27 de maio de 2024
Cinema Google News Mais publicações Matérias especiais Resenha

O poderoso Chefão, 50 Anos: Uma Obra Prima do Cinema contemporâneo

O poderoso chefão

Uma resenha sobre “O Poderoso Chefão”

“Eu vou fazer uma oferta irrecusável”

“Um homem que não se dedica a família jamais será um homem de verdade”

“Essa é minha família, Kay. Não sou eu.”

“Deixe a arma. Pegue os Cannoli.”

“Fredo, você é meu irmão mais velho e eu te amo. Mais jamais fique do lado de quem está contra a família, entendeu? Jamais.”

Estas são algumas das frases que foram imortalizadas neste filme. Ele dialoga diretamente com quem assiste. A maneira como a história te conduz a um mundo de violência, conspirações, traições, respeito, honra, família e principalmente lealdade, é feita com maestria. Não há vilões ou heróis na história. Apenas seres humanos. Isso Cria em sua mente elementos que podem ser lincados a sua vida pessoal. Como o fato de você querer proteger aquilo que você ama.

Lançado em mil novecentos e setenta e dois, o filme é baseado no livro de Mario Puzo lançado em mil novecentos e sessenta e nove. Com o sucesso do livro, A Paramount Pictures correu e comprou os direitos de adaptação. Vários nomes foram cogitados a dirigirem o projeto. Mais foi Francis Ford Coppola que acabou sendo escolhido. Coppola tinha ganhado o Oscar de melhor Roteiro por Patton mas, o seu filme “Rain People”, tinha sido um fracasso de bilheteria. Por isso, as decisões de Coppola eram fortemente questionadas.

Marlon Brando:

Os executivos da Paramount não queriam Brando no filme. Ele tinha a fama de deixar um clima ruim no set. E era extremamente difícil de se trabalhar. Outro fator era que os últimos filmes dele foram um fracasso. Tornando assim ele esquecido pelo público.

Al Pacino

Pacino tinha feito apenas dois filmes até então. Me, Nathalie, onde ele fez uma ponta em “Panico no Parque das Agulhas” onde ele foi protagonista. Mais o estúdio não vou como um novato iria dar bilheteria.

Ambientação

Os executivos queriam que o filme se passasse nos anos setenta. Filmes de época ficaram bem caros de produzir. Eles queriam fazer um filme o mais barato possível.

Sicília

Toda a sequência da Sicília, não existiria.

O orçamento do filme ficou em um milhão de dólares. Mais com os estouros, ficou em seis milhões de dólares.

O roteiro foi escrito por Francis Ford Coppola e pelo próprio Mario Puzo. Que até então nunca tinha escrito um roteiro na vida. O produtor Albert S. Rudy, lutou contra os executivos da Paramount Pictures alegando que Coppola sabia o que estava fazendo. Mais não adiantou muito. Coppola era vigiado em todas as gravações. Eles até contrataram outros diretores para substituírem ele a qualquer momento. E estes diretores o acompanhavam durantes as filmagens. Até a própria equipe do Coppola o estava sabotando. Ele tomou uma decisão ousada. Ele demitiu todo mundo que estava sabotando o filme. Era o que os executivos precisavam para demiti-lo. Mas mudaram de ideia quando viram a cena do restaurante. A cena em questão quando Michael Corleone é convocado a uma reunião com Solozo e o capitão de polícia McCluskey. A partir daí, o estúdio deixou Coppola em paz. Ainda questionaram as decisões dele e com o estouro continuo do filme, eles apertavam ainda mais.

Podcast Investiga: O funcionamento de um cineclube (com Cadu Modesto e Tiago Santos Souza)

Podcast Investiga: O quê realmente faz o diretor de imagem? (com Diogo Pace)

Vamos falar agora sobre os personagens.

Michael Corleone:

Michael é um herói de guerra lutou bravamente na segunda guerra mundial como marinheiro. Ele foi contra as decisões de seu pai alegando que a pátria não é o sangue de ninguém. Um detalhe que está no livro e não no filme “O Poderoso Chefão”, é que o Don Corleone pagou para que Michael sofresse um ferimento e fosse mandado para casa. E é assim que conhecemos o Michael no filme. Ele chega ao casamento da sua irmã, Connie, acompanhado de Kay ADDAMS e uniformizado. Ele ganhou até medalhas por sua bravura. Michal nunca quis fazer parte dos negócios da família. Ele era chamado de “Garoto estudioso“ por sua incrível dedicação aos estudos. Mais, após presenciar uma situação de Extrema tensão, ele se viu tranquilo diante daquilo. Ele percebeu que era bom em tomar decisões em momentos chaves com facilidade. A cena em questão é ele parado nas escadas do hospital com Enzo. Enzo está tremendo de medo. Não está nem conseguindo acender o cigarro. Então Michael o acende. Ele olha para as suas e percebe que elas não estão tremendo. A partir daí, o Michael já estava envolvido nos negócios da família.

Don Vitor Corleone:

O chefe da família Corleone. Um homem extremamente poderoso. Têm juízes e políticos no bolso como moedas. Ele chamado de Padrinho. Um sinal de respeito às pessoas sem a ele pedir favores e ao invés dele cobrar por eles, ele apenas pede que eles sejam amigos. E que um dia ele pedirá um favor também. A família é extremamente importante para Vitor. Ele têm quatro filhos. Santino, Fredo, Michael e Connie.

Tom Hagen:

É o Advogado da família. Vitor o está treinando para ser o consignere da família no lugar de Genro. Que está morrendo no hospital. Tom foi achado na rua por Santino quando eram crianças. Então o don o acolheu.

Santino Corleone:

O segundo no comando. Filho mais velho do Don. É ele quem vai assumir os negócios da família. Santino têm o gênio muito forte. Se irrita com muita facilidade. Principalmente quando é questionado ou contrariado.

Kay ADDAMS:

Professora do Primário e namorada de Michael.

Johnny Fontaine:

Um cantor de jazz. Ele e afilhado de Don Corleone. Ele é baseado nos boados que ocorreram sobre como Frank Sinatra conseguiu o papel em “From here to eternity”. O próprio Frank Sinatra fazia parte do grupo de boicote do filme “O Poderoso Chefão”. Alegando que ele manchava a imagem dos italos americanos.

Apollonia:

Michael a conhece em sua viagem a silicia. Uma menina doce e adorável que rouba-lhe o Coração.

Don Tomazino:

Um chefe se família muito importante na Sicília. Ele é amigo de Vitor Corleone. Ele era quem trazia as notícias da América para Michael.

Estes são só alguns dos personagens centrais da história. Todos eles são memoráveis. O desenvolvimento deles faz isso. Mas o que faz o filme ser contemporâneo?

Podemos começar falando fora do filme. A dificuldade dos cineastas em contar suas histórias sempre foi presente na história do cinema. Os estúdios sempre apostam em algo que já está funcionando. Não em algo novo. Segundo eles, o público pode estranhar e não assistir o filme, mas o contrário também é verdade. Podemos ver hoje em dia que os filmes que estavam dando certo foram tão repetitivos que acabaram cansando o público. Os filmes de grande orçamento não se preocupam o roteiro ou atributos técnicos. Eles só são feitos para a o divertimento. Coppola fez parte do movimento Nova Hollywood que teve como base isso. Dar mais para que os diretores contassem suas histórias sem que os executivos ficassem interferindo no que era viável ou não. Então, esse filme pode ser usado como exemplo do que acontece quando você deixa um diretor contar sua história. Tem uma frase do Coppola que eu escutei enquanto ouviu seu comentário em áudio na coleção de DVDs chamada “O poderoso Chefão”, a restauração de Coppola:

“Sempre que quiserem te demitir ou dizerem que suas ideias não são boas ou até rebaixar você, estas são as mesmas ideias que vocês vão estar comemorando trinta anos depois.”

O filme é tido o segundo melhor filme americano de todos os tempos. Ficando atrás apenas de “Cidadão Kane” na AFI( American Film Institute). No IMDB está como o segundo filme mais avaliado de todos os tempos. Perdendo apenas para “Um Sonho de Liberdade”.

“O Poderoso Chefão” é uma aula de como fazer um filme. A fotografia, a direção, a trilha sonora Original, as atuações, os enquadramento, as lentes escolhidas, o desenvolvimento de personagens, a ambientação, o roteiro e muitos outros aspectos faz com que aspirantes a cineastas e até quem já é, estudar o filme e aplicar estass coisas com maestria em seus próprios projetos.

Falarei de cada elemento a cima em futuros artigos, aguarde este próximo artigo sobre “O Poderoso Chefão”.

Ano passado ele completou cinquenta anos, com isso ele voltou as cinemas mundiais com uma restauração feita em 4K.

Tentei não dar muitos spoilers sobre a trama. Pois eu quero convidá-los a assistirem o filme. Será uma experiência inesquecível. Eu garanto.

Meu nome é Tiago Santos Souza. Tenho vinte e três anos. Sou cineasta.

Arte Brasileira apresenta série de indicações de filmes do cinema nacional dos anos 1960 e 70

Uma breve leitura dos festivais de ontem e de hoje

contributor
Olá! Meu nome é Tiago Santos Souza e sou um apaixonado cineasta, roteirista, escritor, jornalista freelancer e autodidata. Minha paixão pela sétima arte me levou a explorar o mundo do cinema, onde tenho a oportunidade de contar histórias e envolver o público em uma experiência única. Como roteirista, mergulho nas profundezas da imaginação para criar narrativas cativantes e personagens empolgantes. Além disso, minha dedicação como escritor me permite expressar minha criatividade através das palavras, tanto em projetos literários como em artigos jornalísticos. A busca constante pelo conhecimento me tornou um autodidata, nunca deixando de aprender e evoluir. Sou movido pelo desafio de me reinventar e ir além das minhas habilidades. Com a minha versatilidade e paixão pelas artes, estou sempre aberto a novas oportunidades que me permitam explorar diferentes formas de contar histórias e transmitir emoções.