20 de abril de 2026

O Brasil precisa de políticas públicas multiculturais (por Leonardo Bruno da Silva)

Avançamos! Inegavelmente avançamos! Saímos de uma era de destruição da cultura popular por um governo antinacional para um momento em que temos, ao menos, um Ministério da Cultura gerido por uma grande representante da cultura nacional. Diante do que vivemos, isso é um passo à frente.

Mas não podemos ficar restritos à prorrogação da Lei Paulo Gustavo ou ao apoio cultural super burocratizado da lei Rouanet. O Ministério da Cultura precisa, urgentemente, apresentar um projeto de Estado para a Cultura Nacional que contemple a diversidade que este país de tamanho continental tem. Quem sabe uma Jornada Multicultural Popular, que ocorra cada ano em um estado diferente com rodízio de regiões do país e que seja direcionada especificamente para pequenos produtores culturais. Pessoas de talento que reproduzem a diversidade cultural do país, mas que estão alijadas da máquina cultural privada porque não vendem, porque não têm milhões de seguidores nas redes sociais.

No Rio de Janeiro, por exemplo, há um grupo de escritores, cronistas, poetas e contistas do subúrbio que conta com talentos como Flavio Braga, Ivan Errante Costa, entre outros. Eles falam sobre a realidade cultural desta parte da cidade, que dificilmente veremos publicados por uma grande editora. Porque o público consumidor, em tese, é restrito àquela parte do Rio de Janeiro, onde as pessoas leem menos. O que remete a outra questão: o acesso aos bens culturais, mas isso deixamos para outro artigo.

Lembro-me do meu encantamento quando peguei pela primeira vez um livreto de cordel. Li a história de Lampião num piscar de olhos e, mesmo notando os erros ortográficos, fiquei maravilhado. Fui entender mais tarde que aqueles “erros” derivavam da forma de falar daquelas pessoas ou de como a métrica entrava no repente, e isso também faz parte da cultura. Meu pai, então, me presenteou com a antologia de Patativa do Assaré. Aquilo me fez conhecer um Brasil que eu não teria a chance de conhecer se não tivesse me deparado com aquele livreto impresso com carimbo de borracha feito a mão pelo próprio poeta, multiartista multicultural.

Por isso, Ministra Margareth Menezes, precisamos de um plano multicultural para o Brasil. Um plano que seja desburocratizado e permita aos artistas e produtores culturais mostrarem sua produção, sua arte, suas obras.

De um escritor/professor para uma multiartista: seja ousada, bata de porta em porta e consiga recursos, não podemos ser soterrados por uma produção cultural externa sem reagir. Precisamos falar de nós para nós mesmos.

*Leonardo Bruno da Silva é doutor e mestre em História Política. É professor de História da rede pública de ensino há 20 anos e também escritor; autor do livro “O coronel que queria matar o presidente”

“Repousa”, o R&B sensual de ÀRT e Vini Del Rio

Os cantores e compositores cariocas ÀRT e Vini Del Rio se unem no single “Repousa”, um sensual R&B. Amigos de.

LEIA MAIS

O lado cineasta de Oswaldo Montenegro

  O lado musical e poético de Oswaldo Montenegro é reconhecido Brasil afora, mas o lado cineasta do artista é.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Quem foi o poeta Augusto dos Anjos? (com Augusto César)

O 9º episódio do Investiga buscou informações sobre os principais pontos da trajetória pessoal e profissional do poeta brasileiro Augusto.

LEIA MAIS

Maringa Borgert guia passeio pela história, cultura e artes do Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul é um estado independente e unidade da Federação desde o final dos anos 1970 quando.

LEIA MAIS

“Fiz da arte um motivo para viver” – por Pedro Antônio

Quadro “Cinco Girassóis” de Pedro Antônio   Meu nome é Pedro Antônio, tenho 23 anos, e hoje eu posso afirmar que.

LEIA MAIS

O disco que lançou Zé Ramalho

Zé Ramalho sempre foi esse mistério todo. Este misticismo começou a fazer sucesso no primeiro disco solo do compositor nordestino,.

LEIA MAIS

[RESENHA] “Machado de Assis, Capitu e Bentinho”, de Kaique Kelvin

Que Machado de Assis se tornou um clássico escritor da literatura brasileira todos sabemos, mas uma dúvida que segue sem.

LEIA MAIS

César Revorêdo: história íntima da solitude

O fimlimite íntimonada é além de si mesmoponto último. Orides Fontela 1. Prelúdio Essa nova série do artista visual Cesar.

LEIA MAIS

O que acha de ser homem como sua avó foi? É o que sugerira composição

“Seja Homem Como sua Avó Foi (por Myriam)” é uma composição que foge de tudo que é comum. Se trata.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS