eu não perguntei e que você gostaria de ter dito.

Gostaria de convidar a todos vocês a conhecerem as playlists da URC, vocês vão se surpreender, como eu me surpreendi,  com a  quantidade de gente fazendo música boa em SC, Agradecemos a todos estão abrindo espaço para que possamos falar do projeto, as pessoas que repostam nossas divulgações voluntariamente e a toda equipe da Revista Arte Brasileira. #Jahbless #gratidão

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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