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[ENTREVISTA] A brasilidade Rock N’Roll da banda Huaska

Matheus Luzi

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Nos últimos suspiros de 2002, nascia a banda Huaska. Na época, o New Metal se destacava nas paradas de sucesso das Rádio, TV e na internet. Surgiu então, a combinação perfeita que levaria o grupo a conquistar seu merecido espaço entre os grandes da música brasileira. O reconhecimento caminhou pela primeiríssima vez com o EP “Mimosa Hostilis”, potente em feeling, e na brincadeira, com a proposta certeira de abrasileirar suas referências Rock N’Roll.

Em 2006, o CD “E chá de erva doce”, apresentou uma banda diferente de tudo que já existia no Brasil. Nesse momento, iniciou-se a brasilidade na sonoridade das canções, que apesar de pesadas, traziam melodias suaves, ao incorporar batidas do violão tipicamente do Samba e da Bossa Nova.

 

 

POR FALAR EM BRASILIDADE

Chegamos à “Bossa Nenhuma”, álbum lançado em 2009, cuja as referências da música brasileira ditou a maior parte das composições da Huaska. E essa mistura da atitude roqueira com a música nacional, deu o tom que eles precisavam para garantir de vez o espaço na cena.

Tamanha inovação e criatividade musical, resultou entre tantas outras, a atenção de Elza Soares e do respeitado maestro e produtor musical Eumir Deodato. Recém parceiros da banda, nasce o CD “Samba de Preto”. Considerado o mais importante da discografia da Huaska, o disco se estabilizou por vários meses entre os primeiros da lista de Rock da Amazon Japonesa. A surpresa garantiu bons frutos. E com isso, em 2014, a banda subiu em palcos aquém do Brasil: Holanda, Espanha, Portugal, Alemanha, Bélgica e França.

Dois anos depois, lançaram o CD “Fim”, financiado por uma bem-sucedida ação de crowdfunding.

 

 

MAIS E MAIS!

Neste ano, surpreenderam novamente, com o single “Anime”. Na letra, se destaca a mensagem semelhante com as que os personagens das famosas animações japonesas pregam: palavras de incentivo e superação.

Há 17 anos, a Huaska trabalha para manter sua essência, com independência e fidelidade as propostas que os levaram ao patamar que estão. Para 2020, a banda trabalha no quinto álbum de estúdio.

 

 

– A banda nasceu em 2002 quando as paradas de sucesso eram alheias as de hoje. Como vocês mesmo citaram, nessa época, o New Metal dominava várias mídias. Para a galera que nasceu no final do século e no começo dos anos 2000, e até para uma futura leitura, para aqueles que estão vindos ao mundo agora, o que vocês diriam sobre essa questão?

Rafael: Todos da banda têm gostos musicais bem variados e na época, além da música brasileira, o new metal era um estilo em comum para nós. Mas não nos prendemos apenas a isso, já que o rock de outras décadas acabam influenciando o som da banda de certa forma. O que sentimos na época era que o tipo de som casava com a sonoridade que queríamos pra banda.

Júlio: Eu não era do Huaska nessa época, entrei pra banda em 2009, mas minha maior influência no Rock foi o New Metal, então acredito que isso me ajudou na hora de me entrosar musicalmente com o resto da banda, e o que eu diria pro pessoal que não viveu a fase do New Metal é: Escutem sem preconceito, é um estilo cheio de coisa legal.

 

– Vocês trouxeram uma novidade no mercado do rock nacional, cantando o metal alternativo em português. Qual foi o gatilho para essa inspiração?

Rafael: O objetivo era fazer um rock mais abrasileirado. Queríamos cantar em português pra poder expressar as mensagens das músicas de forma que todos no Brasil pudessem entender. A influência da música brasileira ajudou muito já que a maior parte da banda sempre ouviu bossa-nova, samba e MPB.

Júlio: Eu sempre admirei banda nacional que fazia som pesado em Português, na época que eu conheci o Huaska, fiquei muito feliz por misturarem New Metal, Bossa e letras em Português, não poderia ser melhor.

 

 

 Quais foram as reações dos amantes do rock em frente à banda Huaska?

Rafael: A aceitação na maior parte sempre foi muito boa. Algumas pessoas que ouvem rock acabam só ouvindo banda internacionais, mas felizmente no Brasil temos muitas pessoas que gostam de rock cantado em português. Nos anos 80 e 90 surgiram muitas bandas boas que acabaram criando um grande público de rock brasileiro.

Júlio: Eu já vi todos os tipos de reações, boas e ruins, gente chorando de emoção durante um show na Europa, e gente saindo no meio do show por não gostar da proposta, no final, eu acho interessante todos os tipos de reações.

 

– Acredito que a Huaska agregou o rock para outras áreas musicais, principalmente no mercado brasileiro. Dois bons exemplos disso foram as incríveis releituras que vocês deram para “Trem das Onze” e “Chega de Saudade”.

Rafael: “Chega de Saudade” foi a primeira regravação que fizemos. Como estávamos trabalhando com o Eumir Deodato que era um dos arranjadores preferidos do Tom Jobim, escolhemos ela porque foi um marco na bossa-nova na interpretação do João Gilberto. Já o “Trem das Onze” foi uma música que acabamos fazendo pra tocar nos shows e a receptividade foi tão boa que decidimos gravar. Ela na minha opinião é uma das músicas mais importantes da história do samba paulistano.

Júlio: Desde adolescente eu sonhava em fazer uma versão pesada de “Trem das Onze”, uma das músicas preferidas do meu falecido avô, gravar ela com o Huaska tantos anos depois e realizar esse sonho foi demais.

 

 

– Quando a banda estava dando os primeiros passos, a internet ainda não era tão popular e de fácil acesso como é hoje. As redes sociais não tinham tanta força, o que dava mais força as mídias tradicionais como a TV, o rádio, e os impressos.

Rafael: Quando começamos utilizávamos o Fotolog, MySpace, Trama Virtual e o Orkut. Era o começo das redes sociais e isso ajudou muito a conhecer melhor os ouvintes da banda, unificar e conseguir uma comunicação direta com o público. Um tempo depois vieram as principais que estão aí até hoje (YouTube, Facebook, Twitter e Instagram) e isso ajudou muito a atingir novas pessoas e ir aumentando a audiência da banda.

Júlio: Muita coisa era divulgada da melhor forma possível: Shows! Naquela época era muito bom tocar e ir em shows de outras bandas, conhecer outros músicos, estilos musicais e fazer amizade com o público, sinto falta disso, hoje o cenário é outro.

 

2006, vocês lançaram o CD de estreia, e que novamente surpreendeu, trazendo traços intensos da brasilidade para a sonoridade da banda. Aproximadamente três depois, vocês abraçaram quase que por completo as referências da música brasileira no álbum “Bossa Nenhuma”. Pergunta: como tudo isso aconteceu?

Rafael: A ideia da banda sempre foi misturar música brasileira no rock e aos poucos fomos amadurecendo a ideia. Além do violão, fomos introduzindo instrumentos de percussão e cavaquinho em nossas composições. Foi um processo natural que aconteceu nos CDs seguintes também.

Júlio: Eu não participei da gravação do “Bossa Nenhuma”, comecei a tocar com o Huaska na época do lançamento desse CD, mas foi muito interessante tirar os sons do Huaska e abrir minha cabeça pra esse novo estilo musical.

 

 Nesse ano, mais uma inovação, e um presentão para os amantes da cultural japonesa. Parafraseando Raul Seixas, considero a Huaska uma  “Metamorfose ambulante”. E isso é lindo!

Rafael: Nosso desafio é sempre evoluir e ir navegando pelos caminhos que nos faz sentir que estamos fazendo a coisa certa. Pra mim o principal objetivo é construir uma discografia que seja boa para os que gostam de rock feito no Brasil. Obrigado pelas palavras!

Júlio: Fazer algo diferente, mas sempre com a nossa cara, essa é a nossa “missão”.

 

 

– Quero ouvir das próprias palavras de vocês, o porquê que o álbum “Samba de Preto” (2012) é até o momento o que mais obteve sucesso? E onde o trabalho os levaram?

Rafael: Foi o álbum que tivemos a participação do Eumir Deodato e da Elza Soares e isso foi uma das melhores experiências musicais que tivemos até hoje. Em 2014, o CD viralizou através de um artigo que publicaram no Twitter e fez com que a banda ficasse por três meses no Top 100 da Amazon MP3 do Japão na categoria rock. Muitas pessoas no Brasil e no Japão acabaram conhecendo a banda nessa época, por isso eu considero o CD mais relevante até hoje.

Júlio: A experiência de composição do “Samba de Preto” foi algo único e especial, por isso as músicas saíram dessa forma. Tem muita emoção e entrosamento nesse CD.

 

– Para finalizar, deixo vocês livres para dizerem algo que gostariam e que eu não pensei em perguntar.

Rafael: Agradeço pelo espaço e venho aproveitar pra falar que estamos fazendo uma campanha de financiamento coletivo pra gravar nosso quinto CD. O CD ‘Fim’ (2016) foi feito da mesma maneira e a campanha obteve êxito, possibilitando arcar com os custos da produção. Estamos contando com os amigos e fãs da banda pra contribuir em mais essa etapa da nossa carreira.

Júlio: Obrigado pelo espaço, isso é muito importante pras bandas! E eu espero realmente que um dia o rock nacional seja grandioso como foi nos anos 90 e 00.

 

– Gratidão pela entrevista. Como já disse, vocês fazem parte da história da Revista Arte Brasileira. Aquele abraço!

Rafael: Eu que agradeço a oportunidade e em logo conversaremos novamente depois que lançar o novo CD. Abraços!

Júlio: Abraços e até logo!

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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