14 de março de 2026

CONTO: Aqueles Cães Que Latiam e Os Visitantes Que Não Batiam (Gil Silva Freires)

Desde que se mudara, Leonardo não conseguia dormir direito. E sua insônia não era causada por problemas financeiros ou sentimentais. Dinheiro ele tinha o bastante pra levar uma vida confortável naquela recém comprada casa na Vila Madalena. Sua namorada era sensacional, uma blondie de causar inveja, bunda e peitos de arrasar. O problema estava na casa do vizinho: dois malditos pastores alemães que latiam quase o tempo todo. Aqueles dois cães vinham tornando um inferno aquela primeira semana na casa nova.

Ainda na primeira manhã de olheiras, foi reclamar com o vizinho, um advogado aposentado e bonachão. Mas foi inútil, pois o homem disse que ele se acostumaria com os latidos, era questão de tempo. E ainda brincou, dizendo que o barulho dos cães era soava pra ele como uma canção de ninar.

– Mas seus cães são umas pestes – protestou Leonardo.

O vizinho riu e pediu mais paciência. Disse que a criminalidade era alta e a presença de cães de guarda era imprescindível pra reforçar a segurança.

Leonardo voltou pra casa odiando ainda mais aqueles cães. Onde já se viu manter aqueles animais barulhentos como mecanismo de segurança? A casa do vizinho era uma fortaleza e ladrões não entrariam ali nem de helicóptero. A presença daqueles bichos infernais era apenas pra deixar a vizinhança louca e insone.

Naquela madrugada encostou uma escada no muro e subiu com os bifes na mão. Os cães importunos latiam barulhentamente do outro lado.

– Trouxe um lanche pra vocês – disse, jogando os bifes envenenados.

Os cães avançaram nos petiscos letais e Leonardo foi dormir o sono dos justos.

Estava quase pegando no sono quando escutou o rumor de vozes. Foi até a janela do quarto e viu dois sujeitos se equilibrarem no muro e descerem pela escada que ele esquecera lá.

Pegou o telefone e desceu apressado pra conferir as fechaduras. Deu de cara com dois outros ladrões já na sala. Um deles deu um tiro certeiro no coração de Leonardo.

Havia duas semanas que tentavam roubar aquela casa, mas o assalto era sempre frustrado pelo alerta de cães na casa vizinha.

Escrito por Gil Silva Freires em 2 de dezembro de1995

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS

MÚSICA CAIPIRA: Os caipiras de 1962 ameaçados pela cultura dos estrangeiros

Em 1962, Tião Carreiro e Carreirinho, dois estranhos se comparados ao mundo da música nacional e internacional, lançavam o LP.

LEIA MAIS

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS

CONTO: O Genro Perfeito e o Estudante de Direito (Gil Silva Freires)

– Filha minha não casa com pé-de-chinelo! – bradava seo Germano, aos quatro ventos. Italianíssimo, não havia desfrutado da mesma.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Por que o rock deixou o mainstream brasileiro? (com Dorf)

As novas gerações se assustam quando escutam que o rock já protagonizou o mainstream brasileiro. Não à toa. Atualmente, o.

LEIA MAIS

Bethânia só sabe amar direito e Almério também (Crítica de Fernanda Lucena sobre o single

O mundo acaba de ser presenteado com uma obra que, sem dúvidas, nasceu para ser eterna na história da música.

LEIA MAIS

Alguns livros que você precisa ler antes de morrer

A morte dá alusão ao fim do mundo, o Apocalipse e até mesmo o fim da vida de uma pessoa,.

LEIA MAIS

Certamente, esse filme é um dos mais atrapalhados que eu já vi (Crítica de Matheus

Ontem fui dormir cedo, e não sei porque acabei perdendo totalmente o sono quando acordei as 2 horas da madrugada..

LEIA MAIS

Uma melodia que deixa líquida a palavra e impulsiona o despertar dos seres – crítica

Que sons tocam em seu interior? Que vozes falam em sua cabeça? Que trilha sonora explica o seu agora? Em.

LEIA MAIS