13 de abril de 2024
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Pedro Blanc estreia na Netflix e revela bastidores à colunista Fernanda Lucena

Isso pra mim representa uma confirmação de tudo que eu planejei pra minha vida e ver que tudo com o que eu sonhei hoje em dia eu consigo tornar realidade.”

Pedro Blanc

A Netflix entregou ao mundo em 2024 a série “Ponto Final”, criada por Rodrigo Sant’Anna, que também protagoniza o elenco, ao lado de grandes nomes do universo televisivo do Brasil como Roberta Rodrigues, Tuca Andrada e Nany People. É uma comédia bem brasileira, com uma pitada de romance, que retrata os universos de pessoas ligadas de algum modo aos serviços de mobilidade urbana carioca.

O ator Pedro Blanc deu vida ao personagem Katarino, encantando corações que vibram por uma presença ainda maior do mesmo nas próximas temporadas. Trata-se de um artista da música, um MC, tecendo sua carreira com olhos esperançosos e um coração sonhador que representa muito a juventude artística brasileira.

Essa pauta merece muito destaque uma vez que os caminhos da profissionalização no setor cultural precisam ganhar visibilidade, para superarmos o paradigma de que viver de arte é estar fadado a morrer de fome, às margens do que se compreende como um trabalho legítimo. Artista é um profissional, Brasil, e a trajetória desse ator é prova viva de que é sim possível construir um projeto de vida a partir dos talentos que pulsam e movem os seres arteiros, com organização, estudo e planejamento. Como bem canta Flaira Ferro, “eu creio que a paixão é um ato de conhecimento, quanto mais amo o que faço, mais invisto no que aprendo. Desejo que a invenção da profissão que movimento seja sempre consequência do que explode aqui dentro.”

Com o coração cheio de honra, entrego ao mundo a entrevista que Pedro Blanc me concedeu, esperançando que suas palavras inspirem jovens sonhadores a ousarem acreditar nos seus sonhos a partir de uma perspectiva viva e ativa que busque e encontre estratégias para dar estrutura às suas realizações. Estejam cientes de quem vocês são e teçam com mãos artesãs as suas carreiras na Arte. Meus mais sinceros votos de que vocês fluam por caminhos abertos!

“Aí, menor, acredita! seu sonho é possível, corre, vai atrás! Então, não desista! De tanto insistir, garanto, uma hora vai!” (MC Rah)

ENTREVISTA

Fernanda Lucena: Olá, Pedro! Você gostaria de nos dizer como se sente com relação a essa estreia? O que tudo isso representa em sua carreira hoje?

Pedro Blanc: Eu sinto felicidade, realização, confirmação e afirmação também. Porque toda a minha trajetória foi bem corrida pra chegar nesse momento agora, onde a gente possa falar sobre um trabalho, sobre uma carreira que está tendo uma evolução, um crescimento de maneira tão significativa, tão forte e tão representativa para pessoas que vem da comunidade, assim como eu venho. Isso representa pra mim o desenho de uma história de uma pessoa que veio do baixo, que veio do nada… Hoje em dia representa esperança e referência pros próximos que vão vir também. Isso pra mim representa uma confirmação de tudo que eu planejei pra minha vida e ver que tudo com o que eu sonhei hoje em dia eu consigo tornar realidade. Então, isso pra mim também representa um ponto de força, um refúgio, um acalanto para o meu coração de saber que tudo o que eu quero eu posso fazer desde que eu esteja muito focado e obstinado a fazer o que tem ser feito pra poder chegar nos meus resultados, nos meus sonhos e nas minhas metas também, pra alcançar todas elas.

Fernanda Lucena: Como que você fez pra conseguir chegar até essa série? Que experiências anteriores te impulsionaram a tal ponto?

Pedro Blanc: Eu sempre fui uma pessoa que sempre gostou de conhecer pessoas, de fazer contatos com pessoas. Porque eu gosto de trocar energias, então eu acho que durante todo o período na minha vida onde eu trabalhei, onde eu estudei, eu acho que isso foi me ajudando a fazer com que pessoas me enxergassem e conseguissem ver o meu potencial e o meu talento. Eu estudei, me aprimorei, fiz algumas peças na minha vida para poder ter um portfólio, idealizei e desenhei cada passo da minha vida pra poder chegar nesse momento agora. Basicamente, foi um planejamento. E com as experiências de atuação, de teatro, de criação de conteúdo digital, de estudar sobre roteiro, sobre o audiovisual, no geral, de estudar cinema, estudar texto, tudo isso foi uma base muito grande para que eu pudesse construir essa minha persona artística, que hoje é quem eu apresento, que é uma persona que hoje se aproxima muito da minha essência, de quem eu sou de verdade, por trás das câmeras. Fiz “Romeu&Julieta” no meu antigo curso de teatro, fiz uma peça chamada “Fascinados” que foi escrita e dirigida pela minha professora do teatro. E todos os vídeos que eu fiz na minha vida para as plataformas digitais, como “Vine, Dubsmash”, YouTube e até o TikTok (que foi extremamente importante pra mim no meu trabalho, pois através dos meus vídeos pessoas me conheceram) foram proveitosos para que eu pudesse entender mais a criação de um audiovisual, além dos meus clipes enquanto cantor.

Fernanda Lucena: Como foi pra você viver o período das gravações?

Pedro Blanc: Foi mágico, foi lindo, foi leve, foi divertido, foi prazeroso. Eu tive um elenco gigante ao meu lado que, ainda que fossem profissionais ali de muito anos de carreira, que eu quando era um pouco mais jovem do que eu sou hoje, acompanhei o trabalho por algum tempo como telespectador, como o Rodrigo Sant’Anna, a Roberta Rodrigues… Robertinha hoje é uma pessoa mega importante na minha vida, ela já foi muito importante e hoje ela é mais ainda, depois de conhecer a essência dela e quem ela é. Temos Nany People também, Tuca Andrada, Polly Marinho, Vittor Fernando e além das participações também que são pessoas incríveis. Então todo o período de gravações foi bem leve, bem divertido, a gente se entrosou muito bem, foi uma conexão muito rápida, né? Isso fez com que tudo fluísse mais fácil pra gente, cada um ali ajudava o outro de alguma forma, dava uma sugestão de melhoria no texto, de um, de outro, ajudava com piadas, incrementava piadas, então isso foi muito mais fácil do que se a gente não tivesse um elenco tão próximo e tão conectado como a gente foi.

Fernanda Lucena: Conta pra quem não assistiu ainda, o que há de tão incrível na série, a ponto de vocês chegarem no top 1 da Netflix em 24h de estreia?

Pedro Blanc: Pra quem não assistiu ainda, eu posso dar um spoiler e dizer que o que fez essa série chegar no top 1 em 24h de lançamento é o fato de ser uma série muito real, muito leve, divertida, animada, engraçada e ser uma história que a gente vê com muita frequência. De serem personagens que a gente tem autoidentificação de pessoas, quando você consegue enxergar um personagem em um amigo seu da escola, do trabalho, do curso, da faculdade, isso tende a aproximar você mais daquela história que está sendo contada. É uma história mais próxima da realidade pras pessoas, com todos os nossos toques de humor, com todos os nossos trejeitos, criados para aquele personagem, o que deixa tudo mais dinâmico, mais engraçado, mais divertido, então, acho que isso foi o que fez chegar no top 1 da Netflix. Ou posso dizer que é porque minha beleza está lá presente, risos, brincadeira!

Fernanda Lucena: Quem é o Katarino? O que ele representa pra sua vida e pra sua carreira?

Pedro Blanc: O Katarino é um cara meio doido, do bem, divertido, engraçado, ele é músico, trabalha com música como MC e é um cara que está correndo atrás dos sonhos dele pra tentar construir e chegar nas metas do que ele quer pra vida dele. E ele representa isso na minha vida, assim, que mesmo que com os problemas todos, ele consegue enxergar a vida de uma forma positiva, acreditando que ele vai conseguir, que ele vai chegar lá. E esse cara, esse Katarino, pra mim ele foi um presente, um presentão. Porque chegar nesse cara junto com um elenco desse tamanho, pra uma série gigante que é essa. E ele me ensinou também sobre muita coisa, sobre saber enxergar do seu ponto de vista o seu desejo, a sua necessidade, a sua vontade de chegar nesses objetivos.

Fernanda Lucena: Que coisa linda! Gratidão pela partilha, Pedro Blanc. Eu lhe acompanho desde o filme “Um ano inesquecível – Outono”. Você brilha na Amazon Prime nesse filme dirigido por Lázaro Ramos e agora brilha na Netflix nessa série escrita e protagonizada por Rodrigo Sant’Anna. É maravilhoso ver um homem preto retinto ocupando esses espaços, ainda mais sendo alguém de origem periférica. Desejo que você seja sempre uma inspiração para que outros jovens nutram seus sonhos artísticos de uma busca focada e constante por conhecimento, formação e experiência naquilo que ama viver, dentre as tantas possibilidades do setor cultural. Sabemos dos desafios da profissionalização artística no Brasil, mas sabemos também que agora, mais do que nunca, chovem oportunidades para os que se preparam e ousam acreditar que é possível, assim como você, assim como Katarino. Caminhos abertos ao imenso e lindo grupo de pessoas que você representa. Sucesso a você e, principalmente, prazer e paz para seguir feliz e contagiante, assim como vem subindo na escalada de sua trajetória. Organização, planejamento e estratégia são o adubo que nutrem as raízes dessa floresta de talentos que a arte brasileira dispõe. Tá lindo, Pedro! Pra cima! Te celebro muito. Me sinto honrada demais por essa entrevista. Um forte abraço!


Sobre a colunista: Fernanda Lucena é colunista da Revista  Arte Brasileira, Assessora de Comunicação do Grupo de Percussão da UFBA e Produtora Cultural da equipe Tabuleiro Produções. Bacharela Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia (UFOB), pós graduada em Marketing Digital (UNOPAR), em Produção Cultural, Arte e Entretenimento (FACUMINAS), cursando MBA em Direção de Arte para Propaganda,  TV e Vídeo (FACUMINAS).