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Música

CONHEÇA: Cantor e compositor inspirado na tradicional música brasileira lança disco SONORIDADE PÓLVORA [Entrevista]

Matheus Luzi

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Da tradição da canção brasileira, o cantor e compositor Ian Lasserre tira a inspiração para construir SONORIDADE PÓLVORA, seu álbum de estreia.

Com sons marcadamente acústicos e um formato orgânico, Ian Lasserre apresenta sua visão de mundo nas oito canções autorais que formam o álbum. A quantidade reduzida de instrumentos e a gravação ao vivo colocam em primeiro plano o trabalho do músico com o seu instrumento (violão), com a sua voz e com a banda que o acompanha. Há em SONORIDADE PÓLVORA uma postura reflexiva e uma atmosfera acolhedora, baseada em referências brasileiras e baianas mescladas, ao mesmo tempo, com elementos globais.

 

Veja abaixo uma entrevista exclusiva com Lan Lasserre sobre o disco novo:

 

 

Acho que MARÉ (uma das faixas do disco), vai além do nome apenas… É uma ótima música pra se ouvir na beira da praia ou em qualquer outro lugar calmo e reflexivo, não é?

Depois de ter ouvido a opinião de algumas pessoas, eu percebi que pode significar muitas coisas a depender do lugar, da pessoa. No momento em que compus essa música, eu estava no início do processo do disco, então ela foi um grande marco, talvez o primeiro ensaio estético do álbum. 

 

Você teve muitas experiências musicais antes desse disco, fez parte da música brasileira com a música baiana. Como tudo isso foi aplicado em SONORIDADE PÓLVORA?

Pois é, participei de um coletivo de músicos chamado Manontropo no qual nos reuníamos para ouvir e mostrar composições. Acredito que, desde então, quando lancei meu Ep chamado Ideias E Pedaços (2013), eu experimentava ritmos como Samba / Ijexá / Baião. Todo esse caminhar resultou em uma overdose de brasilidade nas minhas canções e repercutem nas canções do disco. A música brasileira também é algo difícil de se delimitar, temos uma pluralidade administrável.

 

O disco é composto por 8 faixas autorais. Como a criação dessas músicas aconteceu?

As canções foram feitas em diferentes momentos. Quatro músicas do disco foram feitas com o poeta Thiago Lobão, sendo que Pindorama e Rio Bahia surgiram na época da Manontropo. Mesmo tendo outras músicas, eu preferi produzir canções novas para esse momento de álbum.

 

Trabalhar em conjunto em prol da canção e usar poucos instrumentos é uma das cartas certeiras deste álbum.  Pode nos contar um pouco mais sobre isso?

Esta escolha estética minimalista de poucos instrumentos foi uma construção minha e do produtor Sebastian Notini. Nós optamos por usar uma instrumentação de madeira com poucos elementos e gravamos em estúdio ao vivo com poucos cortes. A ideia era trazer a vivacidade dos momentos, até dos pequenos ruídos para dar uma sensação de que estávamos ali, na sala tocando. 

 

Em release, você diz que o disco tem começo, meio e fim. Você fala isso se referindo a proposta poética e/ou musical do disco?

Sim, eu vejo Sonoridade Pólvora como uma obra e existe uma trajetória elemental. Ela passeia pelas águas e termina em tons de terra. A narrativa não é necessariamente regida pelas letras, mas pelas harmonias e instrumentalizações também. Eu tenho dificuldade de separar as duas coisas. Vejo a parte musical como poética às vezes. Por exemplo, em Maré na parte que não tem letra, para mim existe uma letra ali, ou um movimento. Assim como um gesto é linguagem harmonia e melodia também são. 

 

 

No seu disco, a poesia dialoga muito bem com as harmonias. Por que teve essa ideia?

Muito obrigado. O lance é que eu não tive essa ideia… Acredito que essa combinação poética melódica surgiu espontaneamente… 

 

“É na valorização do trabalho em conjunto e nos sons produzidos a partir das vozes e de instrumentos predominantemente acústicos que a identidade do disco aparece.”. Qual identidade é essa?

Acredito que a escolha do minimalismo.

 

Como foi o processo de produção e gravação do disco?

Eu gosto da palavra acaso. Acredito que o processo de construção deste projeto foi se revelando aos poucos. Nós tínhamos uma ideia de sermos minimalistas inicialmente, mas posso citar, por exemplo, o solo de Felipe Guedes na música Recado. Não era planejado e enquanto gravávamos ao vivo, erramos a forma e olhamos para ele, aí ele faz um belíssimo solo de guitarra que dura na canção alguns minutos e tudo aquilo foi surgindo espontaneamente. Esses movimentos, talvez que tenham trazido a identidade do projeto essa liberdade de expressão de cada instrumento dentro da regência fantástica de Sebastian Notini, produtor do disco. 

 

Tem alguma história interessante para nos contar que envolva o disco?

O disco tem tido uma repercussão muito bacana depois que uma gravadora sueca viu o vídeo de Rio Bahia no youtube e ela fez uma proposta em lançar o disco mundialmente. Em fevereiro deste ano, Sonoridade Pólvora foi lançado no Japão e em Junho na Europa. Pude acompanhar as críticas e tenho aprendido muito com esse processo. No dia 21 de Setembro concluirei o processo de lançamento em Salvador no Teatro Gregório de Mattos, fechando um ciclo de vários anos de trabalho. Um fechamento de fase. Talvez sejam os 30 risos. 

 

 

(Reportagem exclusiva da Arte Brasileira)

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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