2 de junho de 2026

CONTO: O Grande Herdeiro e o Confuso Caminhoneiro (Gil Silva Freires)

Gregório era o único herdeiro de um tio milionário, seu único parente. Não tinha irmãos, perdera os pais muito cedo em um acidente automobilístico, era sozinho no mundo. Mas não dava a mínima pra essas coisas de família. Queria mesmo era que o tio morresse logo e lhe deixasse toda a grana.

Desde os dezessete anos vinha trabalhando como empenho na empresa do tio e já estava cansado de fingir uma afeição que não sentia pelo velho. Estava cansado de dar duro por um salário limitado, quando era o herdeiro legítimo daquele oceano de dinheiro que o velho preservava com extrema sovinice.

Ultimamente vinha trocando os remédios de coração do tio por cápsulas de farinha. Dessa forma apressaria a morte redentora do velho. Remorso não sentia, pois era por uma boa causa: o bom uso de toda a grana amontoada nos bancos que o tio amontoava nos bancos, sem desfrutar dos prazeres da vida.

Foi trocando os remédios até que aconteceu. O coração do tio parou, fulminado por um infarto certo.

Aquele era o dia mais feliz da vida de Gregório. O testamento foi aberto e sacramentou-o como o único herdeiro de toda a fortuna. Momentos depois ele saiu do escritório dos advogados como o mais recente milionário paulista. Dispensou o motorista, entrou na Mercedes prateada e foi subindo a Avenida Nove de Julho, pensando em comemorar com uma noitada no Bahamas.

O que aquele caminhão fazia ali, descendo desembestado a Rua Estados Unidos? O caminhoneiro tinha se perdido pelas ruas de São Paulo, estava confuso e sem freios. O fato é que apanhou a Mercedes prateada no cruzamento.

Gregório teve morte instantânea e o caminhão pertencia à empresa que ele tinha acabado de herdar com a ajuda dos comprimidos de farinha.

Escrito por Gil Silva Freires em 02/10/1994

Entre a sinestesia e a sistematização, Zé Ibarra se consolida como voz de sua geração

PERFIL ⭐️ Em meio a exuberante flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Zé Ibarra comenta com fluidez e.

LEIA MAIS

Sonoridades dos continentes se encontram em “Saudoso Amarais”, disco do artista campinense Leandro Serizo

O projeto solo discográfico do paulista Leandro Serizo se iniciou em 2021, quando o single “Libertas Navy” foi disponibilizado. Aproximadamente.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Por que o rock deixou o mainstream brasileiro? (com Dorf)

As novas gerações se assustam quando escutam que o rock já protagonizou o mainstream brasileiro. Não à toa. Atualmente, o.

LEIA MAIS

Zé Alexanddre, o antes e o depois do The Voice+

Em tempos de queda de audiências na mídia tradicional, o The Voice permanece intacto. Os participantes saem do amadorismo, conquistam.

LEIA MAIS

Historiadora lança minicurso gratuito sobre a história da arte, com vídeos curtos e descomplicados

(Divulgação) Aline Pascholati é artista visual e historiadora da arte diplomada pela Sorbonne (Paris, França) e trabalha há mais de.

LEIA MAIS

O cemitério velho da cidade de Patu

  Seguindo na Rua Capitão José Severino até o seu final, antes de adentrar pela Praça Padre Henrique Spitz, observa-se,.

LEIA MAIS

A arquitetura sonora de Roberto Menescal

Gênio da bossa nova e ativo no mercado até hoje, Roberto Menescal já teve sua trajetória retratada em seis livros..

LEIA MAIS

O lado cineasta de Oswaldo Montenegro

  O lado musical e poético de Oswaldo Montenegro é reconhecido Brasil afora, mas o lado cineasta do artista é.

LEIA MAIS