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Artes Plásticas

[ENTREVISTA] Cadumen, o artista visual que pinta os murais do mundo

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(Exposição “Sonho de Pescador”, na Galeria Alma da Rua)

Cláudio Carlos Mendonça, o artista visual Cadumen, nasceu na zona rural paranaense, e ainda criança, se mudou para a capital paulista, fato que mudaria por completo a sua vida pessoal e o colocaria no mundo da arte. A loucura da correria da grande metrópole e a calmaria de onde nasceu foram os combustíveis que inspiraram o artista a seguir pelo street art, e assim, buscar revelar o paralelo entre a natureza e o caos urbano.

Desde 2017, Cadumen viaja pelo mundo criando seus murais. Suas obras já estiveram na Europa, Estados Unidos, Ásia e África. Em 2020, antes do isolamento social ser uma realidade, ele participou do Festival de Arte Urbana em Túnis, na Tunísia. No Brasil, realizou grandes pinturas de murais em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Atualmente o artista está expondo 23 obras na sua primeira mostra individual, “Sonho de Pescador”, na Galeria Alma da Rua (SP), cuja a ideia é trazer seu olhar para dentro do momento de introversão gerado pela pandemia do COVDI-19.

“A cidade de São Paulo, justamente por eu ser um artista de rua é minha principal inspiração para criar, e o fato de ter vivido em outra cidade totalmente diferente me deu a possibilidade de perceber o enorme contraste entre os dois lugares e estilos de vida.”, Cadumen.

Matheus Luzi – O quão você acredita ter influenciado sua arte o momento em que se mudou para São Paulo?

Cadumen – A cidade de São Paulo, justamente por eu ser um artista de rua é minha principal inspiração para criar, e o fato de ter vivido em outra cidade totalmente diferente me deu a possibilidade de perceber o enorme contraste entre os dois lugares e estilos de vida. Também o fato de poder pintar nas ruas de São Paulo faz com que sinta parte dela, algo importante para um migrante.

Matheus Luzi – Até esse momento, durante e depois, como você enxerga sua trajetória artística?

Cadumen – Creio que eu como a maioria dos artistas urbanos somos “zebras” no mundo da arte tradicional, porque a arte rua por ser um movimento global simultâneo nos dá uma boa visibilidade nas redes sociais e permite que participemos de eventos pelo mundo todo. 

Matheus Luzi – Como você desenvolve esse trabalho inspirado entre a natureza e o caso urbano? Com o público tem enxergado essa questão?

Cadumen – Meu trabalho de criação é guiado pela forma como olho a cidade, enquanto a maioria das pessoas não enxergam a cidade onde vivem porque estão presos na rotina de trânsito caótico e compromissos diários, meu trabalho é colocar imagens do trajeto delas para tentar quebrar esse transe. Acredito que o público que começa a enxergar a arte rua curte mais a cidade e entende melhor o mecanismo da própria sociedade onde vive.

“Valorizem o trabalho de artistas vivos!”

Matheus Luzi – A sua principal forma de trabalho é o street art, não é? Você acredita que essa forma de expressar sua arte e mensagem atinge com mais efetividade as pessoas? Até porque com o street art não é necessário ir em galerias para apreciar as pinturas…

Cadumen – Com certeza arte de rua atinge com mais efetividade as pessoas porque acabando fazendo parte do dia-a-dia delas, os temas das encomendas de telas que recebo sempre partem de da história de um mural em determinada rua que passavam diariamente.

Matheus Luzi – Você desenvolveu várias pinturas durante a pandemia. Você vê alguma transformação no mundo da arte, devido a este momento que estamos passando?

Cadumen – Na minha opinião a pandemia serviu para transformar as pessoas: questão internas das pessoas, a forma como encaram o mundo, sua profissão, relações humanas, etc.

“O que eu gostaria de dizer é que as pessoas buscassem a felicidade menos no dinheiro e mais nos simples prazeres da vida, na natureza, nas pessoas e na arte.”

Matheus Luzi – Querido, de uma maneira geral, qual a mensagem que você quer passar para as pessoas?

Cadumen – O que eu gostaria de dizer é que as pessoas buscassem a felicidade menos no dinheiro e mais nos simples prazeres da vida, na natureza, nas pessoas e na arte. Acredito que o mundo esteja passando por grandes transformações, que o consumismo desenfreado do século XX já não faz sentido no século XXl, que o aquecimento global é algo sério e que estamos caminhando para um mundo mais consciente e gosto de pensar que faço parte desse movimento de tornar o mundo mais humano.

Matheus Luzi – Acredito que você tenha alguma história e/ou curiosidade bem interessante para nos contar. [COMENTE]

Cadumen – Na verdade cada pintura na rua, cada mural ou cada graffiti na periferia é uma história única com personagens interessantes e incomuns: do mural em uma escola no centro-sul da China que ficava em uma montanha a 2 horas de carro do meu hotel até o graffiti na favela em São Paulo, onde as pessoas são muito carinhosas.

Mas sim, tem uma história que me marcou muito e que aconteceu no parque do Ibirapuera em São Paulo. Quando eu estava finalizando um mural, um senhor bem vestido, morador da região, com uns 70 anos provavelmente, se aproximou e me pediu perdão. Eu logo disse que não havia porque perdoá-lo e então ele me explicou que sempre achou que graffiti não era arte, que éramos todos marginais, que emporcalhávamos e naquele dia ele viu a importância do que fazíamos.

Matheus Luzi – Agora deixo você livre para falar o que quiser.

Cadumen – Valorizem o trabalho de artistas vivos!

“Acredito que o público que começa a enxergar a arte rua curte mais a cidade e entende melhor o mecanismo da própria sociedade onde vive.”

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