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Com alma jazz e dotado de improvisos, Alfredo Dias Gomes lança o álbum instrumental “Metrópole”

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Leandro Marques / Divulgação.

Carioca por natureza, o baterista Alfredo Dias Gomes pisou em territórios musicais oficialmente aos 18 anos de idade. Impressionantemente, a estreia foi ao lado de Hermeto Pascoal, na qual completou sua banda e participou da gravação do disco “Cérebro Magnético”, importante obra de Hermeto.

Além disso, participou de quase incontáveis grandes shows e apresentações, e tocou e gravou com outros grandes nomes da nossa música: Márcio Montarroyos, Ricardo Silveira, Arthur Maia, Nico Assumpção, Ivan Lins, e muitos outros. Alfredo também participou da primeira formação da banda Heróis da Resistência.

No entanto, o coração melódico e jazzista de Alfredo sempre se emocionou pela carreira solo, talvez pelo fato de que ali poderia explorar todas as suas nuances artísticas. Tal experiência já foi vivida por ele em treze discos, sendo o último lançado há poucas semanas.

A novidade se trata de “Metrópole”, trabalho de sete faixas autorais nos quais divide os arranjos com Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Widor Santiago (saxofone) e Jefferson Lescowich (baixo). De preciosas mãos de Alfredo, foram executados a bateria e o teclado, além de assinar solitariamente todas as composições.

Vale – e vale muito – ressaltar que todas as músicas foram gravadas e mixadas no ADG Studio por Thiago Kropf e pelo próprio Alfredo. Já a masterização aconteceu no Abbey Road Studios, icônico estúdio em Londres, e realizada pelo engenheiro de som Andy Walter, que já trabalhou em discos de nomes como Davi Bowie, Jimmy Page, Coldplay, The Who, The Beatles, entre outros.

Tamanha qualidade e profissionalismo nos chamou muito a atenção. Por isso, entrevistamos o artista. Confira a seguir!

Matheus Luzi – Alfredo, algo na sua história chama muito a atenção. Com apenas 18 anos de idade, você entrou para a banda de Hermeto Pascoal. A grande questão que me veio à mente seria a de que “como isso aconteceu?”.

Alfredo Dias Gomes – Eu tinha dezesseis anos quando tive aulas de bateria com o baterista americano Don Alias. Eu fui para minha primeira aula em um estúdio no centro da cidade onde o Don Alias estava gravando com o trompetista Márcio Montarroyos e com o Hermeto Pascoal. O Don me pediu para tocar um pouco, para ele ver em que nível eu estava na bateria. Então comecei a tocar um baião super rápido. Quando acabei de tocar, levantei a cabeça e vi que o Hermeto estava na porta do estúdio me assistindo. Ele veio até mim e disse:

Um dia você vai tocar comigo!

Dois anos depois ele me chamou para fazer um teste e eu ganhei o GIG.

Matheus Luzi – Pegando gancho na pergunta anterior, como você conheceu a música? E mais, quais foram os caminhos para se aperfeiçoar nela até pisar profissionalmente neste universo musical?

Alfredo Dias Gomes – A música foi muito presente na minha infância. Meus irmãos já eram músicos e eles me influenciaram muito. Com cinco anos de idade eu comecei a estudar piano. Na época, eu confesso, eu preferia jogar futebol (risos). Mas de qualquer forma isso me iniciou na música. Com dez anos, eu frequentava os ensaios da banda dos meus irmãos e ficava pedindo para o baterista da banda me ensinar a tocar. Com onze anos eu decidi estudar bateria seriamente com um professor.

Matheus Luzi – Em muitos anos de carreira, seja solo ou em conjuntos, não tenho dúvidas que muitos momentos foram marcantes e especiais. Neste cenário, qual ou quais eventos da sua trajetória poderiam ser destacados nesta entrevista?

Alfredo Dias Gomes – O show do Hermeto no Festival Internacional de Jazz em São Paulo e a gravação do disco dele “Cérebro Magnético”, foram muito marcantes para mim.

Todos os shows do Ivan Lins fora do Brasil também me marcaram muito. Com o Ivan toquei em Nova Iorque, Londres, Paris, Hamburgo e excursionei quatro vezes para o Japão em várias cidades.

E não poderia deixar de destacar, a gravação com o guitarrista Frank Gambale no meu disco “Atmosfera” de 1996.

O que me realiza é me dedicar ao meu trabalho solo. Cada um tem o seu caminho, não existe caminho certo ou errado, e sim o que te faz feliz. O que me faz feliz é compor e gravar meus discos.”

Matheus Luzi – Descreva, em detalhes ou não, suas experiências como integrante de bandas.

Alfredo Dias Gomes – Como integrante de banda, a minha única experiência foi com a banda “Heróis da Resistência” da qual fiz parte. Os dois discos que eu gravei, com produção do Liminha, aprendi muito. O primeiro disco foi gravado no estúdio dele, o “Nas Nuvens”. O segundo foi gravado em Los Angeles no estúdio “Ocean Way”, esse disco uma grande produção. Só para mim, tinha uma equipe de roads, a “Drum Doctor”. Era um nível profissional que eu nunca tinha visto. Eles tinham um caminhão com tudo que eu precisasse. As peles da bateria eram trocadas a cada música numa rapidez que parecia equipe de fórmula 1 (risos).

Matheus Luzi – Quando e por que você decidiu fazer o seu próprio som, seguir seu caminho solo?

Alfredo Dias Gomes – Eu componho desde os dezesseis anos e sempre sonhei em ter uma carreira solo. A primeira gravação que eu fiz como baterista, foi com uma música minha em parceria com o Marcio Montarroyos. A música “Vivendo Perigosamente”, para a novela “Pai Herói “, da minha mãe Janete Clair. Enquanto acompanhava outros artistas, paralelamente gravava meus discos. Hoje tenho 13 álbuns lançados.

Matheus Luzi – Já que estamos na Revista Arte Brasileira, nada mais justo do que você nos contar suas referências musicais dentro da arte brasileiríssima, e mais: como você a enxerga no passado, presente e futuro? Você é otimista em relação a nossa música?

Alfredo Dias Gomes – Minhas referências são Hermeto Pascoal, Miles Davis, Chick Corea, Wheather Report, Don Alias, Airto Moreira, Paulinho Braga, Billy Cobham…

Eu só posso falar da música que faz parte do meu mundo, a música instrumental. No passado ela foi gloriosa e reverenciada.

O Brasil é um celeiro de grandes músicos, só posso imaginar um grande futuro para a música Instrumental brasileira.

“O Brasil é um celeiro de grandes músicos, só posso imaginar um grande futuro para a música Instrumental brasileira.”

Matheus Luzi – Como instrumentista, o que você acredita trazer de novo para a música brasileira e mundial?

Alfredo Dias Gomes – Eu faço a música que eu sinto sem nenhuma pretensão. Ela é o resultado de tudo que ouvi e toquei. Assim, espero estar contribuindo de alguma forma.

Matheus Luzi – Vamos aproveitar o bate-papo para você falar a respeito do futuro de Alfredo Dias Gomes. O que vem pela frente em sua carreira?

Alfredo Dias Gomes – Eu já estou com 61 anos, não me imagino acompanhando artistas novamente. Só vejo pela frente mais discos vindo aí.

Matheus Luzi – Para encerrar, deixo você à vontade para falar o que quiser. Sinta-se livre!

Alfredo Dias Gomes – O que me realiza é me dedicar ao meu trabalho solo. Cada um tem o seu caminho, não existe caminho certo ou errado, e sim o que te faz feliz. O que me faz feliz é compor e gravar meus discos.


FICHA TÉCNICA

Alfredo Dias Gomes – bateria e teclados

Jessé Sadoc – trompete e flugelhorn

Widor Santiago – saxofone

Jefferson Lescowich – baixo

Todas as composições são de Alfredo Dias Gomes

Gravado e mixado no ADG Studio por Thiago Kropf e Alfredo Dias Gomes

Masterizado no Abbey Road Studios por Andy Walters

Design da capa – Leila Sarmento

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