9 de março de 2026

Em entrevista, a atriz Gláucia Rodrigues fala da peça AUTO DA COMPADECIDA

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AUTO DA COMPADECIDA, clássico de Ariano Suassuna escrito em 1955, voltou à cena no dia 16 de junho, em encenação da Cia Limite 151, apresentada de 2012 a 2015 em diferentes teatros do Rio, Curitiba e Belo Horizonte. A direção é de Sidnei Cruz, e no elenco estão Gláucia Rodrigues, Rafael Canedo (da série “Brasil a Bordo”, de Miguel Falabella), Edmundo Lippi, Andressa Lameau, Jacqueline Brandão (ou Flávia Fafiães), Robson Santos, Leo Thurler (ou Bruno Ganem), André Frazzi, Arnaldo Marquês, Luiz Machado, Kakau Berredo e Marcio Ricciardi.

No vilarejo de Taperoá, sertão da Paraíba, João Grilo (Glaucia Rodrigues) e Chico (Rafael Canedo), dois nordestinos sem eira nem beira, preparam inúmeros planos para conseguir um pouco de dinheiro. Novos desafios vão surgindo, provocando mais confusões armadas pela esperteza de João Grilo, sempre em parceria com Chico. Mas são interrompidos pela chegada do cangaceiro Severino (Marcio Ricciardi) e a morte de João Grilo. Todos os mortos reencontram-se no Juízo Final, onde serão julgados no Tribunal das Almas por um Jesus negro e pelo diabo. O destino de cada um deles será decidido pela aparição de Nossa Senhora, a Compadecida (Jacqueline Brandão ou Flávia Fafiães) e traz um final surpreendente, principalmente para João Grilo.

O espetáculo estará em cartaz até o dia 29 deste mês. Com duração de 100 minutos, os ingressos estão custando de R$ 15,00 à R$ 40,00, e a classificação é para maiores de 10 anos.

 

Abaixo veja uma entrevista na íntegra com a atriz Gláucia Rodrigues.

 

Como atriz você já deve ter passado por muitos desafios. Nesta peça, você encarna um personagem do sexo masculino. Como está sendo experiência?

Bom… Esse é, praticamente,  o terceiro personagem masculino  que eu faço. O primeiro foi em A Comédia dos Erros de William Shakespeare onde eu fazia o Drômio, o segundo foi em As Malandragens de Scapino de Moliére onde eu fazia o próprio Scapino e o terceiro foi no Auto da Compadecida de Ariano Suassuna onde faço o João Grilo. A experiência é boa, porque eu encaro esses personagens “muito acima do gênero”. Eu encaro João Grilo como um sobrevivente. Então, nesse sentido, é lógico que eu  seguro uma certa feminilidade  porque o João Grilo é homem, mas eu encaro mais ele como sobrevivente do que como um homem, né? É uma excelente experiência. Para esse papel, eu me inspiro nos homens que estão na minha vida e eu tenho muitos!!!! 4 irmãos, 2 filhos e o “mundo masculino” com suas características!

 

Você teve que fazer alguma adaptação física para encarar o personagem?

Não. No Scapino eu fazia uma barbinha,  a voz eu coloquei mais grave. No caso do João Grilo não. Agora eu estou com cabelo curto, mas eu cheguei a fazer o João Grilo com cabelo comprido com rabo de cavalo. Para esse papel faço uma sobrancelha. Não faço adaptação física nenhuma. As pessoas percebem nos primeiros  minutos do espetáculo que é uma mulher interpretando um homem. Mas  elas embarcam porque é a história da miséria do Brasil, dos desvalidos, de um  Nordeste de 1955, de Coronéis e injustiças. Bastante atual, como todo Clássico!

 

Como é o seu personagem? Na visão do seu personagem, qual seria a sinopse que você faria da peça?

O meu personagem é um sobrevivente da miséria. Então, ele arma todas as confusões pra se dar bem, se diverte, mas ele arma essas coisas pra viver, pra comer… Na visão do João Grilo, todos merecem A Misericórdia , representada por Nossa Senhora, invocada por ele quando tudo parece perdido…Eu acho que o espetáculo é bem caracterizado nos seus personagens: O Padeiro, que é o “empresário”, um pequeno empresário burguês com suas mesquinharias; o Antônio Morais que é Coronel Nordestino, com sua crueldade ; O Cangaceiro e seu Cabra com suas faltas de oportunidade e loucura, transformando-os em assassinos, apenas como exemplos. O Chicó é um personagem inspirado num grande contador de casos, real que o Suassuna homenageou.

 

Você tem agluma relação pessoal com a história da peça criada por Ariano Suassuna?

Não. Assim, o que eu posso dizer é que o Auto da Compadecida é um Clássico do Teatro Brasileiro. Todo mundo leu o Auto, todo estudante de teatro leu o Auto e os meus filhos na escola, eles leram o Auto da Compadecida. Então, quando eu comecei a estudar o texto, eu tinha três livros do Auto da Compadecida. Suassuna é minha referência.

 

 

 

 

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