18 de janeiro de 2026

Curador Mario Gioia reflete a importância do artista visual Octávio Araújo

(Crédito: Olney Krüse)

Os casos ainda muito vivos de racismo – como por exemplo, o que envolveu o norte americano George Floyd assassinado cruelmente pela polícia dos EUA – coincidiu com uma sugestão de pauta que recebemos de uma exposição referente a obra do artista visual/plástico negro Octávio Araújo, brasileiro que viveu entre 1926 à 2015, e é considerado um dos mais importantes do cenário nacional.

Como numa situação muito oportuna, resolvemos dar o merecido destaque a esse artista, e o convite foi feito para o curador Mario Gioia para que ele falasse, ainda que pouco, sobre Octávio. A entrevista, você confere a seguir!

BIOGRAFIA de Mario Gioia

Curador independente e crítico de arte, é graduado pela ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).

Em 2016, a mostra “Topofilias”, com sua curadoria, no Margs (Museu de Arte do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, foi contemplada com o 10º Prêmio Açorianos, categoria desenho. De 2011 a 2016, coordenou o projeto Zip’Up, na Zipper Galeria, destinado à exibição de novos artistas e projetos inéditos. Na feira ArtLima 2017 (Peru), assinou a curadoria da seção especial CAP Brasil, intitulada “Sul-Sur”, e fez o texto crítico de “Territórios forjados” (Sketch Galería, 2016), em Bogotá (Colômbia). Em 2018, assinou a seção curatorial dedicada ao Brasil na feira Pinta (Miami, EUA) e a curadoria de “Esquinas que me atravessam”, de Rodrigo Sassi (CCBB-SP). Em 2019, iniciou o projeto “Perímetros” no Adelina Instituto, em SP, dedicado a artistas ainda sem mostras individuais na cidade, que contou com exposições de João Trevisan (DF) e Lara Viana (BA).

É colaborador de periódicos de artes como “Select” e foi repórter e redator de artes visuais e arquitetura da Folha de S.Paulo de 2005 a 2009.  Integrou o grupo de críticos do Paço das Artes desde 2011, instituição na qual fez o acompanhamento crítico de “Luz Vermelha” (2015), de Fabio Flaks, “Black Market” (2012), de Paulo Almeida, e “A Riscar” (2011), de Daniela Seixas. Foi crítico convidado de 2013 a 2015 do “Programa de Exposições” do CCSP (Centro Cultural São Paulo) e fez, na mesma instituição, parte do grupo de críticos do “Programa de Fotografia” 2012. Em 2015, no CCSP, fez a curadoria de “Ter lugar para ser”, coletiva com 12 artistas sobre as relações entre arquitetura e artes visuais. Já fez a curadoria de mostras em cidades como Brasília (“Decifrações”, Espaço Ecco”, 2014), Porto Alegre (“Ao Sul, Paisagens”, Bolsa de Arte, 2013), Salvador (“Fragmentos de um discurso pictórico, Roberto Alban Galeria, 2017) e Rio de Janeiro (“Arcádia”, CGaleria, 2016), entre outras.

Matheus Luzi – Como você enxerga a representatividade desse artista na arte brasileira, e até mesmo fora do Brasil?

Mario Gioia – Octávio Araújo tem uma trajetória e produção bastante singulares dentro da arte brasileira. Penúltimo de 11 irmãos, filho de um farmacêutico baiano que se radicou em Terra Roxa, interior de SP, e que se mudou para a capital em 1934 – ele nasceu em 1926. Estudou na Escola Profissional Masculina do Brás, pública, que revelou variados talentos das artes visuais. Da sua época, eram Marcello Grassmann (1925-2013) e Luiz Sacilotto (1924-2003), por exemplo. Estudou lá de 1939 a 1943. Conseguiu prêmios de viagem ao exterior e estudo na França, China e na antiga União Soviética. Assim, conseguiu frequentar museus de peso, estudar com nomes importantes e visitar exposições destacadas. Foi assistente de Portinari na execução do painel “Pescadores”, no ano de 1950, em Paris. E continuou na assistência, desta vez no Rio, até 1957. Em 1972, teve sua primeira grande retrospectiva, no Masp. Viveu em São Paulo desde os anos 70 até a sua morte.

Resumidamente, Octávio conseguiu formar um arcabouço de referências do cânone ocidental de nomes do Renascimento, do barroco, do maneirismo, burilando um estilo próprio alinhado ao surrealismo e ao fantástico.

 

Matheus Luzi – Como artista negro, você acredita que Octávio colaborou com a luta contra o racismo?

Mario Gioia – Octávio Araújo não tinha uma postura ativista, mas a sua carreira bem-sucedida obtida com muito estudo e trabalho, originária de uma escola pública e construída por premiações abertas e muito concorridas, serve para atestar a sua tenacidade e sua persistência. E arquivos referentes na questão racial, como o do Museu Afro Brasil, consideram-no importante.

http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/hist%C3%B3ria-e-mem%C3%B3ria/historia-e-memoria/2014/12/30/ot%C3%A1vio-ara%C3%BAjo

Matheus Luzi – Agora deixo você a vontade para comentar algo sobre o artista.

Mario Gioia – Tenho certeza que a singularidade da obra de Octávio Araújo não deixará de ganhar uma revisão à altura em breve.

Exposições Individuais

1972 – São Paulo SP – 20 Anos Depois, no Masp
1973 – Rio de Janeiro RJ – Individual, na Galeria Grupo B
1975 – Washington (Estados Unidos) – Paintings, Drawings and Litographs, no Brazilian-American Cultural Institute
1976 – Santos SP – Octavio Araújo: gravuras, desenhos, óleo, no CCBEU
1979 – São Paulo SP – 10 Anos Depois, na Galeria de Arte André
1981 – São Paulo SP – O Desenho e o Feminino, na Galeria de Arte André
1982 – São Paulo SP – Octávio Araújo: óleos e desenhos, na Galeria de Arte André
1996 – Santos SP – Octávio Araújo: pinturas, na Fundação Benedito Calixto

Exposições Coletivas

1946 – Rio de Janeiro RJ – Quatro Novíssimos, no IAB/RJ
1947 – São Paulo SP – 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia
1949 – Paris (França) – Artistas Latino-Americanos, na Maison de L’Amérique Latine
1951 – Paris (França) – Artistas Latino-Americanos, na Maison de L’Amérique Latine
1953 – Rio de Janeiro RJ – 4º Salão de Naturezas Mortas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
1957 – Rio de Janeiro RJ – Salão para Todos, no Ministério da Educação e Cultura – prêmio de viagem à China dividido com Roberto De Lamonica
1958 – Bucareste (Romênia) – Exposição dos trabalhos do Salão Para Todos
1958 – Moscou (União Soviética – atual Rússia) – Exposição dos trabalhos do Salão Para Todos
1958 – Pequim (China) – Exposição dos trabalhos do Salão Para Todos
1958 – Xangai (China) – Exposição dos trabalhos do Salão Para Todos
1968 – São Paulo SP – 19 Pintores, na Tema Galeria de Arte
1971 – São Paulo SP – 3º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1972 – São Paulo SP – Arte Fantástica, no Paço das Artes
1974 – Madri (Espanha) – Sala de Exposições de Artes Plásticas
1974 – São Paulo SP – 6º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1974 – São Paulo SP – Bienal Nacional 74, na Fundação Bienal
ca.1975 – Birmingham (Estados Unidos) – Bienal Nacional e Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte de Birmingham
1975 – Nashville (Estados Unidos) – The Art of Brazil, no Tennessee Fine Arts Center-Checkwood
1975 – São Paulo SP – 13ª Bienal Internacional de São Paulo, na Fundação Bienal
1975 – Viena (Áustria) – Coletiva, no Museu Albertina
1976 – Florença (Itália) – 5ª Biennalle Internazionale della Gráfica d’Arte
1976 – Nova York (Estados Unidos) – Looking Inside, no The New York Botanical Garden Museum
1976 – Penápolis SP – 2º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1976 – São Paulo SP – 8º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1976 – São Paulo SP – O Desenho Jovem dos Anos 40, na Pinacoteca do Estado
1977 – Lagos (Nigéria) – 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana
1977 – São Paulo SP – Os Grupos: a década de 40, no Museu Lasar Segall
1978 – Penápolis SP – 3º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1978 – Rio de Janeiro RJ – 18º Exposição Arte e Pensamento Ecológico, na Biblioteca Euclides da Cunha
1978 – São Paulo SP – 19 Pintores, no MAM/SP
1979 – São Paulo SP – Coletiva, na Galeria de Arte André
1980 – Penápolis SP – 4º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1982 – Penápolis SP – 5º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis 
1982 – São Paulo SP – Do Modernismo à Bienal, no MAM/SP
1983 – Olinda PE – 2ª Exposição da Coleção Abelardo Rodrigues de Artes Plásticas, no MAC/Olinda
1984 – São Paulo SP – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 – Penápolis SP – 6º Salão de Artes Plásticas da Noroeste, na Fundação Educacional de Penápolis. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
1985 – Rio de Janeiro RJ – 8º Salão Nacional de Artes Plásticas, no MAM/RJ
1985 – São Paulo SP – A Arte do Imaginário, na Galeria Encontro das Artes
1985 – São Paulo SP – Destaques da Arte Contemporânea Brasileira, no MAM/SP
1987 – São Paulo SP – 20ª Exposição de Arte Contemporânea, na Chapel Art Show
1987 – São Paulo SP – O Ofício da Arte: pintura, no Sesc
1988 – São Paulo SP – A Mão Afro-Brasileira, no MAM/SP
1988 – São Paulo SP – Brasiliana: o homem e a terra, na Pinacoteca do Estado
1989 – Los Angeles (Estados Unidos) – Introspectives: contemporary art by americans and brazilians of african descent, no The California Afro-American Museum
1990 – Nova York (Estados Unidos) – Introspectives: contemporary art by americans and brazilians of african descent, no The Bronx Museum of the Arts
1990 – São Paulo SP – 21º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1991 – São Paulo SP – Registro Gráfico: litografias originais, na Kramer Galeria de Arte
1992 – Santo André SP – Litogravura: métodos e conceitos, no Paço Municipal
1992 – São Paulo SP – O Olhar de Sérgio sobre a Arte Brasileira: desenhos e pinturas, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade
1992 – São Paulo SP – Polaridades/Perspectivas, no Paço das Artes
1993 – João Pessoa PB – Xilogravura: do cordel à galeria, na Fundação Espaço Cultural da Paraíba
1993 – São Paulo SP – 100 Obras – Primas da Coleção Mário de Andrade: pintura e escultura, no IEB/USP
1994 – São Paulo SP – Xilogravura: do cordel à galeria, no Metrô
1997 – Salvador BA – Um Brinde ao Café, no Espaço Cafelier
1998 – São Paulo SP – Os Colecionadores – Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras, na Galeria de Arte do Sesi
1999 – Rio de Janeiro RJ – Mostra Rio Gravura. Gravura Moderna Brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes, no MNBA
1999 – São Paulo SP – A Figura Feminina no Acervo do MAB, no MAB/Faap
1999 – São Paulo SP – Litografia: fidelidade e memória, no Espaço de Artes Unicid
2000 – São Paulo SP – A Figura Feminina no Acervo do MAB, no MAB/Faap
2000 – São Paulo SP – Investigações: A Gravura Brasileira, no Itaú Cultural
2001 – Brasília DF – Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural  
2001 – Penápolis SP – Investigações. A Gravura Brasileira, na Galeria Itaú Cultural
2001 – São Paulo SP – 4 Décadas, na Nova André Galeria
2003 – São Paulo SP – Arte & Artistas: exposição dos dezenove pintores, no Masp
2003 – São Paulo SP – Arte e Sociedade: uma relação polêmica, no Itaú Cultural
2004 – São Paulo SP – Novas Aquisições: 1995 – 2003, no MAB/Faap

 

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