18 de outubro de 2026

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não nasceu pra surfista, Adalberto não havia nascido nem pra catar conchas na areia da praia.

Pra ele aquelas ondas indo e vindo, indo e vindo, indo e vindo na inspiravam a mínima confiança. Ainda mais pra um sujeito como ele, que ficava péssimo de sunga e, pior, nadava tanto quanto uma bigorna.

Ele preferia ficar em São Paulo, curtindo os feriados ali mesmo no Grajaú, onde não havia aquela água salgada horrível e o constante risco de se afogar. Os outros que enfrentassem sozinhos os tubarões.

– Oceano, pra mim, só na televisão – Adalberto dizia. – Prefiro ficar aqui, com a casa só pra mim, tomando minha cervejinha.

Toda a família havia viajado pro litoral e Adalberto combinou com uns amigos – também desapegados à praia – uma festinha particular. Às dez horas eles chegariam, acompanhados de algumas garotas devidamente contratadas.

Como o Sol começava a cair, Adalberto bebeu a saideira e foi pra casa. Tomaria um longo banho e relaxaria até que chegasse a hora do “vamos ver”.

Entrou no banheiro tropeçando nas próprias pernas e cantarolando um pagode. Ligou a torneira e deixou a banheira encher. Foi até a cozinha e pegou mais uma cerveja na geladeira, para tomar enquanto se refrescava na segurança de seu banheiro. Entrou na água com a garrafa de cerveja na mão e emergiu confortavelmente até o peito. Ficou ali, pensando nas safadezas de logo mais e tomando cerveja pelo gargalo.

A cerveja na cabeça foi dando sono e Adalberto acabou adormecendo na banheira cheia. Deslizou, deslizou e afundou. Acordou assustado, pensando estar no meio de um pesadelo marítimo. Ao tentar levantar-se, escorregou e caiu, batendo a cabeça na borda.

Afundou de novo e morreu afogado ali na banheira, onde não tinha tubarão, mas também não tinha salva-vidas.

Escrito por Gil Silva Freires em 19/02/1996

A Arte Não Precisa de Justificativa – Ep.1 do podcast “Mosaico Cristológico”

Neste episódio falamos sobre a obra de Hans. R. Rookmaaker – A Arte Não Precisa de Justificativa – e a.

LEIA MAIS

Os vários Olhos D’agua de Conceição Evaristo

Poderia ser mais uma daquelas resenhas que escrevo sobre um livro que eu acabara de ler, no entanto é algo.

LEIA MAIS

Produzido por alunos do ensino público, Jornal PUPILA CULT está disponível em plataforma digital

Jornal PUPILA CULT é uma realização da OFIJOR – A Oficina de Experiência Prática de Jornalismo (OFIJOR) é um projeto social,.

LEIA MAIS

Manuelito: para além de um mestre da fotografia

Oriundo do Ceará,Manuelito veio residir em Mossoró, aqui permanecendo e trabalhando até o final de sua vida. Suas fotografias deixavam.

LEIA MAIS

CONTO: O Genro Perfeito e o Estudante de Direito (Gil Silva Freires)

– Filha minha não casa com pé-de-chinelo! – bradava seo Germano, aos quatro ventos. Italianíssimo, não havia desfrutado da mesma.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: As artes quilombolas (com Nino Xambá)

Este episódio tem como finalidade desbravar as artes quilombolas. São mais de 35 minutos de conversa entre o jornalista Matheus.

LEIA MAIS

As várias versões da “Balada do Louco”

No documentário “Loki – Arnaldo Baptista” (2008), o ex-mutantes Arnaldo Baptista é definido como “a própria personificação” do eu lírico.

LEIA MAIS

O Som do Passado: Como os Equipamentos Vintage Estão Reconectando Gerações

Mais pessoas, a cada dia, vão além de um breve lazer em ambientes que fazem da viagem no tempo sua.

LEIA MAIS

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

Criador do estilo “punk-barroco” (o punk que se expressa através de contrastes), o compositor Rogério Skylab (1956 -) é um.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição19

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS